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Em 1997 fazia uma habitual visita ao Algarve por altura da Páscoa
quando tive uma das visões mais fabulosas de sempre no
céu nocturno. Ainda longe do interesse que a astronomia
tem para mim nos dias que correm mas já com uma inevitável
tendência para admirar o céu, houve algo que prendeu
a minha atenção e dos demais companheiros de férias
que seguiam num carro numa remota estrada Algarvia... Na altura
o cometa Hale-Bopp foi tema de telejornal. O objecto não
passava despercebido a ninguém, mesmo àqueles a
quem estas coisas não dizem muito. A visão era única,
o céu tornava-se distinto com a sua presença. Algo
habitualmente intocável e inalterável mostrava indícios
de ter sido mexido. Como se o céu fosse uma tela gigante
e aquele o ponto de partida para uma pintura com grafitti inacabada...
Marcante, simplesmente.
Desde então não voltei a ver um cometa... Voltei
a fazê-lo no momento em que localizei o C/2001 Q4 com os
meus binóculos num céu insuficientemente negro para
uma visão desarmada. Fugi das luzes da cidade do Porto,
para uma praia dos arredores, num céu bem melhor do que
no centro onde moro. Acreditei por momentos que teria condições
para fazer algo que me deixasse relativamente satisfeito... Infelizmente
tal não aconteceu na sua totalidade. As luzes da cidade
são de facto parasitas e revelam-se nas exposições
mais prolongadas. É óbvio que existirão porventura
outras variantes que modificadas poderiam melhorar os resultados.
Estou-me a lembrar por exemplo da forma como o filme foi sensibilizado
no laboratório... Sempre li que para este tipo de fotografia
se deveria procurar revelar o filme de preferência numa
mercearia conhecida e de confiança em vez de o fazer num
hipermercado. Não sei o porquê da decisão,
talvez por não conhecer mercearias, fui revelar ao hipermercado.
Mesmo com algumas instruções no momento de entrega
não deixei de ficar mal impressionado com o serviço...
No momento que fui buscar as fotos foi-me dito "tá
a ver como saíram?... A colega tentou sensibilizar ao máximo
mas não saiu nada!...", mostrando-me o rolo e
olhando para mim com uma cara tipo: paciência, fica para
a próxima... Não fiquei convencido e referi que
era suposto as fotos serem escuras e insisti para que fossem impressas.
Não deixou de ser um momento giro e instrutivo, sobretudo
para mim... Também me estou a lembrar que foi a 1ª
vez que realizei este tipo de fotografia, etc, etc e mais algumas
coisas que servem também para ganhar experiência...
Fica o resultado, com algum tratamento de imagem sobretudo para
retirar o tom avermelhado das luzes... Na 1ª imagem um mouse
over dá uma ajuda para quem estiver mais perdido... ;)
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