 |
O Sol... O Sol é o maior corpo do Sistema Solar
e também o mais importante. É o Sol que
permite que eu esteja aqui a teclar este texto, se bem
que sentindo as mãos bastante frias, é o
calor do Sol que permite que a vida continue a existir
na Terra. Sem ele, as plantas não executariam a
fotossíntese, acabando por morrer, logo o ar não
era reciclado e a vida simplesmente não seria possível.
Mas o Sol está lá, a 8 minutos-luz da Terra,
a brilhar e a enviar a sua energia, sob várias
formas, para a Terra e para o restante do Sistema Solar. |
Mas como funciona o
Sol? Como é ele capaz de produzir energia? Isso
é o que veremos a seguir, à medida que
o texto for avançado e vocês forem lendo.
Para já vamos analisar rapidamente
o que é o Sol. O Sol é uma estrela do
tipo G2,
bastante comum neste Universo, com cerca de 1 390 000
km de diâmetro. Detêm a esmagadora maioria
da massa contida no Sistema Solar, cerca de 99.8% (1.989x1030
kg) e é composto por cerca de 75% de Hidrogénio
e 25% de Hélio, mais alguns traços de
elementos mais pesados, no entanto, como veremos, a
sua composição vai-se alterando com o
passar dos anos. Tem uma temperatura no núcleo
de 15 000 000 K e de cerca de 5 800 K na superfície.
|
O seu processo de funcionamento,
a fusão nuclear, converte a cada segundo, cerca
de 700 000 000 de toneladas de Hidrogénio em
cerca de 650 000 000 toneladas de Hélio, libertando
3.86 x 10^33 ergs/segundo.
Por esta descrição já
se fica com uma ideia do que é o Sol e de como
funciona. Mas agora, vamos detalhar e vamos analisar
o processo de fusão nuclear que faz o Sol brilhar.
Para se ter uma ideia mais precisa
de como o Sol funciona, temos de compreender que ele
é como uma espécie de cebola, ou seja,
tem várias camadas. E cada camada tem características
próprias, assim como actividades próprias.
Desta forma avancemos para a camada mais interior, o
núcleo. |
 |
^ Topo
|
O núcleo do Sol é
onde se acontecem todos os processos de produção
de energia. O núcleo consiste em gás extremamente
quente e concentrado, sob a forma de plasma.
Apesar de uma densidade de 160 000 kg/m^3, a sua temperatura
(quentinha) de 15 000 000 K, faz com que o núcleo
não consiga chegar ao estado sólido. É
aqui que a energia do Sol se produz, tal como já
foi dito. A densidade e a temperatura são de
tal ordem que tornam possível que os processos
de fusão nuclear aconteçam no núcleo
solar. Estas reacção permitem que o Sol
liberte energia no
espectro electromagnético (luz visivel, raios
gamma, raios X, ultravioleta, infravermelhos, etc.)
e também neutrinos. |
O núcleo estende-se
do centro do Sol até cerca de 25% do seu raio.
Aqui a gravidade puxa toda a massa para dentro e cria
uma pressão muito intensa, pressão essa
que provoca as condições referidas que
permitem a fusão nuclear. Assim, o processo consiste
na transformação de 2 átomos de
Hidrogénio num de Hélio-4 e energia, sendo
para isso necessários alguns passos.
Dois protões combinam-se para
formar um átomo de Deutério (Hidrogénio
pesado, ou seja um átomo de Hidrogénio
com mais um electrão), um positrão (ou
anti-electrão) e um neutrino.
Depois um átomo de Deutério
combina-se com um protão e formam um átomo
de Hélio-3 (formado por dois protões e
um neutrão) e radiação gamma. Então,
dois átomos de Hélio-3 combinam-se para
formarem um átomo de Hélio-4 (2 protões
e 2 neutrões) e dois protões. Estas reacções
perfazem 85% da energia solar. Os restantes 15 %, provém
de outras reacções que passo a indicar.
Assim temos que, um átomo de Hélio-3 e
um átomo de Hélio-4 se combinam para formar
um átomo de berilio-7 (3 protões e 4 neutrões)
e radiação gamma. Depois, um átomo
de berilio-7 captura um electrão produzindo um
litio-7 (3 protões e 4 neutrões, mais
um electrão) e um neutrino. Então o litio-7
combina-se com um protão e formam dois átomos
de Hélio-4. Este Hélio-4 são menos
maciços que dois átomos de hidrogénio
juntos que iniciaram o processo, porque a diferença
de massa existente foi convertida em energia, como a
teoria da relatividade, com a sua equação
E=mc^2. |
A energia é emitida sob várias
formas, tal como já foi referido, de luz. Mas
também são emitidas várias partículas
carregadas de energia (neutrinos e protões, por
exemplo) que fazem o vento solar. Toda esta energia
atinge a Terra e providencia a energia essencial à
vida tal como a conhecemos. Não somos prejudicados
pela maioria da radiação solar ou pelo
vento solar, porque a atmosfera da Terra nos protege.
Todo este processo de aniquilação
de matéria (Hidrogénio) para produzir
outro tipo de matéria (Hélio) faz com
que o combustível do Sol vá sendo gasto.
No entanto, ele tem que chega para mais cerca de 4.5
mil milhões de anos, altura em que “morrerá”.
Mas isso veremos mais à frente, contudo podem
sempre ter uma ideia geral da evolução
estelar neste
texto sobre o tema, neste site.
Depois toda esta energia libertada
no núcleo, inicia uma viagem pelas restantes
camadas do Sol, até conseguir partir para o espaço
em direcção à Terra e todo o Sistema
Solar. Nessa viagem, a próxima etapa é
a chamada zona radiactiva. É sobre ela que passamos
agora a falar.
A zona radiactiva estende-se por 55%
do raio solar, a partir do núcleo. Nesta zona,
a energia que vem do núcleo é carregada
para fora pelos fotões. Quando um fotão
é criado, ele viaja apenas 1 mícron (1
milésimo de milímetro) antes de ser absorvido
por uma molécula de gás. Depois da absorção,
a molécula de gás é aquecida e
reemite outro fotão do mesmo comprimento de onda
(tipo de radiação). Este recém
emitido fotão viaja mais 1 mícron até
ser absorvido por outra molécula de gás
e este ciclo repete-se. Cada interacção
molécula/fotão demora o seu tempo. Acontecem
cerca de 1025 absorções e re-emissões
nesta zona, antes que um protão chegue à
superfície, pelo que existe um significativo
atraso entre a produção de um fotão
no núcleo e o que chega à superfície.
Este processo também é responsável
pela transformação da energia original.
Com esta série de absorções e re-emissões,
a energia original, na forma de radiação
gamma a mais energética de todas, vai perdendo
força, à medida que o seu comprimento
de onda vai aumentando. Quando finalmente a energia
está prestes a atingir a superfície do
Sol, já a maioria dos raios gamma foram transformados
em radiação X (primeiro) e depois por
radiação ultravioleta. Mas ainda assim,
quando chega à superfície a energia está
maioritariamente sob a forma de luz visível e
infravermelhos.
|
Logo a seguir à energia ter
ultrapassado a zona radiactiva, avança mais uma
etapa em direcção à superfície.
Desta vez, terá de atravessar a zona de convecção.
A zona de convecção,
que são só últimos 30% do raio
solar, é dominada por correntes de convecção
que carregam a energia acabada de chegar da zona radiactiva
para a superfície. Estas correntes de convecção,
são correntes de gás quente a subir seguidos
de movimentos descendentes de gás frio a descer.
Estas correntes são semelhantes às que
se podem ver quando pomos uma chaleira com água
a ferver, a água que está no fundo aquece
mais depressa e sobe, arrefecendo ao chegar ao cimo,
logo começando a descer novamente para recomeçar
o ciclo. As correntes convectivas do sol são
iguais.
|
 |
Estas correntes carregam
os fotões para cima mais depressa que a transferência
radiactiva que acontece mais abaixo no núcleo
e na zona radiactiva. Mas, no entanto, com todas as
interacções na zona radiactiva e com as
correntes convectivas, um fotão demora imenso
tempo a chegar à superficie.
É por causa deste percurso
atribulado que a energia demora entre 100 000 a 200
000 anos a chegar do núcleo até à
superfície solar. Uma vez lá chegada a
energia não tem dificuldade nenhuma em lançar-se
para o espaço, à velocidade da luz, pelo
que chega até nós, na Terra em apenas
8 minutos. Esta convecção é também
responsável pela granulação que
se pode ver na superfície do Sol. O que nos leva
à próxima etapa do Sol. A atmosfera solar.
Esta, por sua vez, é divida em várias
camadas também, as quais iremos abordar também.
Comecemos pela fotoesfera.
|
^ Topo
 |
A maioria da energia que recebemos,
vinda do Sol, é sob a forma de luz visível
é emitida da fotoesfera (daí o nome: FOTOesfera).
A fotoesfera é uma das regiões mais "frias"
do Sol, cerca de 6000 K, mas só uma pequena fracção,
cerca de 0.1%, do gás é ionizado (ou seja,
no estado de plasma). A fotoesfera é a parte
mais densa de toda a atmosfera solar, mas mesmo assim
é ténue comparada com a atmosfera terrestre
(0.01% da densidade de massa do ar ao nível do
mar).
A fotoesfera parece enfadonha, à
primeira vista, pois é um disco com umas manchas
escuras. Contudo, estas manchas são os locais
de imensos campos magnéticos. O campo magnético
solar, pensa-se ser o responsável pela complexidade
da actividade vista no Sol.
|
Devido ao imenso calor vindo do núcleo
solar, o interior do Sol, logo abaixo da fotoesfera
(a zona de convecção) borbulha como água
a ferver. As bolhas de material quente, a subir para
da zona de convecção, são vistas
na fotoesfera, como regiões ligeiramente mais
brilhantes. As regiões mais escuras aparecem
por causa do plasma mais frio que está a cair
para o interior do Sol. Este padrão constante
de convecção é chamado de granulação
solar.
A fotoesfera é a região
mais baixa da atmosfera do Sol e é a região
que vemos da Terra. Tem entre 300 a 400 km de espessura
e uma temperatura média que ronda os 5800 a 6000
K. Apresenta-se granulada ou com bolhas, mais ou menos
como a superfície da água a ferver dentro
de uma chaleira. Os altos são as superfícies
superiores das células de convecção
criadas pelas correntes de convecção na
camada abaixo da fotoesfera, sendo que cada granulação
pode atingir 1000 km de largura.
À medida que avançamos
através da fotoesfera, a temperatura baixa e
os gases, por que estão mais frios, não
emitindo tanta energia (luz), por isso a beira externa
da fotoesfera parece escura, um efeito chamado "escurecimento
do limbo" que é responsável pelo
aspecto da beira da superfície solar. Existe
um número de fenómenos que podem ser vistos
nesta região da atmosfera solar e os exemplos
mais conhecidos disso são mesmo as manchas solares.
As manchas solares são manchas escuras, mais
frias que a sua envolvente. Estas manchas são
facilmente visíveis com um pequeno telescópio
e muitas vezes até mesmo a olho nu (ATENÇÃO!!
Nunca, mas mesmo NUNCA olhar para o Sol directamente
ou com binóculo ou telescópio sem a devida
protecção. Para tal existem filtros especiais
que bloqueiam a maior parte da luz solar para tornar
a sua observação segura. CUIDADO pois
observar o Sol sem as devidas precauções
podem levar a CEGUEIRA. Óculos de sol e outros
filtros sem qualidade são inapropriados, pois
bloqueiam a luz visível mas não o ultravioleta
e o infravermelho, podendo provocar queimaduras na retina.)
e delas que vamos falar a seguir.
|
As manchas solares são uma
característica do Sol que já são
conhecidas desde tempos bastante remotos. Quando observadas
através de telescópios, elas apresentam-nos
uma zona central escura, chamada umbra, rodeada por
uma zona mais clara, chamada penumbra.
As manchas são escuras, devido
a serem realmente mais frias que o fotoesfera no geral.
São locais de campos magnéticos poderosíssimos
e também poderão ser os culpados por as
manchas serem mais frias. Não se sabe muito bem
porque razão as manchas solares são mais
frias que o resto, mas no entanto acredita-se que devido
aos campos magnéticos associados às manchas,
principalmente pela sua potência, a convecção
directamente por baixo das manchas não se realize.
|
 |
 |
Tipicamente, as manchas solares crescem
em poucos dias e duram de alguns dias a poucos meses.
As observações das manchas solares permitiram
inferir que o Sol roda num período de 27 dias
(visto da Terra), sendo que estas foi das primeiras
revelações que as manchas proporcionaram.
O seu número não é
constante, e varia bastante ao longo do ciclo solar,
um período de 11 anos em que a actividade solar
atinge um pico e volta a descer, provocando que a cada
11 anos, aproximadamente, o Sol atinja picos de actividade,
logo produzindo mais manchas.
Devido ao Sol não ser sólido,
não roda como os planetas terrestres, roda sim
como os gigantes gasosos. Uma mancha próxima
do equador demora cerca de 25 dias a completar uma rotação.
Uma mancha próxima do polo, se alguma vez fosse
aí encontrada, levaria mais de um mês para
fazer o percurso.
|
Normalmente as manchas aparecem em
grupos, com dois conjuntos de manchas. Um conjunto terá
campo magnético positivo ou Norte, enquanto o
outro será negativo ou Sul. O campo será
mais forte nas zonas escuras (umbra) e mais fraco nas
zonas mais claras (penumbra).
Para além das manchas, ainda
temos outros fenómenos, as fáculas, os
grânulos e os super-grânulos.
|
As fáculas são zonas
brilhantes que, normalmente, são mais facilmente
visíveis perto do limbo, ou beira do disco solar.
São também áreas magnéticas,
só que neste caso, o campo magnético está
concentrado em pedaços bem mais pequenos do que
no caso das manchas solares. Enquanto as manchas solares
tendem a fazer o Sol parecer mais escuro, as fáculas
fazem-no parecer mais brilhante. Durante um ciclo das
manchas solares, as fáculas na realidade até
ganham às manchas solares fazendo o sol apresentar-se
ligeiramente (cerca de 0.1%) mais brilhante no máximo
do ciclo do que no mínimo. |
 |
| Agora os grânulos. Os grânulos
são características celulares pequenas,
com cerca de 1000 km de largura, que cobrem o Sol todo
excepto nas áreas em que o Sol esteja coberto por
manchas solares. |
 |
Estas características são
o topo das células de convecção
onde os fluidos quentes sobem do interior mas áreas
brilhantes, espalhando-se na superfície, arrefecendo
e afundando-se ao longo das linhas escuras. Os grânulos
individuais somente conseguem durar uns 20 minutos.
O padrão do granulado está constantemente
em evolução, à medida que os grânulos
são arrumados para o lado pelos grânulos
novos que vão emergindo. Os grânulos estão
num fluxo onde atingem velocidade supersónicas
de mais de 7km/s em que produzem os chamados "sonic
booms" e outros ruídos que provocam ondas
na superfície do Sol. |
Avançando para os super-grânulos. Os
super-grânulos são versões bem
maiores dos grânulos (tinha de ser, pelo nome...)
com cerca de 35 000 km de largura, mas são
mais facilmente detectados nas medidas do desvio de
Doppler, onde a luz dos objectos movendo-se na nossa
direcção aparece desviada para os comprimentos
de onda do azul, enquanto que no caso de se estarem
a afastar de nós a sua luz nos aparecerá
desviada para os comprimentos de onda do vermelho.
Estas características também cobrem
a superfície do Sol e estão continuamente
a evoluir. Os super grânulos individuais duram
à volta de 1 dia ou dois e fluem com velocidades
da ordem dos 055 km/s. Os fluxos de fluidos nos super
grânulos, carregam campos magnéticos
até às beiras das células onde
dão origem à rede cromosférica.
E em relação à fotoesfera, ficamos
por aqui.
|
 |
^ Topo
 |
Continuando a subir nas camadas,
eis-nos saídos da fotoesfera e preparados para
entrar na cromoesfera.
Acima da fotoesfera fica a cromoesfera, uma região
com cerca de 2500 km de espessura.
Imediatamente antes e imediatamente
depois do pico de um eclipse total do Sol, a cromoesfera
aparece-nos como um estreito anel avermelhado. A evidente
cor da cromoesfera, comparada com a quase brancura da
coroa, valeu-lhe o nome (que significa esfera de cor).
|
A cromoesfera é mais facilmente
visível, quando o Sol é observado através
de filtros H-Alfa (Hidrogénio Alfa), onde regiões
brilhantes conhecidas como plages (francês para
praia) e características escuras chamadas filamentos
são visíveis. Filamento é o nome
dado às proeminências quando são
vistas no disco solar.
espículas são visíveis
junto ao limbo do Sol. São jactos de plasma a
ejectarem-se das fronteiras dos super grânulos.
Embora pequenos, na escala solar, estes jactos têm
o tamanho da Terra!
A temperatura vai aumentando através
da cromoesfera de uns 4 500 K para cerca de 10 000 K.
Pensa-se que este aquecimento se deva a convecção,
ainda na camada junto à fotoesfera. À
medida que os gases se agitam violentamente na fotoesfera,
eles produzem ondas de choque que aquecem gás
circundante e o mandam, penetrando através da
cromoesfera, na forma de espículas. Cada uma delas apenas
dura uns minutos e eleva-se cerca de 5000 km acima da
fotoesfera.
A cromoesfera possui várias
características, das quais já falamos
um pouco. Vamos agora ver um pouco mais sobre cada uma
delas. Começando pela rede cromosférica.
|
A rede cromosférica é
um padrão em forma de teia, que se vê mais
facilmente nas emissões nas linhas vermelhas
do hidrogénio (H-Alfa) e na linha do cálcio
no ultravioleta. A rede demarca as células de
super grânulos e é devido à presença
linhas de campos magnéticos concentrados lá
que os fluidos se mexem nos super grânulos.
Agora é a vez dos filamentos e das “plages”.
|
 |
 |
Os filamentos são características
escuras e lineares, quer se podem ver nas linhas vermelhas
do hidrogénio. São nuvens de material
densas e um pouco mais frescas, que ficam suspensos
sobre a superfície solar, por arcos de campo
magnético. Plages, francês para praias,
são pedaços brilhantes em volta das manchas
solares, que se podem ver melhor também nas linhas
do hidrogénio alfa. Estão também
associadas com concentrações de campos
magnéticos e formam parte das emissões
brilhantes que caracterizam a cromoesfera. |
Já as proeminências
são nuvens densas de material, que ficam suspensas
pelos arcos dos campos magnéticos, acima da superfície
solar. Na verdade são a mesma coisa que os filamentos,
só que as proeminências ejectam-se para
fora do limbo solar. Ambas as proeminências como
os filamentos podem manter-se calmos durante dias ou
semanas, mas contudo, à medida que os campos
magnéticos que os suportam vão mudando,
os filamentos e as proeminências podem entrar
em erupção e erguerem-se acima do Sol
numa questão de minutos ou horas! |
 |
 |
As espículas, por sua vez,
são pequenas erupções, tipo jactos,
que acontecem pela rede cromosférica toda. Aparecem
como riscas curtas e escuras nas imagens H-Alfa. Duram
pouco mais do que uns minutos, mas no processo ejectam
material para fora da superfície solar em direcção
à quente coroa, a velocidades de 20 a 30 km/s! |
^ Topo
Agora vamos falar da coroa. A Coroa
é a camada mais exterior da atmosfera solar e
é extremamente quente. Estendendo-se por alguns
milhões de quilómetros a partir da cromoesfera.
Consegue-se ver durante um eclipse total do Sol ou nos
comprimentos de onda do raio X.
Elevando-se acima da cromoesfera,
a temperatura salta de umas dezenas de milhar de Kelvins
para uma temperatura da ordem dos poucos milhões
Kelvin, na atmosfera mais exterior do Sol, ou seja,
a coroa.
Perceber qual a razão pela
qual a coroa do Sol é tão quente, hoje
em dia, é um dos maiores desafios dos cientistas
solaristas. Devido às altas temperaturas atingidas
aqui, a coroa emite radiação de alta energia
que pode ser observada em raios X. A atmosfera da Terra
absorve a radiação X, mas os satélites
colocados acima da atmosfera, como a nave Yohko, podem
observar estes comprimentos de onda, da luz que vem
do Sol.
|
A imagem à direita, é
uma composição de uma foto em raio X e
outra de um eclipse, em luz visível. Perto dos
pólos, a coroa é escura tanto no raio
X como na luz visível. Estas regiões são
buracos na coroa e são a fonte do vento solar
que se estende pelo espaço interplanetário.
A luz visível espalhada, demonstra a densidade
do plasma na coroa. As largas regiões brancas,
que se estendem para longe do Sol, são locais
onde o plasma ficou aprisionado pelo campo magnético
solar. |
 |
Existem diversos fenómenos associados à
coroa solar e vamos falar de alguns, nomeadamente
as CMEs (Coronal Mass Ejections) e também os
Helmet Streamers. Vão desculpar-me os mais
puristas da Língua Portuguesa, mas o facto
é que não consegui arranjar tradução
decente, cientificamente falando, para estas duas
designações. Vou começar por
falar nos Helmet Streamers, aos quais chamarei simplesmente
HSs.
O gás presente na coroa solar está
a altíssimas temperaturas, na maioria das regiões
ronda temperaturas entre 1 e 2 milhões de graus
Kelvin, pelo que está praticamente todo num
estado plasmático (composto por partículas
carregadas, maioritariamente protões e electrões).
Poderosos campos magnéticos atravessam a coroa.
Onde estas linhas de força magnética
estão fechadas, o campo magnético é
suficientemente forte para aprisionar o plasma solar
e impedir que este escape.
|
 |
O plasma acumula-se nestas regiões
e forma belíssimas estruturas, que são
os HSs, e que podem ser vistos durante os eclipses solares.
As proeminências, muitas vezes, estão situadas
por baixo dos HSs, e aparecem regiões activas
por baixo dos HSs junto ao equador (por vezes também
referidos como streamers de regiões activas).
Em algumas regiões, o campo magnético
coronal não consegue conter o plasma e este expande-se
para a frente, atingindo velocidades supersónicas. |
As regiões onde existem estas
linhas de campo magnético abertas (que se expandem
para bem longe no Sistema Solar) correspondem aos buracos
coronais e são a fonte do vento solar, que acelera
na direcção oposta do Sol e preenche o
espaço interplanetário.
Os electrões no plasma coronal,
tipicamente, são mais frios e menos densos que
os que se encontram nos streamers, e assim aparecem
como manchas escuras tanto nas imagens de raio X como
na luz visível.
Os solaristas, bem como outros cientistas,
utilizam modelos matemáticos para tentarem compreender
o Sol. Frequentemente as equações que
representam o plasma solar são tão complicadas,
que se tem de recorrer a computadores para as resolver!
As linhas de campo magnético na imagem à
direita, provêm de uma simulação
de computador, que resolveu as equações
da magneto-hidrodinâmica (que palavrão!),
que forneceram uma boa representação de
diversos tipos de comportamento do plasma.
|
Agora vamos falar das CMEs. De certo
já terão visto, na televisão ou
na net imagens de CMEs. Agora vamos ver o que são
estes fenómenos solares.
As CMEs são explosões
na coroa do Sol que atiram partículas solares.
Tipicamente, as CMEs rompem os HSs na coroa solar. Podem
ser ejectados até cerca de 10^13 (10 000 000
000 000) kg de material para o vento solar. AS CMEs
propagam-se com o vento solar e no vento solar, onde
poderão encontrar-se com a Terra e provocar influências
na actividade geomagnética.
|
 |
As CMEs, acreditam-se ser provocadas pela libertação
de energia no campo magnético do Sol, como
esta libertação energética acontece
e a relação entre os diferentes tipos
de actividade solar, é outro dos muitos enigmas
dos solaristas de hoje em dia.
Estes fenómenos podem causar danos no ambiente
terrestre, pois a radiação intensa do
Sol que chega em apensa 8 minutos à Terra,
pode alterar a atmosfera da Terra, rompendo as comunicações
rádio de longa distância e alterando
as órbitas dos satélites. Partículas
altamente energéticas, empurradas ao longa
da onda de choque da CME podem colocar em perigo eventuais
astronautas e "fritar" a electrónica
dos satélites. Estas partículas cegam
à Terra (ou Lua) mais ou menos uma hora mais
tarde. O material da CME propriamente dito, chega
à Terra um ou até 4 dias depois da erupção
inicial, resultando em tempestades magnéticas
muito fortes, auroras e, por vezes, "blackouts"
energéticos.
Todas estas interacções Sol-Terra
são monitorizadas e previstas por todos aqueles
que se dedicam à meteorologia espacial. À
medida que o ciclo solar se aproxima do pico máximo,
a cada 11 anos, as CMEs tornam-se gradualmente mais
frequentes. Antes de 1970, as CMEs, difíceis
de detectar, não eram conhecidas. É
por isso que missões como a SOHO e o satélite
ACE nos são muito úteis. O ACE, por
exemplo, pode dar-nos um aviso de qualquer tempestade
magnética na Terra, com uma hora de antecedência.
|
^ Topo
| Outras
imagens e informação relevante. |
 |
As plumas polares, são longas e finas correntes
que se projectam dos pólos so Sol. Várias
vezes encontramos regiões brilhantes no que
sobra destas caracteristicas, que são associadas
a pequenas regiões magnéticas na superficie
solar. Estas estructuras têm a ver com as linhas
magnéticas "abertas" nos polos do
Sol. As plumas são formadas pela acção
do vento solar da mesma forma que os picos dos HSs
se formam.
|
Os loops coronais encontram-se em volta das manchas
solares e nas regiões activas. Estas estruturas
estão associadas com as linhas magnéticas
"fechadas" que ligam as regiões magnéticas
na superficie do Sol. Alguns destes fenomenos duram
dias ou semanas mas a maioria mudam rapidamente. Alguns
loops, contudo, estão associados aos flares
e são visiveis por períodos muito mais
curtos. Estes loops contêm material mais denso
que o das redondezas.
|
 |
 |
Os buracos coronais são regiões em
que a coro é escura. Estas caracteristicas,
foram descobertas quando os telescópios de
raios-X voaram pela primeria vez acima da atmosfera
da Terra. E revelaram a estrutura da coroa ao longo
do disco solar. Estes buracos estão associados
com as linhas magnéticas "abertas"
e muitas vezes encontram-se perto dos polos solares.
Os ventos solares de grande velocidade têm origem
nos buracos coronais.
|
^ Topo
| "Fast
Facts" |
| Raio Solar = 695,990 km = 432,470
mi = 109 raios terrestres
Massa Solar = 1.989 1030 kg = 4.376
1030 lb = 333,000 massas terrestres
Luminosidade Solar (output energético
do Sol) = 3.846 1033 erg/s
Temperatura da superficie = 5770 ºK
= 10,400 ºF
Densidade da superficie = 2.07 10-7
g/cm3 = 1.6 10-4 densidade do ar
Composição da superficie
= 70% H, 28% He, 2% (C, N, O, ...) por massa
Temperatura central = 15,600,000 ºK
= 28,000,000 ºF
Densidade central = 150 g/cm3 = 8
× a densidade do ouro
Composição central =
35% H, 63% He, 2% (C, N, O, ...) por massa
Idade do Sol = 4.57 109 anos
|
^ Topo
Fontes:
http://www.howstuffworks.com/sun.htm
http://www.if.ufrgs.br/~kepler/fis207/esol/esol.htm
http://www.windows.ucar.edu/tour/link=/sun/sun.html&edu=high
http://www.solarviews.com/portug/sun.htm
http://www.noveplanetas.hpg.ig.com.br/sol.html
http://members.fortunecity.com/planetarium/sol.htm
http://www.msfc.nasa.gov/ « Voltar |