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Saturno e os Mitos

Bom...Mais uma vez, ao falarmos de um corpo do Sistema Solar, nomeadamente Saturno, não nos podemos esquecer da mitologia associada ao mesmo.

No caso especifico de Saturno, este ponto torna-se de especial interessa devido ao facto de, efectivamente, ter feito parte ele próprio, como objecto celeste, da mitologia dos tempos antigos, devido ao facto de ser um dos objectos conhecidos desde que o Homem começou a observar o céu...

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Hindus

Na mitologia Hindu, Saturno (chamado Sani) está relacionado com o planeta Saturno e o seu regente, cujo veículo é um gralha.

Os hindus acreditavam na existência de nove planetas chamados Navagraha(s). Muitos dos rituais hindus, relacionavam-se aos planetas de tal forma que, muitas vezes, estes eram desenhados nas entradas dos templos hindus construídos por volta dos séculos X e XI da nossa era, em Bhubaneshwar, uma cidadezinha a Sudoeste de Calcutá. Colocados nas portas dos templos, os desenhos dos planetas serviam para proteger o templo em si e todos os que nele entrassem.

Os planetas eram venerados especialmente em tempos de crise ou grande perigo, porque os hindus acreditavam que eles tinham uma influencia forte na vida de cada um e de todos.

No Sul da Índia, tal como aos pássaros e os sapos, a Sani, Ketu e Rahu, eram atribuídas as responsabilidades pelas doenças das crianças.

As previsões das chuvas e das colheitas eram baseadas nas posições dos planetas, e em particular de Saturno. Os hindus utilizavam um diagrama de Saturno para prever as sinas, este diagrama consistia num círculo que incluía vinte e sete divisões lunares, através das quais Saturno passa na sua órbita em volta do Sol.

Para os Hindus, o concelho planetários era composto pelo Sol ( Surya ), a Lua ( Soma ), Marte ( Mangala ou Angaraka ), Mercúrio ( Buddha ), Júpiter ( Brhaspati ), Vénus ( Sukra ), Saturno ( Sani ), um nó ascendente chamado Rahu e um nó descendente chamado Ketu. Os nós ascendente e descendente, são os nós invisíveis da órbita da Lua.

Só mais tarde é que Ketu, o nó descendente, foi incluído no concelho. De facto, Ketu nem sequer está incluído nos desenhos do templo interior de Parashurameshvara, construído no século VII D.C.

Urano e Neptuno , provavelmente, não eram conhecidos pelos Hindus, que não podem ser detectados com facilidade sem a ajuda de telescópios.

Outra questão prende-se com o facto de Sani (Saturno) ser conhecido também por Kruralochana, o dos olhos maléficos, devido ao seu olhar ser extremamente poderoso e poder fulminar tudo só com um breve olhar.

Segundo um determinado conto, Sani é considerado responsável por queimar a cabeça do deus Ganesa quando era uma criança. Ganesa, segundo a mitologia Hindu, era responsável por conceder o sucesso e a sabedoria. A sua aparência é a de um homem com 4 mãos e cabeça de elefante.

Quando este ainda era criança, a sua mãe pediu a Sani para tomar conta do seu filho, esquecendo-se do olhar maléfico de Sani. Assim que Sani olhou Ganesa, a sua cabeça ardeu num instante.

De coração partido, a mãe de Ganesa, substitui a cabeça do seu filho pela de um elefante, que foi a primeira coisa que conseguiu encontrar.

O Pai de Sani era o Deus Sol, Surya.

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Gregos

A mitologia grega refere-se a Saturno como sendo Cronos, o deus do Tempo. Era filho de Urano e de Gaia (a Terra ). Foi o responsável por conduzir os seu irmãos e irmãs (os Titãs) numa revolta contra o seu pai e tornou-se o rei do Deuses. Casou-se com a sua irmã, a titã Reia.

Juntos, tiveram 6 filhos, mas Cronos tinha o péssimo hábito de devorar os seus filhos recém-nascidos, de modo a evitar que algum deles se apropria-se do seu posto de rei do deuses.

Mas, finalmente, quando o último dos seus filhos nasceu, Zeus (Júpiter), Reia enganou-o, fazendo-o engolir uma pedra em vez do seu filho Zeus. Mais tarde, Zeus acabou mesmo por destronar o seu pai, Cronos, com a ajuda das suas irmãs e irmãos. Os romanos, à semelhança de muitas outras coisas, acabaram por adoptar a entidade mitológica de Cronos, como sendo Saturno.

Mas, no entanto, a história de Cronos não é assim tão simples...

A sua mãe, Gaia, não conseguiu mais suportar a dor e o desconforto pelo que se passava com o seus filhos. Esta situação foi criada pelo medo que Urano tinha de que os seus próprios filhos o poderiam destronar, levando-o a tratar muito mal os seu próprios filhos, tendo, numa versão da história, os enviado para o Tártaro, a dura região das entranhas da Terra.

Gaia, ao descobrir que os seus filhos estavam desconfortáveis e em sofrimento, não conseguiu suportar mais a sua dor e elaborou um plano para acabar com todo o seu (e dos seus filhos) sofrimento. Esse plano passava por castrar Urano, de modo que ele não pudesse mais gerar filhos. No entanto, para conseguir tal feito, necessitava da ajuda de um dos seus filhos e, apesar de a todos ter pedido, somente o mais novo, Cronos, acedeu em ajudar a sua mãe. Para a sua demanda, Gaia deu a Cronos uma arma feita de diamante.

Então, Cronos escondeu-se e esperou...Finalmente, quando Urano veio para se deitar com Gaia, Cronos desferiu o seu ataque.Com um só golpe poderoso, Cronos arrancou os genitais a Urano. Do sangue que caiu na Terra (Gaia), nasceram as Erinyes (Fúrias), os Gigantes e também as Meliae (as Ninfas). Noutras versões, no entanto, é dito que da espuma que os genitais de Urano fizeram, depois de atirados ao mar por Cronos, nasceu a deusa Afrodite.

Assim que Cronos castrou o seu pai, Urano, ele e a sua esposa Reia, tomaram o trono. Durante o seu reinado, viveu-se uma época de prosperidade e harmonia , que ficou conhecida pela "Época Dourada".

Mas nem tudo era dourado para Cronos, pois havia sido previsto que um dos seus filhos o destronaria. Assim, para prevenir que tal não acontecesse, ele começou a devorar os seus filhos, logo à nascença.

Reia, não gostou de ver os seus filhos a sofrer tal sina e, com a ajuda de Gaia, tratou de salvar Zeus do seu destino.

Uma rocha foi envolvida nas roupas de Zeus e Cronos, sem olhar, engoliu-a de imediato, convicto de que estaria a engolir mais uma das suas crianças.

O plano de Reia e Gaia era um sucesso e Zeus, foi levado para a ilha de Creta, onde foi criado pela cabra sagrada Amalteia.

Quando Zeus cresceu e se tornou num jovem adulto, regressou ao domínio dos seus pais, e com a ajuda de Gaia, levou a que Cronos vomitasse os seus 5 irmãos engolidos antes dele.

Foi então que Zeus liderou uma revolta compra o seu pai e a dinastia dos titãs, derrotando-os e banindo-os.

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Romanos

Saturno, para os antigos romanos, era o deus das culturas e das colheitas.

Para o honrar, todos os anos, existia um festival dedicado a Saturno, chamado Saturnalia. Começava perto do final de Dezembro e durava uma semana, durante a qual prisioneiros de guerra eram soltos, num acto de boa vontade, os exércitos romanos estavam proibidos de começar quaisquer novas guerras e as escolas e lojas estavam fechadas, de modo a permitir que todos pudessem desfrutar as festividades.

Havia também celebrações especiais. A duração do festival, ao longo dos tempos, foi ajustada várias vezes, até que durante o período em que o imperador Augusto estava no poder, a duração do Saturnalia foi fixada em 3 dias.

Para além das festividades públicas em que, segundo as palavras de Séneca, "toda a Romaficava doida", também aconteciam festividades privadas. As famílias juntavam-se, amigos faziam visitas a outros amigos e trocavam-se prendas. Há até alguns historiadores que atribuem os costumes modernos do Natal, da troca de prendas e dos jantares natalícios a esta pratica dos romanos, no festival dedicado a Saturno.

Mais tarde, Saturno foi também associado ao deus grego Cronus, assumindo assim as características de Cronus como deus do tempo em conjunto com as de deus da agricultura.

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Fontes:
Windows to the Universe – www.windows.ucar.edu
http://www.pantheon.org/articles/h/helios.html
Saturn Educator Guide - http://www.jpl.nasa.gov/cassini/educatorguide
Windows to the Universe - http://www.windows.ucar.edu/
http://student.ccbc.cc.md.us/~dmaas372/mythology.html
http://www.d113.lake.k12.il.us/dhs/Depts/Science/...lanetwebs2001/james/James%20Roberts/mythology.htm
Encyclopedia Mythica - http://pantheon.org/articles/c/cronus.html

 
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