Às tantas já o abastecimento tinha terminado mas
a minha posição permanecia, mesmo após o
objecto se ter escondido na cobertura da estação.
Fazia sucessivos replays de memória do que tinha acabado
de ver...
É um facto que quem costuma fazer algumas observações
e saber minimamente o que está lá por cima, dificilmente
poderá admitir, sobretudo a si próprio, que é
possível ver coisas que não entende... Intrigou-me
como é natural.
Outra coisa curiosa. Nunca pensei vir a colocar neste site nada
semelhante. Possivelmente daqui a uns dias tudo estará
esclarecido e esta história perderá a sua roupagem
misteriosa, mas para já (madrugada do dia 4 Junho) ainda
há muito boa gente sem saber do que se tratou...
A minha primeira reacção racional foi ignorar aquela
visão e atribuí-la a algum evento local que teria
muito seguramente uma explicação lógica.
Passou-me pela cabeça o lançamento de algum tipo
de fogo de artifício, balão, enfim... Se fosse algo
diferente com certeza seria falado...
No dia seguinte já ao final da tarde, a TV ligada numa
divisão da casa, ia fazendo ouvir-se algumas as notícias,
até que sem contar, ouço as palavras mágicas
"fenómeno avistado de norte a sul". Ao contrário
de tantas outras que me passaram ao lado, estas fizeram-me levantar
para assistir mais de perto à reportagem.
O irónico desta situação é que aqueles
que normalmente tem uma imaginação fértil
para descrever este tipo de acontecimento até a descreveram
de uma forma bastante precisa. Os testemunhos dos entrevistados
batiam assustadoramente certo com o que eu tinha visto. Acredito
que se não tivesse tido a sorte de ver aquilo, pensaria
muito seguramente que esta gente adora uma boa história
e desconhece completamente o que se conhece dos céus.
Mas vi e eles tinham a sua razão. A 1ª tentativa de
explicar o sucedido apareceu pouco depois no site da agência
Lusa e era baseada na opinião do Astrónomo José
Matos, que atribuía a visão a um Iridium Flare.
De facto estava um Iridium previsto para aquela hora, pelo menos
nas coordenadas da zona onde me encontrava, mas aquilo estava
muito, mas muito longe de ter o aspecto de uma flare. Ainda por
cima foi vista exactamente da mesma forma no Norte e no Sul do
País...
Aquela opinião estava a mexer um pouco comigo uma vez que
parecia dar alguma irrelevância a subvalorizar alguns factos
importantes ouvidos nos testemunhos.
Aquilo que verifiquei de seguida foi confirmar nos alertas que
recebo do Calsky
se estava prevista a reentrada de algum satélite desactivo.
Não é comum mas de vez em quando lá se recebem
notificações dessas. Mas não havia nada para
aquela data. Resolvi escrever algumas linhas ao José Matos
e fazer o meu relato bem como alguns comentários ao fenómeno.
No momento que recebeu o meu email já teria seguramente
dados adicionais que lhe permitiram concluir que a sua primeira
explicação não estaria totalmente correcta,
facto que prontamente assumiu sem qualquer problema. Entretanto
surgiram vídeos amadores (podem ser vistos em baixo) que
foram difundidos em alguns canais cuja análise deitava
por terra não só esta hipótese como qualquer
outra avançada até então...
Estamos para já na presença de um OVNI. Este termo
não é muito bem interpretado. Ou melhor é
confundido com frequência com algo que não é...
um OVNI não é uma nave espacial, é apenas
algo no céu que não foi identificado. Qualquer coisa
pode ser um OVNI em último caso, sempre que a sua presença,
origem, composição, etc, permaneçam indeterminadas
após as respectivas análises e estudos.
Nas notícias que se seguiram revelaram aspectos que continuam
a revestir de intrigante este "caso", sobretudo no que
respeita aos registos da força aérea.
"O porta-voz da Força Aérea, Carlos Barbosa,
afirma hoje ao jornal Público que os radares de defesa
detectaram "vários alvos" durante dois ou três
minutos.
Entre as 23:00 e as 23:30 foram detectados alguns alvos
de diferentes velocidades, altitudes e posições
que duraram dois ou três minutos", sublinha a mesma
fonte, acrescentando que um dos movimentos apresentou uma trajectória
ascendente dos sete mil para os 30 mil pés, e outro movia-se
nos 40 mil pés." Lusa
"O porta-voz da Força Aérea, contactado
pela SIC, confirma a detecção, por dois controladores
aéreos, dessa luz. Os radares militares deram por ela durante
dois a três minutos. O objecto circulava a uma velocidade
entre os 60 e os 400 nós, cerca de 800 quilometros por
hora. Foi avistado 50 quilómetros a sul do Montijo."
SIC
Com tudo isto permanece a incerteza. As notícias que circulam
nos dias seguintes não são muitas. Esta foi dada
no final dos telejornais, na parte reservada aos factos menos
importantes, às notícias descontraídas, condimentadas
com os sempre apetecíveis testemunhos do "povo",
com um estilo tipo "Eles andam aí!"...
Naturalmente gostava de saber mais sobre isto e qual o parecer
de entidades responsáveis ou qualquer outra informação
que possa dar uma explicação lógica ao caso,
mas é difícil...
Os vídeos captados em Moura e Arraiolos podem ser vistos
em melhores condições no site da SIC, embora não
saiba quanto tempo permanecerão no servidor. Aqui estão
em versão reduzida, mesmo assim recomendada para ligações
banda larga.
Uma coisa é certa, apesar de acreditar que haverá
uma explicação lógica para este evento, não
me vou esquecer daquela sensação de ver algo realmente
diferente de tudo sem o conseguir perceber...