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A Estrela Sol
O Sol... O Sol é o maior corpo do Sistema Solar e também o mais importante. É o Sol que permite que eu esteja aqui a teclar este texto, se bem que sentindo as mãos bastante frias, é o calor do Sol que permite que a vida continue a existir na Terra. Sem ele, as plantas não executariam a fotossíntese, acabando por morrer, logo o ar não era reciclado e a vida simplesmente não seria possível. Mas o Sol está lá, a 8 minutos-luz da Terra, a brilhar e a enviar a sua energia, sob várias formas, para a Terra e para o restante do Sistema Solar.
Mas como funciona o Sol? Como é ele capaz de produzir energia? Isso é o que veremos a seguir, à medida que o texto for avançado e vocês forem lendo.

Para já vamos analisar rapidamente o que é o Sol. O Sol é uma estrela do tipo G2, bastante comum neste Universo, com cerca de 1 390 000 km de diâmetro. Detêm a esmagadora maioria da massa contida no Sistema Solar, cerca de 99.8% (1.989x1030 kg) e é composto por cerca de 75% de Hidrogénio e 25% de Hélio, mais alguns traços de elementos mais pesados, no entanto, como veremos, a sua composição vai-se alterando com o passar dos anos. Tem uma temperatura no núcleo de 15 000 000 K e de cerca de 5 800 K na superfície.

O seu processo de funcionamento, a fusão nuclear, converte a cada segundo, cerca de 700 000 000 de toneladas de Hidrogénio em cerca de 650 000 000 toneladas de Hélio, libertando 3.86 x 10^33 ergs/segundo.

Por esta descrição já se fica com uma ideia do que é o Sol e de como funciona. Mas agora, vamos detalhar e vamos analisar o processo de fusão nuclear que faz o Sol brilhar.

Para se ter uma ideia mais precisa de como o Sol funciona, temos de compreender que ele é como uma espécie de cebola, ou seja, tem várias camadas. E cada camada tem características próprias, assim como actividades próprias. Desta forma avancemos para a camada mais interior, o núcleo.

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O Interior do Sol
O núcleo do Sol é onde se acontecem todos os processos de produção de energia. O núcleo consiste em gás extremamente quente e concentrado, sob a forma de plasma. Apesar de uma densidade de 160 000 kg/m^3, a sua temperatura (quentinha) de 15 000 000 K, faz com que o núcleo não consiga chegar ao estado sólido. É aqui que a energia do Sol se produz, tal como já foi dito. A densidade e a temperatura são de tal ordem que tornam possível que os processos de fusão nuclear aconteçam no núcleo solar. Estas reacção permitem que o Sol liberte energia no espectro electromagnético (luz visivel, raios gamma, raios X, ultravioleta, infravermelhos, etc.) e também neutrinos.

O núcleo estende-se do centro do Sol até cerca de 25% do seu raio. Aqui a gravidade puxa toda a massa para dentro e cria uma pressão muito intensa, pressão essa que provoca as condições referidas que permitem a fusão nuclear. Assim, o processo consiste na transformação de 2 átomos de Hidrogénio num de Hélio-4 e energia, sendo para isso necessários alguns passos.

Dois protões combinam-se para formar um átomo de Deutério (Hidrogénio pesado, ou seja um átomo de Hidrogénio com mais um electrão), um positrão (ou anti-electrão) e um neutrino.

Depois um átomo de Deutério combina-se com um protão e formam um átomo de Hélio-3 (formado por dois protões e um neutrão) e radiação gamma. Então, dois átomos de Hélio-3 combinam-se para formarem um átomo de Hélio-4 (2 protões e 2 neutrões) e dois protões. Estas reacções perfazem 85% da energia solar. Os restantes 15 %, provém de outras reacções que passo a indicar. Assim temos que, um átomo de Hélio-3 e um átomo de Hélio-4 se combinam para formar um átomo de berilio-7 (3 protões e 4 neutrões) e radiação gamma. Depois, um átomo de berilio-7 captura um electrão produzindo um litio-7 (3 protões e 4 neutrões, mais um electrão) e um neutrino. Então o litio-7 combina-se com um protão e formam dois átomos de Hélio-4. Este Hélio-4 são menos maciços que dois átomos de hidrogénio juntos que iniciaram o processo, porque a diferença de massa existente foi convertida em energia, como a teoria da relatividade, com a sua equação E=mc^2.

A energia é emitida sob várias formas, tal como já foi referido, de luz. Mas também são emitidas várias partículas carregadas de energia (neutrinos e protões, por exemplo) que fazem o vento solar. Toda esta energia atinge a Terra e providencia a energia essencial à vida tal como a conhecemos. Não somos prejudicados pela maioria da radiação solar ou pelo vento solar, porque a atmosfera da Terra nos protege.

Todo este processo de aniquilação de matéria (Hidrogénio) para produzir outro tipo de matéria (Hélio) faz com que o combustível do Sol vá sendo gasto. No entanto, ele tem que chega para mais cerca de 4.5 mil milhões de anos, altura em que “morrerá”. Mas isso veremos mais à frente, contudo podem sempre ter uma ideia geral da evolução estelar neste texto sobre o tema, neste site.

Depois toda esta energia libertada no núcleo, inicia uma viagem pelas restantes camadas do Sol, até conseguir partir para o espaço em direcção à Terra e todo o Sistema Solar. Nessa viagem, a próxima etapa é a chamada zona radiactiva. É sobre ela que passamos agora a falar.

A zona radiactiva estende-se por 55% do raio solar, a partir do núcleo. Nesta zona, a energia que vem do núcleo é carregada para fora pelos fotões. Quando um fotão é criado, ele viaja apenas 1 mícron (1 milésimo de milímetro) antes de ser absorvido por uma molécula de gás. Depois da absorção, a molécula de gás é aquecida e reemite outro fotão do mesmo comprimento de onda (tipo de radiação). Este recém emitido fotão viaja mais 1 mícron até ser absorvido por outra molécula de gás e este ciclo repete-se. Cada interacção molécula/fotão demora o seu tempo. Acontecem cerca de 1025 absorções e re-emissões nesta zona, antes que um protão chegue à superfície, pelo que existe um significativo atraso entre a produção de um fotão no núcleo e o que chega à superfície. Este processo também é responsável pela transformação da energia original. Com esta série de absorções e re-emissões, a energia original, na forma de radiação gamma a mais energética de todas, vai perdendo força, à medida que o seu comprimento de onda vai aumentando. Quando finalmente a energia está prestes a atingir a superfície do Sol, já a maioria dos raios gamma foram transformados em radiação X (primeiro) e depois por radiação ultravioleta. Mas ainda assim, quando chega à superfície a energia está maioritariamente sob a forma de luz visível e infravermelhos.

Logo a seguir à energia ter ultrapassado a zona radiactiva, avança mais uma etapa em direcção à superfície. Desta vez, terá de atravessar a zona de convecção.

A zona de convecção, que são só últimos 30% do raio solar, é dominada por correntes de convecção que carregam a energia acabada de chegar da zona radiactiva para a superfície. Estas correntes de convecção, são correntes de gás quente a subir seguidos de movimentos descendentes de gás frio a descer. Estas correntes são semelhantes às que se podem ver quando pomos uma chaleira com água a ferver, a água que está no fundo aquece mais depressa e sobe, arrefecendo ao chegar ao cimo, logo começando a descer novamente para recomeçar o ciclo. As correntes convectivas do sol são iguais.

Estas correntes carregam os fotões para cima mais depressa que a transferência radiactiva que acontece mais abaixo no núcleo e na zona radiactiva. Mas, no entanto, com todas as interacções na zona radiactiva e com as correntes convectivas, um fotão demora imenso tempo a chegar à superficie.

É por causa deste percurso atribulado que a energia demora entre 100 000 a 200 000 anos a chegar do núcleo até à superfície solar. Uma vez lá chegada a energia não tem dificuldade nenhuma em lançar-se para o espaço, à velocidade da luz, pelo que chega até nós, na Terra em apenas 8 minutos. Esta convecção é também responsável pela granulação que se pode ver na superfície do Sol. O que nos leva à próxima etapa do Sol. A atmosfera solar. Esta, por sua vez, é divida em várias camadas também, as quais iremos abordar também. Comecemos pela fotoesfera.

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A Fotoesfera

A maioria da energia que recebemos, vinda do Sol, é sob a forma de luz visível é emitida da fotoesfera (daí o nome: FOTOesfera). A fotoesfera é uma das regiões mais "frias" do Sol, cerca de 6000 K, mas só uma pequena fracção, cerca de 0.1%, do gás é ionizado (ou seja, no estado de plasma). A fotoesfera é a parte mais densa de toda a atmosfera solar, mas mesmo assim é ténue comparada com a atmosfera terrestre (0.01% da densidade de massa do ar ao nível do mar).

A fotoesfera parece enfadonha, à primeira vista, pois é um disco com umas manchas escuras. Contudo, estas manchas são os locais de imensos campos magnéticos. O campo magnético solar, pensa-se ser o responsável pela complexidade da actividade vista no Sol.

Devido ao imenso calor vindo do núcleo solar, o interior do Sol, logo abaixo da fotoesfera (a zona de convecção) borbulha como água a ferver. As bolhas de material quente, a subir para da zona de convecção, são vistas na fotoesfera, como regiões ligeiramente mais brilhantes. As regiões mais escuras aparecem por causa do plasma mais frio que está a cair para o interior do Sol. Este padrão constante de convecção é chamado de granulação solar.

A fotoesfera é a região mais baixa da atmosfera do Sol e é a região que vemos da Terra. Tem entre 300 a 400 km de espessura e uma temperatura média que ronda os 5800 a 6000 K. Apresenta-se granulada ou com bolhas, mais ou menos como a superfície da água a ferver dentro de uma chaleira. Os altos são as superfícies superiores das células de convecção criadas pelas correntes de convecção na camada abaixo da fotoesfera, sendo que cada granulação pode atingir 1000 km de largura.

À medida que avançamos através da fotoesfera, a temperatura baixa e os gases, por que estão mais frios, não emitindo tanta energia (luz), por isso a beira externa da fotoesfera parece escura, um efeito chamado "escurecimento do limbo" que é responsável pelo aspecto da beira da superfície solar. Existe um número de fenómenos que podem ser vistos nesta região da atmosfera solar e os exemplos mais conhecidos disso são mesmo as manchas solares. As manchas solares são manchas escuras, mais frias que a sua envolvente. Estas manchas são facilmente visíveis com um pequeno telescópio e muitas vezes até mesmo a olho nu (ATENÇÃO!! Nunca, mas mesmo NUNCA olhar para o Sol directamente ou com binóculo ou telescópio sem a devida protecção. Para tal existem filtros especiais que bloqueiam a maior parte da luz solar para tornar a sua observação segura. CUIDADO pois observar o Sol sem as devidas precauções podem levar a CEGUEIRA. Óculos de sol e outros filtros sem qualidade são inapropriados, pois bloqueiam a luz visível mas não o ultravioleta e o infravermelho, podendo provocar queimaduras na retina.) e delas que vamos falar a seguir.

As manchas solares são uma característica do Sol que já são conhecidas desde tempos bastante remotos. Quando observadas através de telescópios, elas apresentam-nos uma zona central escura, chamada umbra, rodeada por uma zona mais clara, chamada penumbra.

As manchas são escuras, devido a serem realmente mais frias que o fotoesfera no geral. São locais de campos magnéticos poderosíssimos e também poderão ser os culpados por as manchas serem mais frias. Não se sabe muito bem porque razão as manchas solares são mais frias que o resto, mas no entanto acredita-se que devido aos campos magnéticos associados às manchas, principalmente pela sua potência, a convecção directamente por baixo das manchas não se realize.

Tipicamente, as manchas solares crescem em poucos dias e duram de alguns dias a poucos meses. As observações das manchas solares permitiram inferir que o Sol roda num período de 27 dias (visto da Terra), sendo que estas foi das primeiras revelações que as manchas proporcionaram.

O seu número não é constante, e varia bastante ao longo do ciclo solar, um período de 11 anos em que a actividade solar atinge um pico e volta a descer, provocando que a cada 11 anos, aproximadamente, o Sol atinja picos de actividade, logo produzindo mais manchas.

Devido ao Sol não ser sólido, não roda como os planetas terrestres, roda sim como os gigantes gasosos. Uma mancha próxima do equador demora cerca de 25 dias a completar uma rotação. Uma mancha próxima do polo, se alguma vez fosse aí encontrada, levaria mais de um mês para fazer o percurso.

Normalmente as manchas aparecem em grupos, com dois conjuntos de manchas. Um conjunto terá campo magnético positivo ou Norte, enquanto o outro será negativo ou Sul. O campo será mais forte nas zonas escuras (umbra) e mais fraco nas zonas mais claras (penumbra).

Para além das manchas, ainda temos outros fenómenos, as fáculas, os grânulos e os super-grânulos.

As fáculas são zonas brilhantes que, normalmente, são mais facilmente visíveis perto do limbo, ou beira do disco solar. São também áreas magnéticas, só que neste caso, o campo magnético está concentrado em pedaços bem mais pequenos do que no caso das manchas solares. Enquanto as manchas solares tendem a fazer o Sol parecer mais escuro, as fáculas fazem-no parecer mais brilhante. Durante um ciclo das manchas solares, as fáculas na realidade até ganham às manchas solares fazendo o sol apresentar-se ligeiramente (cerca de 0.1%) mais brilhante no máximo do ciclo do que no mínimo.
Agora os grânulos. Os grânulos são características celulares pequenas, com cerca de 1000 km de largura, que cobrem o Sol todo excepto nas áreas em que o Sol esteja coberto por manchas solares.
Estas características são o topo das células de convecção onde os fluidos quentes sobem do interior mas áreas brilhantes, espalhando-se na superfície, arrefecendo e afundando-se ao longo das linhas escuras. Os grânulos individuais somente conseguem durar uns 20 minutos. O padrão do granulado está constantemente em evolução, à medida que os grânulos são arrumados para o lado pelos grânulos novos que vão emergindo. Os grânulos estão num fluxo onde atingem velocidade supersónicas de mais de 7km/s em que produzem os chamados "sonic booms" e outros ruídos que provocam ondas na superfície do Sol.

Avançando para os super-grânulos. Os super-grânulos são versões bem maiores dos grânulos (tinha de ser, pelo nome...) com cerca de 35 000 km de largura, mas são mais facilmente detectados nas medidas do desvio de Doppler, onde a luz dos objectos movendo-se na nossa direcção aparece desviada para os comprimentos de onda do azul, enquanto que no caso de se estarem a afastar de nós a sua luz nos aparecerá desviada para os comprimentos de onda do vermelho.

Estas características também cobrem a superfície do Sol e estão continuamente a evoluir. Os super grânulos individuais duram à volta de 1 dia ou dois e fluem com velocidades da ordem dos 055 km/s. Os fluxos de fluidos nos super grânulos, carregam campos magnéticos até às beiras das células onde dão origem à rede cromosférica. E em relação à fotoesfera, ficamos por aqui.

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A Cromoesfera

Continuando a subir nas camadas, eis-nos saídos da fotoesfera e preparados para entrar na cromoesfera.
Acima da fotoesfera fica a cromoesfera, uma região com cerca de 2500 km de espessura.

Imediatamente antes e imediatamente depois do pico de um eclipse total do Sol, a cromoesfera aparece-nos como um estreito anel avermelhado. A evidente cor da cromoesfera, comparada com a quase brancura da coroa, valeu-lhe o nome (que significa esfera de cor).

A cromoesfera é mais facilmente visível, quando o Sol é observado através de filtros H-Alfa (Hidrogénio Alfa), onde regiões brilhantes conhecidas como plages (francês para praia) e características escuras chamadas filamentos são visíveis. Filamento é o nome dado às proeminências quando são vistas no disco solar.

espículas são visíveis junto ao limbo do Sol. São jactos de plasma a ejectarem-se das fronteiras dos super grânulos. Embora pequenos, na escala solar, estes jactos têm o tamanho da Terra!

A temperatura vai aumentando através da cromoesfera de uns 4 500 K para cerca de 10 000 K. Pensa-se que este aquecimento se deva a convecção, ainda na camada junto à fotoesfera. À medida que os gases se agitam violentamente na fotoesfera, eles produzem ondas de choque que aquecem gás circundante e o mandam, penetrando através da cromoesfera, na forma de espículas. Cada uma delas apenas dura uns minutos e eleva-se cerca de 5000 km acima da fotoesfera.

A cromoesfera possui várias características, das quais já falamos um pouco. Vamos agora ver um pouco mais sobre cada uma delas. Começando pela rede cromosférica.

A rede cromosférica é um padrão em forma de teia, que se vê mais facilmente nas emissões nas linhas vermelhas do hidrogénio (H-Alfa) e na linha do cálcio no ultravioleta. A rede demarca as células de super grânulos e é devido à presença linhas de campos magnéticos concentrados lá que os fluidos se mexem nos super grânulos.
Agora é a vez dos filamentos e das “plages”.
Os filamentos são características escuras e lineares, quer se podem ver nas linhas vermelhas do hidrogénio. São nuvens de material densas e um pouco mais frescas, que ficam suspensos sobre a superfície solar, por arcos de campo magnético. Plages, francês para praias, são pedaços brilhantes em volta das manchas solares, que se podem ver melhor também nas linhas do hidrogénio alfa. Estão também associadas com concentrações de campos magnéticos e formam parte das emissões brilhantes que caracterizam a cromoesfera.
Já as proeminências são nuvens densas de material, que ficam suspensas pelos arcos dos campos magnéticos, acima da superfície solar. Na verdade são a mesma coisa que os filamentos, só que as proeminências ejectam-se para fora do limbo solar. Ambas as proeminências como os filamentos podem manter-se calmos durante dias ou semanas, mas contudo, à medida que os campos magnéticos que os suportam vão mudando, os filamentos e as proeminências podem entrar em erupção e erguerem-se acima do Sol numa questão de minutos ou horas!
As espículas, por sua vez, são pequenas erupções, tipo jactos, que acontecem pela rede cromosférica toda. Aparecem como riscas curtas e escuras nas imagens H-Alfa. Duram pouco mais do que uns minutos, mas no processo ejectam material para fora da superfície solar em direcção à quente coroa, a velocidades de 20 a 30 km/s!

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A Coroa Solar

Agora vamos falar da coroa. A Coroa é a camada mais exterior da atmosfera solar e é extremamente quente. Estendendo-se por alguns milhões de quilómetros a partir da cromoesfera. Consegue-se ver durante um eclipse total do Sol ou nos comprimentos de onda do raio X.

Elevando-se acima da cromoesfera, a temperatura salta de umas dezenas de milhar de Kelvins para uma temperatura da ordem dos poucos milhões Kelvin, na atmosfera mais exterior do Sol, ou seja, a coroa.

Perceber qual a razão pela qual a coroa do Sol é tão quente, hoje em dia, é um dos maiores desafios dos cientistas solaristas. Devido às altas temperaturas atingidas aqui, a coroa emite radiação de alta energia que pode ser observada em raios X. A atmosfera da Terra absorve a radiação X, mas os satélites colocados acima da atmosfera, como a nave Yohko, podem observar estes comprimentos de onda, da luz que vem do Sol.

A imagem à direita, é uma composição de uma foto em raio X e outra de um eclipse, em luz visível. Perto dos pólos, a coroa é escura tanto no raio X como na luz visível. Estas regiões são buracos na coroa e são a fonte do vento solar que se estende pelo espaço interplanetário. A luz visível espalhada, demonstra a densidade do plasma na coroa. As largas regiões brancas, que se estendem para longe do Sol, são locais onde o plasma ficou aprisionado pelo campo magnético solar.

Existem diversos fenómenos associados à coroa solar e vamos falar de alguns, nomeadamente as CMEs (Coronal Mass Ejections) e também os Helmet Streamers. Vão desculpar-me os mais puristas da Língua Portuguesa, mas o facto é que não consegui arranjar tradução decente, cientificamente falando, para estas duas designações. Vou começar por falar nos Helmet Streamers, aos quais chamarei simplesmente HSs.

O gás presente na coroa solar está a altíssimas temperaturas, na maioria das regiões ronda temperaturas entre 1 e 2 milhões de graus Kelvin, pelo que está praticamente todo num estado plasmático (composto por partículas carregadas, maioritariamente protões e electrões). Poderosos campos magnéticos atravessam a coroa. Onde estas linhas de força magnética estão fechadas, o campo magnético é suficientemente forte para aprisionar o plasma solar e impedir que este escape.

O plasma acumula-se nestas regiões e forma belíssimas estruturas, que são os HSs, e que podem ser vistos durante os eclipses solares. As proeminências, muitas vezes, estão situadas por baixo dos HSs, e aparecem regiões activas por baixo dos HSs junto ao equador (por vezes também referidos como streamers de regiões activas). Em algumas regiões, o campo magnético coronal não consegue conter o plasma e este expande-se para a frente, atingindo velocidades supersónicas.

As regiões onde existem estas linhas de campo magnético abertas (que se expandem para bem longe no Sistema Solar) correspondem aos buracos coronais e são a fonte do vento solar, que acelera na direcção oposta do Sol e preenche o espaço interplanetário.

Os electrões no plasma coronal, tipicamente, são mais frios e menos densos que os que se encontram nos streamers, e assim aparecem como manchas escuras tanto nas imagens de raio X como na luz visível.

Os solaristas, bem como outros cientistas, utilizam modelos matemáticos para tentarem compreender o Sol. Frequentemente as equações que representam o plasma solar são tão complicadas, que se tem de recorrer a computadores para as resolver! As linhas de campo magnético na imagem à direita, provêm de uma simulação de computador, que resolveu as equações da magneto-hidrodinâmica (que palavrão!), que forneceram uma boa representação de diversos tipos de comportamento do plasma.

Agora vamos falar das CMEs. De certo já terão visto, na televisão ou na net imagens de CMEs. Agora vamos ver o que são estes fenómenos solares.

As CMEs são explosões na coroa do Sol que atiram partículas solares. Tipicamente, as CMEs rompem os HSs na coroa solar. Podem ser ejectados até cerca de 10^13 (10 000 000 000 000) kg de material para o vento solar. AS CMEs propagam-se com o vento solar e no vento solar, onde poderão encontrar-se com a Terra e provocar influências na actividade geomagnética.

As CMEs, acreditam-se ser provocadas pela libertação de energia no campo magnético do Sol, como esta libertação energética acontece e a relação entre os diferentes tipos de actividade solar, é outro dos muitos enigmas dos solaristas de hoje em dia.

Estes fenómenos podem causar danos no ambiente terrestre, pois a radiação intensa do Sol que chega em apensa 8 minutos à Terra, pode alterar a atmosfera da Terra, rompendo as comunicações rádio de longa distância e alterando as órbitas dos satélites. Partículas altamente energéticas, empurradas ao longa da onda de choque da CME podem colocar em perigo eventuais astronautas e "fritar" a electrónica dos satélites. Estas partículas cegam à Terra (ou Lua) mais ou menos uma hora mais tarde. O material da CME propriamente dito, chega à Terra um ou até 4 dias depois da erupção inicial, resultando em tempestades magnéticas muito fortes, auroras e, por vezes, "blackouts" energéticos.

Todas estas interacções Sol-Terra são monitorizadas e previstas por todos aqueles que se dedicam à meteorologia espacial. À medida que o ciclo solar se aproxima do pico máximo, a cada 11 anos, as CMEs tornam-se gradualmente mais frequentes. Antes de 1970, as CMEs, difíceis de detectar, não eram conhecidas. É por isso que missões como a SOHO e o satélite ACE nos são muito úteis. O ACE, por exemplo, pode dar-nos um aviso de qualquer tempestade magnética na Terra, com uma hora de antecedência.

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Outras imagens e informação relevante.

As plumas polares, são longas e finas correntes que se projectam dos pólos so Sol. Várias vezes encontramos regiões brilhantes no que sobra destas caracteristicas, que são associadas a pequenas regiões magnéticas na superficie solar. Estas estructuras têm a ver com as linhas magnéticas "abertas" nos polos do Sol. As plumas são formadas pela acção do vento solar da mesma forma que os picos dos HSs se formam.

Os loops coronais encontram-se em volta das manchas solares e nas regiões activas. Estas estruturas estão associadas com as linhas magnéticas "fechadas" que ligam as regiões magnéticas na superficie do Sol. Alguns destes fenomenos duram dias ou semanas mas a maioria mudam rapidamente. Alguns loops, contudo, estão associados aos flares e são visiveis por períodos muito mais curtos. Estes loops contêm material mais denso que o das redondezas.

Os buracos coronais são regiões em que a coro é escura. Estas caracteristicas, foram descobertas quando os telescópios de raios-X voaram pela primeria vez acima da atmosfera da Terra. E revelaram a estrutura da coroa ao longo do disco solar. Estes buracos estão associados com as linhas magnéticas "abertas" e muitas vezes encontram-se perto dos polos solares. Os ventos solares de grande velocidade têm origem nos buracos coronais.

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"Fast Facts"
Raio Solar = 695,990 km = 432,470 mi = 109 raios terrestres

Massa Solar = 1.989 1030 kg = 4.376 1030 lb = 333,000 massas terrestres

Luminosidade Solar (output energético do Sol) = 3.846 1033 erg/s

Temperatura da superficie = 5770 ºK = 10,400 ºF

Densidade da superficie = 2.07 10-7 g/cm3 = 1.6 10-4 densidade do ar

Composição da superficie = 70% H, 28% He, 2% (C, N, O, ...) por massa

Temperatura central = 15,600,000 ºK = 28,000,000 ºF

Densidade central = 150 g/cm3 = 8 × a densidade do ouro

Composição central = 35% H, 63% He, 2% (C, N, O, ...) por massa

Idade do Sol = 4.57 109 anos

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Fontes:
http://www.howstuffworks.com/sun.htm
http://www.if.ufrgs.br/~kepler/fis207/esol/esol.htm
http://www.windows.ucar.edu/tour/link=/sun/sun.html&edu=high
http://www.solarviews.com/portug/sun.htm
http://www.noveplanetas.hpg.ig.com.br/sol.html
http://members.fortunecity.com/planetarium/sol.htm
http://www.msfc.nasa.gov/

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