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LUA PERDIDA DE SEDNA

 

14 de Abril 2004 - Astrónomos, ao  estudarem 35 imagens, tiradas pelo Hubble Space Telescope, do objecto mais longínquo conhecido do Sistema Solar, informalmente designado Sedna,  estão surpreendidos por aparentemente não ter qualquer lua companheira, de qualquer tamanho considerável. Este resultado inesperado pode oferecer novas pistas para a origem e evolução dos objectos do limite mais longínquo do Sistema Solar.

 

Direita: Aqui está Sedna, a mais de 13 000 milhões de quilometros, mas onde está a sua lua?

 

A existência de Sedna foi anunciada a 15 Março de 2004. O seu descobridor, Dr. Mike Brown, da California Institute of Technology (Caltech), Pasadena, California, professor associado de Astronomia planetária e chefe da equipa de investigação, estava tão convencido que esta tinha um satélite, que um desenho artístico de Sedna divulgado nos meios de comunicação social incluía uma hipotética lua.

 

A previsão de Brown da existência de uma lua é baseada na lenta rotação de Sedna: parece girar em torno do seu eixo a cada 40 dias. Em comparação, quase todos os corpos solitários no Sistema Solar como cometas e asteróides rodam sobre si em apenas algumas horas. A rotação mais vagarosa de Sedna podia ser melhor explicada, justificou Brown e seus colegas, pela atracção gravitacional de um objecto companheiro para abrandar a rotação de Sedna.

 

"Estou completamente confuso quando à ausência de uma lua," disse Brown. "Isto foge ao domínio do que se esperava e torna Sedna ainda mais interessante. Mas simplesmente não sei o que isso possa significar."

 

Seguindo ao anúncio imediato da descoberta de Sedna, os astrónomos da NASA apontaram o HST em direcção ao novo planetóide para procurar a esperada companheira. A plataforma espacial fornece o poder de resolução necessário para fazer tais medidas de precisão. "A imagem de Sedna não é suficientemente estável em telescópios fixados em terra," disse Brown.

 

Surpreendentemente, as imagens do HST, tiradas a 16 Março de 2004 com a nova Advanced Camera for Surveys (Câmara Avançada de Reconhecimento) só mostrou um único objecto: Sedna, juntamente com uma estrela pálida, muito distante no mesmo campo de visão.

 

Mesmo com a visão aguda do Hubble, este só pôde resolver razoavelmente o disco de Sedna, disse Brown. É o equivalente a tentar ver uma bola de futebol a cerca de 1 450 km. As imagens do Hubble colocam um limite superior do diâmetro de Sedna a aproximadamente três quartos do tamanho de Plutão, ou cerca de 1 600 km de comprimento.

 

Abaixo: Impressão artística de Adolf Schaller da vista a partir de Sedna, com pontos de interesse assinalados.

 

 

Brown esperava ver a lua aparecer como um "ponto" companheiro nas imagens do Hubble, mas o objecto simplesmente não está lá. Há a hipótese de que ele possa estar por trás do Sedna ou a transitar defronte de Sedna, não podendo então ser visto separadamente de Sedna nas imagens do Hubble. Mas tal possibilidade é muito pequena.

 

A estimativa do período de rotação de 40 dias de Sedna proveio de observações das mudanças periódicas aparentes na luz solar ao reflectir na superfície salpicada de Sedna. O planetóide parece ser o objecto de rotação mais lento no Sistema Solar a seguir a Mercúrio e Vénus, cujos movimentos lentos de rotação são devidos à influência dos efeitos de maré do Sol. Uma maneira fácil de sair deste dilema é a possibilidade de o  período de rotação não ser tão lento como os astrónomos pensaram. Mas mesmo com uma cuidadosa reavaliação, a equipa mantém-se convicta que o período está correcto.

 

Brown admite, "Estou completamente perdido por uma explicação para o facto de o objecto rodar tão lentamente."

 

LINKS

 

Mysterious Sedna  da Science@NASA. Astrónomos descobriram um corpo planetóide misterioso nos limites longínquos do Sistema Solar.

Hubble Observes Planetoid Sedna, Mystery Deepens  do HST.

Sedna (2003 VB16)  Aprenda mais sobre Sedna com os descobridores do objecto.

Ao contrário de Sedna que gira a cada 40 dias, pequenos corpos como asteróides e cometas completam uma rotação numa questão de horas. Plutão tem um período de rotação de 6 dias por ter ficado sincronizado com o seu satélite Caronte devido ao efeito de maré. O HST foi o primeiro telescópio a resolver Plutão e Caronte como dois corpos separados. O próximo telescópio James Webb Space Telescope da NASA fornecerá uma plataforma para estudos de alta resolução na banda do infravermelho de corpos tão distantes e frios no Sistema Solar.

 

 

 

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