LCT | Lat 41º10' N Lon 8º36'W |


Como se leva um tubo óptico com mais de 68cm de comprimento e 18cm de diâmetro facilmente para os locais de observação? Ou ainda, de que forma se guarda esse mesmo tubo em casa nos dias em que não se observa (infelizmente ainda são muitos) sem correr riscos de o danificar ou deixar a acumular poeiras? Na caixa de cartão original não será de certeza... Por isso embora a vontade de o experimentar fosse muita, a primeira coisa a fazer rapidamente era fazer uma mala de transporte.

Aqui vou descrever as principais etapas da mala que fiz para o meu LXD55 de 150mm. Nem pensei sequer a comprar uma mala feita de origem para este telescópio. A JMI, que tem representante em Portugal, tem uma oferta interessante a nível de qualidade mas desanimadora a nível de preço que com despesas de importação ficaria por mais de metade do preço do telescópio...
Assim toca a meter mãos à obra!

Em baixo vou colocar uma lista de todo o material necessário. Mais do que material convém ter alguns conhecimentos de como fazer este tipo de trabalho... Ou alguém que dê uma ajuda! ;) Mas é uma tarefa simples...


1º Fazer um pequeno esboço daquilo que se pretende. Convém tirar as dimensões exactas da caixa, sendo este passo é crítico! Depois pensar nos acessórios que serão necessários, incluindo as dobradiças, a pega e os fechos.
Depois é só pegar no papel e levar à Max Mat ou Leroy Merlin e comprar o material. Em relação às madeiras qualquer destas casas tem serviço de corte, pelo que é só trazer as peças com os tamanhos certos para casa.


Fig.1 Ampliar

2º - Já temos as placas de madeira em casa. Convém conferir se as peças estão nas medidas pretendidas ou se há algum desnível que possa afectar o resultado final.


Fig.2 Ampliar

3º - O local onde vão existir parafusos também deverá ser alvo de um estudo prévio para não se desatar a furar à toa. Convém usar uma broca inferior à largura dos parafusos que vão ser utilizados para que possa dar aperto.

Para ajudar à tarefa dos parafusos pode-se previamente passar cola de madeira, resultando numa união mais fácil e mais firme.


Mouse over para ver a Fig.4
Fig.3 Ampliar Fig.4 Ampliar

Ora cá está a tampa já concluída e com bom aspecto! Tempo de fazer um intervalo e beber algo fresco, especialmente se estiver tanto calor como no dia em que isto foi feito! A praia devia estar boa mas isto da Astronomia às vezes passa à frente de coisas que maioria das pessoas não abdicava... :)


Fig.5 Ampliar

4º - Agora repete-se o mesmo processo para unir os componentes que vão fazer a parte inferior da caixa.
Na Fig.7 podem-se conferir as duas peças juntas.


Mouse over para ver a Fig.7
Fig.6 Ampliar Fig.7 Ampliar

5º - Sobrepõe-se as duas partes para verificar se estão em união ou se existem uns milímetros a mais. Se houver algum desnível a máquina de lixar encarrega-se de repor tudo como deve ser... Aqui com a preciosa ajuda do Pai...


Fig.8 Ampliar

6º - Colocação das dobradiças. É um ponto crítico para que depois a caixa abra bem e a tampa fique perfeitamente ajustada. Para um trabalho bem feito é indispensável fazer um pequeno sulco à medida das dobradiças para que estas fiquem ao mesmo nível da superfície em ambas as partes.


Mouse over para ver a Fig.10
Fig.9 Ampliar Fig.10 Ampliar

7º - A etapa seguinte é simples e pode ser feita ao gosto de cada um. Eu optei por pintar a caixa com spray preto com uma leve textura. Mas pode ser usado papel autocolante ou mesmo deixar ficar a caixa na sua cor natural...
Só um alerta, quem optar por tinta em spray convém fazê-lo num local bem arejado e com uma máscara para evitar inalar grandes quantidades de químicos.


Fig.11 Ampliar

Já temos uma ideia do resultado final! Mas ainda falta muito para ficar pronta...
Para já há que deixar secar a tinta, fazer uma pausa e repor energias...

O interior foi deixado por pintar intencionalmente... Como é óbvio não podemos simplesmente lá colocar a OTA sem um apoio e uma estrutura capaz de absorver pelo menos os pequenos impactos.


Fig.12 Ampliar

8º - Nesta fase vamos então tornar o interior mais confortável. O material usado foi uma esponja muito compacta com cerca de 9mm de espessura (Placa Matemousse). A forma mais fácil de a encontrar é sob a forma de colchões de campismo, no Continente por exemplo, custam cerca de 5 Eur e é um material muito versátil para proteger equipamento sensível. Podem ver o aspecto das placas AQUI.


Mouse over para ver a Fig.14
Fig.13 Ampliar Fig.14 Ampliar

9º - Mesmo com a caixa toda forrada é necessário garantir que a OTA fique apoiada e se mantenha no seu lugar mesmo com alguns movimentos. As medidas usadas para este efeito garantem que mesmo na vertical a OTA permaneça fixa...
Os apoios usados foram os esferovites da caixa original, cortados em metades sensivelmente e forrados com uma esponja semelhante à usada em cima mas muito mais fina (comprada em folhas A3 na Papelaria Fernandes).

Foi usado também um fecho, semelhante aos que se vêm nas mochilas que serve como cinto de segurança... Este foi reaproveitado dos que vinham a prender a placa matemousse.


Mouse over para ver a Fig.16
Fig.15 Ampliar Fig.16 Ampliar

Fig.17 Ampliar

10º - A tampa da mala não pode nem necessita de ser aberta mais do que 90 graus.
Atendendo ao seu peso, não existir nenhum mecanismo de segurança para não cair para trás era arruinar definitivamente com as dobradiças e encaixes. Assim é indispensável a colocação de dois compassos reversíveis. A sua montagem é simples mas requer muita precisão nas medições para que no final ambos funcionem correctamente e dividam o peso da tampa entre si.


Fig.18 Ampliar

11º - Já mais perto do final, é hora de colocar os fechos alavanca. Poderão funcionar outro tipo de fechos mas achei estes mais adequados para este fim.
Atenção que embora colocados apenas agora as medições e respectivos furos já haviam sido feitos previamente. O mesmo se aplica aos compassos na etapa anterior.


Fig.19 Ampliar

12º Colocação da pega na tampa. Convém arranjar uma pega bem forte, com bases largas e vários pontos de aperto. Estamos a falar de algo que vai suportar o peso todo, da caixa + OTA que rondará os 20 KG...


Fig.20 Ampliar

13º - Já na fase dos detalhes. Este no entanto de extrema importância e funcionalidade. Fita de calafetagem castanha (em borracha) ao longo das extremidades de contacto da caixa com a tampa. Suaviza e amortece o fechar da caixa tornando-o mais uniforme. Para além disso isola do pó e demais partículas parasitas... Excelente ideia ;)


Fig.21 Ampliar

14º - Mais um detalhe, este mais de carácter estético. Colocação de 8 cantoneiras em cada um dos vértices da caixa. Para além da elegância visual do níquel no fundo preto, sempre protege os cantos das paredes e outras potenciais esmurradelas...


Mouse over para ver a Fig.23
Fig.22 Ampliar Fig.23 Ampliar

15º Finalmente o resultado final! Deu trabalho mas deixou os autores satisfeitos! :)


Fig.25 Ampliar

Fig.27 Ampliar

Para terminar segue a lista de todo o material usado neste trabalho. Obviamente que muitas coisas podem ser diferentes mas julgo que será uma boa base de partida e inspiração para outras realizações! Como referência o custo total dos componentes não chegou aos 90 Eur...

Exterior:
7 Painéis Pinho cortados à medida (Max Mat)
1 Cola Branca Rápida (Max Mat)
50 Parafusos p/ Madeira (Max Mat)
2 Latas Spray efeito estrutura (Leroy Merlin)
8 Cantoneiras Níquel (Leroy Merlin)
1 Pega (AKI)
2 Fechos Alavancas (Leroy Merlin)


Interior:
2 Placas Matemousse (Continente)
2 Dobradiças (AKI)
2 Compassos reversíveis (Leroy Merlin)
1 Fita calafetagem borracha (Leroy Merlin)
1 Folha borracha macia A3 (Papelaria Fernandes)

Se for possível contar com a ajuda do Pai e com a paciência da Mãe ao ver a casa toda suja, também ajuda... :)

homemade lxd55 OTA case

© www.aluaaosol.com 2003-2004 por Ricardo Martins- Optimizado para IE 1024 x 768 The Weather Resources What you see Stages Homemade stuff My equipment Gallery Observations Urban Light eMail me Sign the book" help for English users Add this page to favorites About this site Back