LCT | Lat 41º10' N Lon 8º36'W |

Eclipse Solar
03 Out 05 - 8:40/11:17 LCT
Nikon Coolpix 4500
Olympus OM2n
Baader Astrofilm


O eclipse é daqueles fenómenos que tem a capacidade de atrair a população e colocar a astronomia nos media. Nos tempos antigos as pessoas faziam barulho para afugentar os demónios e dragões que estavam a comer o sol. Agora sabem o que se passa e por breves momentos despertam a sua consciência côsmica adormecida e contemplam fascinadas o raro acontecimento.
Naquele momento muita gente sente que de facto vive num planeta que faz parte de um sistema que por sua vez faz parte de um universo. Toda a magnitude do evento realça e estimula a sensação visual.

O ordem dos movimentos celestes quis que Portugal pudesse assitir a este eclipse, dando mesmo lugares VIP a algumas zonas do nosso País. Zonas pouco habituadas a ser o centro das atenções. Zonas esquecidas. Ainda bem que esta não era uma decisão governamental, ou teriamos o percurso do eclipse a passar no centro de Lisboa... Hum... Não resisto a uma alfinatada política em época de campanha... ;)

Na minha cidade as perspectivas eram suficientemente boas para não lamentar a impossibilidade de me deslocar para os lugares VIP. Ainda que o efeito do anel de fogo não fosse totalmente visível, seria sem dúvida um crescente de fabuloso efeito e merecedor de registo fotográfico e visual.

Fiz-me acompanhar apenas dos meus binóculos, da máquina digital, da máquina analógica, de um tripé e respectivos filtros.

Tinha planeado fazer com uma das máquinas uma sequência de exposições ao longo do eclipse e com a outra ia fazendo outro tipo de registos. Como não tinha feito qualquer tipo de teste antes do eclipse achei que a digital me dava mais garantias de sucesso. Deu para ver a melhor configuração logo ao início do dia para depois avançar assim que se desse o 1º contacto. Por outro lado na máquina analógica tinha mais zoom. Segue o resultado e detalhes:

Esta foto é de realização simples pelo facto de ser feita via digital, com a Nikon 4500. Apesar de digital a máquina permite desligar todas as funções automáticas e funcionar de modo totalmente manual a nível de velocidade e tempo de exposição. Uma composição destas num único frame de um rolo fotográfico é bem mais complicado... Ainda assim o príncipio é o mesmo. Fotografar a sequência da evolução do eclipse com a maquina totalmente imóvel no tripé. Neste caso optei por dar 10 minutos de intervalo entre cada foto. Depois de ter a sequência completa, falta encontrar o cenário perfeito. Como nessa manhã a caminho do local de observação vi o sol nascer bem perto da torre dos clérigos, achei que se tudo corresse bem, iria lá voltar já com o sol bem alto para obter o meu cenário.

+

E foi assim que o Porto viu o Eclipse! :)


A foto seguinte foi obtida essa sim com duas exposições através da OM2. É incrível as coisas que se podem fazer com uma máquina com cerca de 20 anos!!

A exposição do Obelisco da Praia da memória em Leça da Palmeira foi feita com a objectiva de 35mm sem qualquer filtro. A exposição do Eclipse foi feita com uma objectiva 210mm + um teleconversor 2x + o filtro baader. Fui bastante feliz, até porque só tinha um tripé e esse estava com a Nikon...


Foi o 1º grande eclipse que assisti. Posso adiantar que a vista através dos binóculos à medida que ia avançando era de cortar a respiração.

Corre tudo bem quando corre exactamente como planeado. Ou melhor, quase tudo, faltou a melhor companhia de todas, mas essa por motivos profissionais não pôde estar presente :(

Por volta do meio dia estava de regresso a casa para trabalhar os resultados... Lá passou o Eclipse.

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