A estrela e os Mitos

À semelhança de outros corpos no sistema solar, também Mercúrio tem alguma mitologia associada a si. Na antiguidade os povos olhavam para o céu e identificavam muitas coisas pelas formas aparentes que tinham (as constelações por exemplo) ou pela forma que se comportavam no céu. Coisas como cometas, eram vistos como presságios, maus para uns e bons para outros. Assim, nesta parte iremos ver qual a mitologia reservada para Mercúrio.

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Romanos

Mercúrio era o deus romano das brincadeiras. Apesar das partidas que pregava, ganhou o afecto de todos os deuses devido à sua inocência, vontade de brincar e espirito de entreajuda. Estava particularmente disponível para o seu pai, Júpiter, que o nomeou seu mensageiro e adido de confiança. Mercúrio era o fruto da relação de Júpiter com Maia, filha do Titã Atlas e uma das Plêiades.

Foi Mercúrio que conduziu a horda de Agenor, com Júpiter disfarçado de touro no meio deles, de encontro à princesa Europa, nas costas Fenícias do Mediterrâneo. Foi também Mercúrio que adormeceu Argos, tendo-o depois assassinado e libertado Io.

Noutra ocasião, novamente teve de ir em ajuda de seu pai, por alturas do nascimento de Baco, deus do vinho. Semele era filha de Cadmo, irmão de Europa, e de Harmonia, filha de Marte e Vénus.

Júpiter viu Semele num dia de Primavera e, como já era normal em Júpiter, apaixonou-se por ela. Júpiter aproximou-se dela, cortejou-a e acabou por a conquistar. É claro que Juno, a ciumenta esposa de Júpiter não gostou e planeou uma vingança contra a sua rival pelo afecto de Júpiter. Tomou a forma da já idosa ama de Semele, e como sua fiel serva, sugeriu que o seu amante talvez não fosse quem ele dizia ser...

Semele teve de saber e, por isso, conseguiu que ele jurasse que da próxima vez que ela o visse, ele apareceria em toda a sua glória, provando que era exactamente quem ele (Júpiter) afirmava ser. "Mata-me, se puderes, com um furioso abraço divino!" - gritou. Já nesta altura, carregava no seu (Semele) ventre Baco.

Devido ao juramento que havia feito sobe o rio sagrado Styx, de conceder qualquer desejo que a sua amante lhe pedisse, não teve outro remédio senão aceder. Então apareceu a Semele em todo o seu esplendor, com raios e trovões. Entrou no quarto de Semele, abraçou-a com toda seu esplendor divino e, num ápice, ela havia sido transformada em cinzas.

Júpiter tirou Baco do ventre de Semele ainda antes de ser consumido também, e colocou-o na sua coxa. Mais tarde, com a ajuda de Ilitia, Baco nasceu de novo. De modo a protegê-lo dos ciúmes e da hostilidade de Juno, Júpiter confiou Baco aos cuidados de Mercúrio, seu filho e leal ajudante, que o transportou até Orchomenus e o colocou aos cuidados da irmã de Smele, Io.

O seu templo no Circo Máximo, foi construído em 495 antes de Cristo. Era um local propicio para adorar e venerar uma divindade como Mercúrio, pois era um local de grandes e rápidas trocas comerciais, sendo um grande centro de comércio, além de ser uma pista de corridas.

O seu festival era celebrado a 15 de Maio e chamava-se Mercuralia.

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Gregos

Como a generalidade das divindades romanas, Mercúrio também teve origem numa divindade Grega, Hermes.

Hermes era o deus dos viajantes, pastores, oradores, da astúcia, poesia, atletismo, pesos e medidas, ladrões e era também o mensageiro dos deuses para os humanos.

Filho de Zeus e a ninfa Maia, é o equivalente a Turms, divindade Etrusca. Nascido numa caverna no Monte Cilene no Peloponeso, entre Acaia e Arcadia. Estas suas origens explicam o seu epíteto Hermes Cilenio.

Hermes era venerado com especial fervor pelos viajantes, peregrinos, poetas e ladrões. Apesar de existirem templos em sua honra, um pouco por toda a Grécia, Arcadia era o maior centro de veneração ao seu culto. Os festivais em sua honra, chamados Hermoea, eram especialmente mantidos em Arcadia.

Hermes era responsável também pela condução das almas dos recém-mortos para o submundo de Hades. Também trazia os sonhos aos mortais vivos.

Para além da lira, Hermes também inventou muitos tipos de corridas e tudo o que diz respeito ao boxe. Os estádios e ginásios espalhados pela Grécia tinham frequentemente estátuas em sua homenagem.

No entanto, na Grécia mais antiga, Hermes não tinha as funções discutidas atrás. Era antes um deus fálico, associado à fertilidade, sorte, estradas e fronteiras. O seu nome vem da palavra "Herma" que se refere a um pilar quadrado ou rectangular em pedra ou bronze. Uma representação da cabeça de Hermes, normalmente com barba, ficava no topo do pilar, e genitais masculinos adornavam a base do pilar. Estas representações eram os "Hermai" e apareciam nas bermas das estradas. Em Atenas, era comum vê-los no exterior das casas para dar sorte.

Em 415 antes de Cristo, quando a frota de Atenas estava para zarpar em direcção a Siracusa, durante a Guerra do Peloponeso, todos os Hermai foram vandalizados.

Os atenienses acreditaram que havia sido obra de sabotadores ou de Siracusa ou de pessoas atenienses contra a guerra. Pelos vistos Alcibiades, pupilo de Sócrates, era suspeito de ter participado na sabotagem e, indirectamente, Sócrates pagou com a sua vida o suposto acto de vandalismo do seu pupilo.

Normalmente Hermes era representado com um elmo alado, sandálias também elas aladas. Vestia-se como viajante, operário ou pastor.

A sua descendência conta-se da seguinte forma:

Pã, seu filho com Dryope, uma princesa humana. O seu babe, meio humano, meio bode, aterrorizou-a de tal forma que ela fugiu. Assim, Hermes levou-o par ao Monte Olimpo onde os deuses apreciaram a sua boa disposição e riso. Acabou por se tornar num deus venerado pelos pastores e homens dos bosques.

Abderus, filho de Hermes que haveria de ser devorado pelos Mares de Diomedes, quando lá se deslocou com o seu amigo Heracles.

Hermafroditus foi o seu terceiro filho, desta feita com Afrodite. Foi transformado num hermafrodita pelos deuses, em resposta a Salmacis.

Hermes desempenhou várias facetas, entre as quais, está o salvamento de Odisseu das garras de Calipso e Circe. Isto aconteceu porque convenceu Calipso a deixá-lo ir em liberdade e protegendo de Circe, com uma erva que o protegeu dos feitiços de Circe.

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Fontes:
Windows to the universe - http://www.windows.ucar.edu/windows.html
http://www.e-paranoids.com/m/me/mercury__mythology_.html
http://www.e-paranoids.com/h/he/hermes.html

 
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