 |
|
Como se leva um tubo óptico com mais de 68cm de comprimento
e 18cm de diâmetro facilmente para os locais de observação?
Ou ainda, de que forma se guarda esse mesmo tubo em casa nos dias
em que não se observa (infelizmente ainda são muitos)
sem correr riscos de o danificar ou deixar a acumular poeiras?
Na caixa de cartão original não será de certeza...
Por isso embora a vontade de o experimentar fosse muita, a primeira
coisa a fazer rapidamente era fazer uma mala de transporte.
Aqui vou descrever as principais etapas da mala que fiz para o
meu LXD55 de 150mm. Nem pensei sequer a comprar uma mala feita
de origem para este telescópio. A JMI,
que tem representante em Portugal, tem uma oferta interessante
a nível de qualidade mas desanimadora a nível de
preço que com despesas de importação ficaria
por mais de metade do preço do telescópio...
Assim toca a meter mãos à obra!
Em baixo vou colocar uma lista de todo o material necessário.
Mais do que material convém ter alguns conhecimentos de
como fazer este tipo de trabalho... Ou alguém que dê
uma ajuda! ;) Mas é uma tarefa simples...
|
|
1º Fazer um pequeno esboço daquilo que se pretende.
Convém tirar as dimensões exactas da caixa, sendo
este passo é crítico! Depois pensar nos acessórios
que serão necessários, incluindo as dobradiças,
a pega e os fechos.
Depois é só pegar no papel e levar à Max
Mat ou Leroy Merlin e comprar o material. Em relação
às madeiras qualquer destas casas tem serviço de
corte, pelo que é só trazer as peças com
os tamanhos certos para casa.
|

Fig.1
Ampliar |
| 2º - Já
temos as placas de madeira em casa. Convém conferir se
as peças estão nas medidas pretendidas ou se há
algum desnível que possa afectar o resultado final.
|

Fig.2
Ampliar |
| 3º
- O local onde vão existir parafusos também deverá
ser alvo de um estudo prévio para não se desatar
a furar à toa. Convém usar uma broca inferior à
largura dos parafusos que vão ser utilizados para que possa
dar aperto.
Para ajudar à tarefa dos parafusos pode-se previamente
passar cola de madeira, resultando numa união mais fácil
e mais firme. |

Mouse over para ver a Fig.4 Fig.3
Ampliar Fig.4
Ampliar |
| Ora cá está
a tampa já concluída e com bom aspecto! Tempo de
fazer um intervalo e beber algo fresco, especialmente se estiver
tanto calor como no dia em que isto foi feito! A praia devia estar
boa mas isto da Astronomia às vezes passa à frente
de coisas que maioria das pessoas não abdicava... :) |

Fig.5
Ampliar |
| 4º - Agora repete-se
o mesmo processo para unir os componentes que vão fazer
a parte inferior da caixa.
Na Fig.7 podem-se conferir as duas peças juntas. |
|
5º - Sobrepõe-se
as duas partes para verificar se estão em união
ou se existem uns milímetros a mais. Se houver algum desnível
a máquina de lixar encarrega-se de repor tudo como deve
ser... Aqui com a preciosa ajuda do Pai... |

Fig.8
Ampliar |
6º - Colocação
das dobradiças. É um ponto crítico para que
depois a caixa abra bem e a tampa fique perfeitamente ajustada.
Para um trabalho bem feito é indispensável fazer
um pequeno sulco à medida das dobradiças para que
estas fiquem ao mesmo nível da superfície em ambas
as partes. |

Mouse over para ver a Fig.10 Fig.9
Ampliar Fig.10
Ampliar |
| 7º - A etapa seguinte é
simples e pode ser feita ao gosto de cada um. Eu optei por pintar
a caixa com spray preto com uma leve textura. Mas pode ser usado
papel autocolante ou mesmo deixar ficar a caixa na sua cor natural...
Só um alerta, quem optar por tinta em spray convém
fazê-lo num local bem arejado e com uma máscara para
evitar inalar grandes quantidades de químicos. |

Fig.11
Ampliar |
Já temos uma ideia do resultado
final! Mas ainda falta muito para ficar pronta...
Para já há que deixar secar a tinta, fazer uma pausa
e repor energias...
O interior foi deixado por pintar intencionalmente... Como é
óbvio não podemos simplesmente lá colocar
a OTA sem um apoio e uma estrutura capaz de absorver pelo menos
os pequenos impactos.
|

Fig.12
Ampliar |
8º - Nesta fase vamos então
tornar o interior mais confortável. O material usado foi
uma esponja muito compacta com cerca de 9mm de espessura (Placa
Matemousse). A forma mais fácil de a encontrar é
sob a forma de colchões de campismo, no Continente por
exemplo, custam cerca de 5 Eur e é um material muito versátil
para proteger equipamento sensível. Podem ver o aspecto
das placas AQUI. |

Mouse over para ver a Fig.14 Fig.13
Ampliar Fig.14
Ampliar
|
9º - Mesmo com a caixa toda
forrada é necessário garantir que a OTA fique apoiada
e se mantenha no seu lugar mesmo com alguns movimentos. As medidas
usadas para este efeito garantem que mesmo na vertical a OTA permaneça
fixa...
Os apoios usados foram os esferovites da caixa original, cortados
em metades sensivelmente e forrados com uma esponja semelhante
à usada em cima mas muito mais fina (comprada em folhas
A3 na Papelaria Fernandes).
Foi usado também um fecho, semelhante aos que se vêm
nas mochilas que serve como cinto de segurança... Este
foi reaproveitado dos que vinham a prender a placa matemousse. |

Mouse over para ver a Fig.16 Fig.15
Ampliar Fig.16
Ampliar

Fig.17
Ampliar |
10º - A tampa da mala não
pode nem necessita de ser aberta mais do que 90 graus.
Atendendo ao seu peso, não existir nenhum mecanismo de
segurança para não cair para trás era arruinar
definitivamente com as dobradiças e encaixes. Assim é
indispensável a colocação de dois compassos
reversíveis. A sua montagem é simples mas requer
muita precisão nas medições para que no final
ambos funcionem correctamente e dividam o peso da tampa entre
si. |

Fig.18
Ampliar |
11º - Já mais perto
do final, é hora de colocar os fechos alavanca. Poderão
funcionar outro tipo de fechos mas achei estes mais adequados
para este fim.
Atenção que embora colocados apenas agora as medições
e respectivos furos já haviam sido feitos previamente.
O mesmo se aplica aos compassos na etapa anterior. |

Fig.19
Ampliar |
| 12º Colocação
da pega na tampa. Convém arranjar uma pega bem forte, com
bases largas e vários pontos de aperto. Estamos a falar
de algo que vai suportar o peso todo, da caixa + OTA que rondará
os 20 KG... |

Fig.20
Ampliar |
| 13º - Já na fase
dos detalhes. Este no entanto de extrema importância e funcionalidade.
Fita de calafetagem castanha (em borracha) ao longo das extremidades
de contacto da caixa com a tampa. Suaviza e amortece o fechar
da caixa tornando-o mais uniforme. Para além disso isola
do pó e demais partículas parasitas... Excelente
ideia ;) |

Fig.21
Ampliar |
| 14º - Mais um detalhe, este
mais de carácter estético. Colocação
de 8 cantoneiras em cada um dos vértices da caixa. Para
além da elegância visual do níquel no fundo
preto, sempre protege os cantos das paredes e outras potenciais
esmurradelas... |

Mouse over para ver a Fig.23 Fig.22
Ampliar Fig.23
Ampliar
|
| 15º Finalmente
o resultado final! Deu trabalho mas deixou os autores satisfeitos!
:)
|
| |

Fig.25
Ampliar
|
| |

Fig.27
Ampliar
|
| Para terminar segue
a lista de todo o material usado neste trabalho. Obviamente que
muitas coisas podem ser diferentes mas julgo que será uma
boa base de partida e inspiração para outras realizações!
Como referência o custo total dos componentes não
chegou aos 90 Eur...
Exterior:
7 Painéis Pinho cortados à medida (Max Mat)
1 Cola Branca Rápida (Max Mat)
50 Parafusos p/ Madeira (Max Mat)
2 Latas Spray efeito estrutura (Leroy Merlin)
8 Cantoneiras Níquel (Leroy Merlin)
1 Pega (AKI)
2 Fechos Alavancas (Leroy Merlin)
Interior:
2 Placas Matemousse (Continente)
2 Dobradiças (AKI)
2 Compassos reversíveis (Leroy Merlin)
1 Fita calafetagem borracha (Leroy Merlin)
1 Folha borracha macia A3 (Papelaria Fernandes)
Se for possível contar com a ajuda do Pai e com a paciência
da Mãe ao ver a casa toda suja, também ajuda...
:) homemade lxd55 OTA case |