Devido ao facto de o seu movimento aparente no céu ser muito rápido, o primeiro dos 9 planetas do Sistema Solar, obteve o seu nome do deus romano Mercúrio, o mensageiro dos deuses.
Como é óbvio é o planeta mais próximo do Sol , e o segundo mais pequeno do Sistema Solar. Tem um diâmetro que é 40% mais pequeno que o da Terra , mas por outro lado, é 40% maior que o da Lua . Algumas das luas de outros planetas são inclusivamente maiores que Mercúrio, tal como Ganimedes de Júpiter e Titã de Saturno . No entanto, é mais maciço que estas luas.
Possui uma órbita a 57,910,000 km (0.38 UA ) do Sol, um diâmetro de 4,880 km e uma massa de 3.30e23 kg.
A órbita de Mercúrio é altamente excêntrica. No periélio está a apenas 46 milhões de quilómetros do Sol e no afélio está a 70 milhões. Quando está no periélio, o planeta é mais lento a passar por trás do Sol. Durante o século 19, os astrónomos fizeram observações muito cuidadosas dos parâmetros orbitais de Mercúrio, mas nunca conseguiram explicar os resultados com as mecânica de Newton. As pequenas variações entre os valores observados e os valores previstos, eram mesmo pequenas mas forma uma verdadeira chatice durante várias décadas. Pensava-se que um outro planeta existia para lá da órbita de Mercúrio, o planeta Vulcano como era chamado. Esse outro planeta era o culpado pelas diferenças encontradas. No entanto, a resposta viria de outra direcção. Seria a Relatividade Geral de Einstein que acabaria por dar a resposta correcta ao problema. A sua previsão para os movimentos de Mercúrio foi, inclusivamente, um dos factores mais importantes para a aceitação da teoria de Einstein.
As variações de temperatura em Mercúrio são as mais extremas do Sistema Solar, e vão desde os -183º Celsius (90 Kelvin ) até aos 467º Celsius (700 Kelvin ) . No entanto, em Vénus a temperatura é mais alta, e também mais constante.
O aspecto da superfície de Mercúrio é muito idêntico à fantástica desolação da Lua. Existem montes e crateras em grande abundância. Os montes estão cobertos de poeira e a erosão provocada pela constante queda de meteoritos na superfície de Mercúrio, ajudaram a desgastar esses montes. Contudo existem escarpas altas, com vários quilómetros de altura e centenas de quilómetros de comprimento. Tudo isto, "enfeitado" com inúmeras crateras de vários tamanhos espalhadas pela superfície deste pequeno planeta.
Um eventual astronauta, pioneiro claro, que se encontrasse em Mercúrio, seria capaz de ver que o Sol apareceria cerca de 2 vezes e meia maior que aqui na Terra. Apesar disso, e porque Mercúrio praticamente não tem atmosfera, o céu apresentar-se-ia sempre negro aos seus olhos. Além disso, o nosso astronauta poderia olhar o céu e verificaria que existiam 2 "estrelas" brilhantes, muito especiais, que se destacariam facilmente: uma clara, de cor creme, que seria Vénus e outra com brilho azul, que seria a Terra.
Antes das visitas da Mariner 10 a Mercúrio, praticamente nada se sabia devido à dificuldade em usar telescópios para observar este planeta. Mesmo na máxima distância, quando visto da Terra, Mercúrio está afastado apenas 28 graus do Sol, o que significa que só é possível vê-lo ou durante o dia, ou então imediatamente antes do nascer do Sol ou imediatamente após o pôr do Sol. Nestas últimas situações, mercúrio está tão baixo no horizonte que a sua luz para chegar até nós, tem de atravessar o equivalente a 10 vezes a espessura da atmosfera da Terra, do que se estivesse directamente por cima da nossa cabeça.
Giovanni Schiaparelli, durante a década de 1880, criou um esquema onde algumas das estruturas de Mercúrio estavam contempladas. Pelas suas conclusões, afirmou que Mercúrio deveria estar preso ao Sol, de uma forma idêntica à que a Lua está presa à Terra, de modo a explicar o seu movimento. No entanto, em 1962, radio-astronomos fizeram estudos às emissões rádio do planeta e acabaram por concluir que o lado escuro de Mercúrio é demasiado quente para estar preso ao Sol, acompanhando o seu movimento. Era de esperar, pois, que fosse mais muito frio se realmente estivesse sempre virado para o lado oposto do Sol.
Três anos depois, Pettengill e Dyce, foram capazes de calcular o período de rotação de Mercúrio como sendo de 59 +- 5 dias, com base em observações de radar. Mais tarde, em 1971, Goldstein conseguiu melhorar o cálculo e obteve um valor de 58.65 -+ 0.25 dias para o período de rotação de Mercúrio, utilizando para isso também observações de radar. Quando a Mariner 10 fez as suas visitas a mercúrio, as suas medições a curta distância permitiram calcular este período em 58.646 +-0.005 dias.
Apesar do facto de Mercúrio realmente não estar preso ao Sol, o seu período de rotação está relacionado com o período orbital. Em cada órbita, Mercúrio dá uma volta e meia sobre si próprio. Isto representa uma relação de 3:2 e, devido a esta relação, um dia em Mercúrio (desde o nascer do Sol até ao nascer do Sol do dia seguinte), demora 176 dias terrestres. Podem ver a seguinte ilustração que mostra isso mesmo.

Mas Mercúrio já deve ter tido um período de rotação menor, algures no seu passado distante. Os cientistas especularam que essa período deve ter sido da ordem das 8 horas, mas que ao longo de milhões de anos, a influência gravitacional do Sol foi abrandando gradualmente essa rotação. Cientistas computaram um modelo deste processo que indica que este abrandamento demoraria cerca de 10^9 anos, e que deveria ter elevado a temperatura interior em cerca de 100 Kelvin.
Muitas descobertas feitas sobre Mercúrio, provêm das passagens da sonda Mariner 10 pelo planeta. Esta sonda foi lançada a 3 de Novembro de 1973. Efectuou a sua primeira passagem por Mercúrio a 29 de Março de 1974 a uma distância de 705 quilómetros da superfície de Mercúrio. A 21 de Setembro de 1974, voltou a cruzar-se com o planeta e a 16 de Março de 1975 fez a sua terceira passagem pelo pequeno planeta.
Durante essas visitas, mais de 2 700 fotos foram enviadas para a Terra, representando uma cobertura de 45% da superfície de Mercúrio. Até então, ninguém suspeitava da existência de um campo magnético em Mercúrio, pensava-se que era um planeta demasiado pequeno, o que originava que o seu núcleo tivesse solidificado há já muito tempo.
A presença de um campo magnético indica que o planeta possui um núcleo de ferro que está, pelo menos em parte, fundido. Os campos magnéticos são gerados pela rotação de um núcleo condutor fundido e é um efeito que é designado por efeito de dínamo, e o principio é idêntico ao funcionamento dos dínamos das bicicletas.

A Mariner 10 também mostrou que o campo magnético de Mercúrio é 1% mais forte que o da Terra. A inclinação deste campo magnético é de 7 graus em relação ao eixo de rotação de Mercúrio e produz uma magnetosfera à volta do planeta.
De onde provem o campo magnético, não se sabe. Pode ser produzido pelo núcleo de ferro parcialmente liquido no interior, mas outra origem possível é a magnetização que sobra das rochas férreas, magnetizadas quando o planeta arrefeceu e solidificou, na sua juventude.
Em relação à densidade de Mercúrio, já antes dos voos da Mariner 10 se sabia que era alta. O valor para a densidade de Mercúrio é de 5.44 g/cm^3, um valor idêntico ao da Terra que é 5.52 g/cm^3. No entanto, num estado de não compressão, a densidade de mercúrio é de 5.5 g/cm^2 em contraste com a da Terra que se fixa em apenas 4.0 g/cm^3. Esta alta densidade de Mercúrio significa que este nosso vizinho é constituído por 60 a 70 por cento de metal e 40 a 30 por cento de silicatos (rochas). Destes valores podemos obter um núcleo com um raio de 75% (3/4) do raio do planeta e um volume na ordem dos 42 por cento do volume do planeta. |
Em relação à superfície do planeta Mercúrio, as imagens recolhidas pela Mariner 10, mostram-nos um pequeno mundo semelhante à nossa Lua. A paisagem é em tudo idêntica nos dois locais, já que também Mercúrio está crivado de crateras, bacias de anéis e inúmeras correntes de lava.
Os tamanhos das crateras são bastante variados e vão desde os 100 metros (a Mariner 10 não conseguia obter resoluções de imagens mais pequenas) até cerca de 1 300 quilómetros e apresentam diversos estados de conservação. Algumas são nitidamente recentes, com arestas vivas e sistemas de raios brilhantes. Outras estão altamente degradadas, com arestas que forma suavizadas pelo bombardeamento de meteoritos. A maior cratera existente em Mercúrio, é a bacia de Caloris Planitia. Hartmann e Kuiper, em 1962, definiram uma bacia como sendo uma "depressão circular larga com anéis concêntricos distintos e linhas radiais." Outros consideram como bacia cada cratera que, em diâmetro, seja igual ou superior a 200 km. A bacia Caloris tem 1 300 quilómetros e provavelmente foi causada pelo impacto de um projéctil com tamanho superior a 100 quilómetros. O impacto foi tal que produziu uma elevação, com anéis concêntricos, com 3 quilómetros de altura e espalhou matéria em redor até uma distância de 600 a 800 quilómetros. Um bom exemplo de uma bacia com anéis concêntricos é a região de Valhalla, em Calisto, lua de Júpiter. As ondas sísmicas provenientes do abalo causado pelo impacto, acabaram por se concentrar no outro lado do planeta, provocando uma zona de terreno caótico. Após o impacto, a cratera foi alvo de um enchimento parcial de lava.
Mas nem só de crateras "vive" a superfície de Mercúrio. Existem também grandes penhascos ou escarpas que se terão, aparentemente, formado quando o planeta arrefeceu e sofreu uma compressão de alguns quilómetros. Este evento produziu rugas na crusta com escarpas a atingir os quilómetros de altura e as centenas de quilómetros de comprimento.
A maior parte da superfície do planeta, no entanto, está coberta de planícies, sendo que muitas delas são antigas e estão crivadas de crateras, mas outras são mais lisas, apresentando menos crateras, tendo recebido a classificação de planícies intercrateras ou planícies suaves, por parte dos cientistas. As planícies intercrateras estão menos saturadas de crateras com menos de 15 quilómetros de diâmetro. Estas, provavelmente foram formadas quando as correntes de lava cobriram os terrenos mais antigos. As planícies suaves são recentes e existem, por exemplo, em torno da bacia Caloris. É possível ver em algumas zonas, pequenas quantidades de lava (solidificada) a encher as crateras.
O historial da formação de Mercúrio, não é assim tão diferente do da Terra. Pelo contrário, são até bastante parecidos. Há cerca de uns 4.5 mil milhões de anos, os planetas formavam-se. Foi uma época de intenso bombardeamento sobre os planetas, que eram atingidos com material da nebulosa primitiva que acabaria por formar os planetas. Logo no começa deste processo de formação, Mercúrio provavelmente ficou com um núcleo metálico denso e uma crusta de silicatos. Depois do bombardeamento, lava percorreu em correntes a superfície do planeta e acabaram por cobrir a crusta mais antiga, renovando assim o aspecto da superfície do planeta. Por esta altura, a maioria dos fragmentos ou já havia desaparecido e o bombardeamento abrandou bastante, permitindo que neste período as planícies entre as crateras se formassem. Foi então que as escarpas se formaram, devido à contracção do núcleo induzida pelo arrefecimento do planeta.
Durante o terceiro estágio, a lava correu nas regiões baixas e produziu as áreas mais planas do planeta.
Depois disto, micrometeoritos bombardearam a superfície de Mercúrio o que originou uma camada de poeira, designada como rególito. As crateras com raios brilhantes, foram feitas pelo impacto de meteoritos maiores. Descontando algumas colisões esporádicas de meteoritos, a superfície de Mercúrio já não está activa e apresenta praticamente o mesmo aspecto há milhões de anos. |