Valverde, distrito de Bragança - Portugal
7:38 e 10:19 (UT)
O dia nasceu perfeito com o céu completamente limpo, pouco ou nenhum vento e com uma temperatura razoávelmente amena. O local escolhido foi um planalto situado perto de Valverde a alguns quilometros abaixo da cidade de Bragança, situando-se praticamente sobre a linha da perfeita centralidade.
Alguns do grupo chegaram ao local ainda de noite para ter oportunidade de alinhar as montagens com a polar, chegando outros mais tarde, mas ficando todos prontos e na expectativa bem antes do seu início.
O início do eclipse foi uma surpresa, sendo esta uma característica dos primeiros contactos. De repente o Sol apresentou uma pequena dentada que ia aumentando a olhos vistos - o espectáculo tinha começado.
Após a excitação inicial, foram momentos de expectativa preenchidos essencialmente com a observação do limbo lunar por infelizmente, o Sol não apresentar manchas solares, contudo, apesar de alguma turbulência, foi possível ver a silhueta de crateras e mares, nomeadamente o Mare Orientale cuja depressão e pico central por vezes se salientava devido à Lua se encontrar numa libração favorável, ficando assim entretido até à chegada do próximo momento alto, o segundo contacto.
Com telescópios h-alpha como o da Coronado PST, este momento é talvez mais dramático por ser possível observar as proeminências solares a nascer no limbo lunar, como se surgissem do nada, até que finalmente o círculo fechar.
Até este momento foi notório o decréscimo de temperatura e o amortecimento da luz ambiente, cuja a melhor analogia que consigo fazer é a de como tivesse a usar óculos de Sol levemente escurecidos.
Apesar da Lua ocultar pouco mais de 90% da superfície solar, a intensidade do Sol continuava a ser extremamente forte, sendo apenas possível observar directamente sem filtro por uma fracção de segundo para se notar que realmente o Sol se encontrava ocultado.
Logo de seguida aconteceu a quebra do anel com o terceiro contacto, que à semelhança do segundo, ficando as proeminências solares novamente como que suspensas a surgirem do nada, embora, estas neste limbo fossem menos proeminentes.
O tempo decorrido entre os dois contactos foram cerca de 4 minutos de intensa excitação e deslumbramento, incluido a extraordinária visão de um perfeitamente delineado anel de fogo. Fiquei praticamente com olho colado no PST, alternando com a obtenção de algumas fotos.
Após a quebra do anel, a normalidade foi sido reposta lentamente até ao quarto e último contacto (ou antes "descontacto"), que mais uma vez em h-alpha, foi possível observar as proeminências a reaparecer. Na meia hora seguinte levantou-se o vento devido à repentina diferença de temperatura.
No final ficou a agradável satisfação de ter presenciado um momento único, tendo tudo corrido da melhor maneira possível e também na melhor das companhias.
São raros os eclipses cujo o caminho central tenha passado ou passará em território continental português. O último eclipse foi simultâneamente total e anular (híbrido), cujo o caminho passou entre o Porto e Aveiro em 17 de Abril de1912 mas com apenas 1 a 2 segundos de duração na fase da totalidade.
Por curiosidade a última vez que Portugal continental teve a visita de um eclipse total anular foi a 1 de Abril de 1764 mas o próximo será em 26 de Janeiro de 2028, passando no entanto a faixa central ao largo de Faro.
O próximo eclipse total será em 12 de Agosto 2026, apesar da faixa de ocultação entrar apenas 4 kms numa pontinha de Portugal a norte de Bragança. Por ser tão raro tendo sido este talvez o evento astronómico mais aguardado do ano.
Embora tenha dado primazia visual ao evento, ficam as imagens e animações que tive oportunidade de registar para mais tarde relembrar, partilhando por este meio com todos os que se fascinam com estes momentos de rara beleza.
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| Eclipse Anular versões 1024, 1280 e 1400 |
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| Eclipse 08:38 - 10:19 TUC Animação com intervalos ~10 minutos |
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| Eclipse no seu máximo ás 9:54 TUC |
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| Mare Orientale ? |
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| Proeminências solares imediatamente antes de contacto II ( 8:52 TUC) |
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| Proeminências solares imediatamente após o contacto III ( 8:57 TUC) |
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| Proeminências solares ( 9:34 TUC) |
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| Vistas do local e equipamento |
Circunstâncias locais - Valverde, Bragança, Portugal *
| Posição | Duração | Máximo de Eclipse | ||
| Latitude | Longitude | UT | g | |
| +41 42 | +6 47 | 4' 5.7" | 8 54 53.4 | 0.974 |
| 1ºContacto | 2ºContacto | 3ºContacto | 4ºContacto |
| 7 38 52.6 | 8 52 30.6 | 8 56 32.7 | 10 18 2.7 |
Equipamento utilizado :
- Takahashi SKY90 f/5.6 (500mm) e Nikon D70 , filtro solar 1000 Oaks (exposições de 1/1500s a 200 ISO)
- Coronado PST 40mm f/10 (400mm) h-alpha e Canon Powershot G1
- Tudo em cima de uma Takahashi Sky Patrol II
Nota importante:
Em todas as imagens e observações foram utilizados com filtros solares apropriados para a observação visual do Sol através de um telescópio. Estes filtros apenas permitem passar 0.00001% da intensidade da luz, também bloqueando completamente as radiações nocivas, tais como os UV.Algumas ligações relacionadas
- Documento PDF de Institut de Mécanique Céleste et de Calcul d'Éphémérides Observatoire de Paris - Bureau Des Longitudes
- Página de Eclipse do grupo Atalaia
- Relato do Eclipse Barros & Santiago
- Relato do Eclipse UAA por Grom Matthies UAA
- Relato do Eclipse Luís Evangelista
- Relato de Jorge Almeida
- Eclipse Solar Total - 29 Março 2006
- Trânsito de Vénus - 8 de Junho de 2004
- Eclipse Lunar Total - 28 de Outubro de 2004
- Eclipse Lunar Total - 8 de Novembro de 2003
- Trânsito de Mercúrio - 7 de Maio de 2003
Luís Carreira, Outubro de 2005







