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A melhor forma de perceber o que se vê ao espreitar pela
ocular de um telescópio é experimentar. É
uma dúvida frequente de quem não tem contacto habitual
com estes equipamentos perguntar o que se pode ver. Aqueles que
pensam em comprar o seu primeiro telescópio também
fazem esta questão. Por muitas fotos que se possam ver
na net e por muito que se possa descrever, nada se compara à
realidade... Não quer dizer que seja melhor ou pior, esta
questão será muito subjectiva...
Observar com conforto requer prática, embora possa parecer
uma tarefa simples... Há uma parte significativa da dificuldade
das observações que se pode atribuir à qualidade
das oculares utilizadas. Se verificarmos rapidamente a foto das
minhas oculares
(tipo Plossl) é mais fácil acompanhar aquilo que
pretendo referir. As oculares de 25mm e 20mm tem um campo de visão
aparente satisfatório, a de 10mm já exige mais ginástica
do observador, enquanto que a de 3,6mm é uma autêntica
anedota. As oculares wide e ultra wide já minimizam esta
questão, mas aqui é preciso ter em atenção
so preços... As oculares topo de gama podem custar mais
de 300 euros... Não é para todos. Para além
do campo de visão, ou seja, o círculo de lente disponível
para observar, é importante também o eye-relief,
que na prática significa a distância a que o olho
pode ficar da lente para conseguir ver alguma coisa. Depois há
que adicionar a natural tendência para forçar que
o olho que não observa se mantenha fechado (há quem
opte por usar uma pala tipo pirata, mas tapar ligeiramente com
a mão também resolve) acabando por dar um trabalho
desnecessário aos músculos da face. Há muitos
outros factores (a forma como nos sentamos, inclinamos o corpo,
posicionamos o pescoço, etc) que podem originar que as
primeiras experiências de observação sejam
de facto um pouco desgastantes e cansativas. Aquilo que posso
garantir no entanto é que isto melhora com a pratica, com
paciência e com alguma inteligência na escolha do
local e formas de observação... O problema não
seria tão grave se mesmo com todo o desconforto das primeiras
observações fossem sempre garantidas visões
deslumbrantes dos objectos celestes. Isto não acontece!
Mas quem dá valor a estas coisas fica contente se num céu
moderadamente poluído conseguir ver as Pleiades ou a Galáxia
de Andrómeda em versão fantasma, nem que seja por
uns breves segundos...
Depois há as observações no monitor do PC
via webcam ou outro tipo de CCD! Aí sim de volta ao conforto
habitual mas sem o prazer de receber directamente na retina dos
nossos olhos os fotões de luz. O contacto visual directo
tem uma mística diferente...
Será tudo uma questão de equilíbrio... De
qualquer forma o que pretendo com esta página é
dar exemplos através de vídeos ou outro tipo de
representações, daquilo que se vê. Quem tem
dúvidas pode ter uma noção mais aproximada
e quem já vê algo, poder comparar e tirar outro tipo
de conclusões... :)
rimart, 19 Out 2003 |