2004

Pátio 141 - Saturno 24 horas após a oposição Pátio 166 - Três pequenas planetárias
S.Pedro de Moel X - Flash verde (quase) Pátio 167 - Três pequenas planetárias - outra vez
Pátio 142 - Terra no seu periélio e afélio Pátio 168 - Pequena sessão pré-luar
Atalaia VII - Grande Elongação de Mercúrio Pátio 169 - O Cabide
Pátio 143 - Júpiter Atalaia XI - Sol, planetas e mais paisagens
Pátio 144 - Lua, Marte e Vénus Barragem da Póvoa - Nebulosas com alguma neblina
Pátio 145 - Lua e Júpiter a 5 dedos Astrovide III
Pátio 146 - Animação de Júpiter e dois pares de duplas Serra da Estrela I - Uma noite nas Penhas Douradas
Pátio 147 - "First Bath" Pátio 170 - Lua Cheia Azul
Pátio 148 - Céu profundo no Pátio Pátio 171 - Dois enxames e uma binoculada
Atalaia VIII - Júpiter Atalaia XII - Mais cinco "cromos"
Pátio 149 - Lua e Vénus Observatório do Pinhal do Rei XXVII
Pátio 150 - Halo Lunar Atalaia XIII - Outra noite em cheio
Pátio 151 - Júpiter em Oposição e Perigeu Pátio 172 - Takahashi Sky90 - Primeiras Impressões
Pátio 152 - Lua cheia em conjunção com Júpiter Atalaia XIV - Takahashi Sky90 - A colimação
Pulo do Lobo III - Maratona de Messier Sra. do Monte VIII - 4179 Toutatis
Capuchos XI - Planetas em conjunção Pátio 173 - Lua da Colheita
Pátio 153 - Planetas em conjunção - Lua e Vénus Pátio 174 - Usar círculos graduados
Pátio 154 - Planetas em conjunção - Lua e Marte Pousados I - Uma noite ao luar
Pátio 155 - Planetas em conjunção Pátio 175 - À volta de Vega
Aeródromo XVIII - Planetas em conjunção Pátio 176 - Conjunção Lua Minguante e Marte
Cometa C/2004 F4 Bradfield Pátio 177 - Eclipse Lunar Total
Atalaia IX - Cometa C/2004 F4 Bradfield Pátio 178 - Conjunção Júpiter Vénus
Pátio 156 - Halo solar Atalaia XV - Grande noitada
S.Pedro de Moel XI - Cometa C/2001 Q4 NEAT Pátio 179 - Pequena noitada
Pátio 157 - Cometa C/2001 Q4 NEAT Pátio 180 - E as noitadas continuam..
Pátio 158 - Cometa C/2001 Q4 NEAT Pousados II
Pátio 159 - Cometa C/2001 Q4 NEAT Atalaia XVI - Atalaia, Saturnos e AVIs...
Pátio 160 - Messier 13 e Albireo Atalaia XVII - Borboletas e Lácteas ao Luar
Pátio 161 - Iridium 40 Pátio 181 - Mare Orientale
Trânsito de Vénus Pátio 182 - Cometa C/2004 Q2 Maccholz
Pátio 162 - Messier 27 - Atik vs Nikon D70 Pátio 183 - Nova edição do Calendário de Astronomia
Pátio 163 - Cisne a sobrevoar o pátio Pátio 184 - Cometa C/2004 Q2 Maccholz
Pátio 164 - Á volta de Vega Pátio 185 - Solstício de Inverno
Pátio 165 - Três Enxames Pátio 186 - Cometa ao luar
Atalaia X - Quatro paisagens

Pátio 141 - Saturno 24 horas após a oposição

2004.01.01
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Meade ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x, Teegull Sky Patrol II

Saturno 20040102 00:25
Saturno 2004-01-02 00:25 UTC
Meade ETX90 + powermate 2.5x
Castor - Alfa de Gémeos 3.13"
Castor - Alfa de Gémeos 3.13"
Meade ETX90 + powermate 2.5x

S.Pedro de Moel X - Flash verde (quase)

2004.01.02
S.Pedro de Moel
Takahashi FC-60 60mm f/8.3 (500mm), Radian 14mm, Teegull Sky Patrol II
Canon G1

Este fenómeno refractivo é bastante difícil de observar e fotografar, sendo necessária muita sorte.

Hoje quase que ia acontecendo um, que embora não tenha sido muito grande, já deu para lhe tomar o gosto. Este "quase" flash verde, não foi visível a olho nú, pois foi bastante pequeno, mas no entanto um deles ia quase "despegando". È ir tentando...

Fash verde
Fash verde 2004-01-02 17:22 UTC
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + Radian 14mm + Canon G1

Pátio 142 - Terra no seu periélio e afélio

2004.01.04
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Hoje a Terra está mais perto do Sol e mais uma vez para comemorar esta efeméride fiz esta comparação do tamanho aparente do Sol nos pontos da nossa órbita mais afastado (afélio) e próximo (periélio).
A diferença de distância embora seja percentual, não deixa de ser de mais de 5 milhões de quilómetros (13x a distância da Terra à Lua).
As duas imagens abaixo demonstram bem essa diferença.

Sol no periélio e afélio
Sol no periélio e afélio

Atalaia VII - Grande Elongação de Mercúrio

2004.01.18
Estação de serviço de Santarém (A1)

No caminho de regresso a Leiria, e das vezes em que vou à Atalaia (podem ver as imagens da sessão aqui), tenho o costume de parar na estação de serviço de Santarém da A1, para apreciar o nascer do dia, mas desta vez, estava também à espera de observar o planeta Mercúrio no seu ponto mais destacado do Sol.

Atalaia 2004-11-17
Mercúrio em Elongação
Mercúrio em Elongação 2004-01-18 06:47 UTC
O arisco planeta Mercúrio que apesar de brilhante (-0.2 mag), nesta altura não se deixa facilmente fotografar na companhia dos outros astros. Nesta aparição razoavelmente favorável, distava cerca de 24° do Sol (de um máximo possível de 28°).
A Lua num belo minguante por outro lado fazia companhia à Antares de Escorpião
A Cisne e Lira no Inverno
A Cisne e Lira no Inverno 2004-01-18 06:32 UTC
Não é normal ver estas constelações em pleno Inverno, mas apesar da poluição luminosa de Torres Novas, a cena estava bonita e não resisti em fazer esta imagem

Pátio 143 - Júpiter

2004.01.20
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x e montagem Teegull Sky Patrol II

Vai começar a época da caça ao Júpiter e nesta sessão apesar da grande turbulência anda deu para tirar umas imagens.

Júpiter - 01:26 UTC
Júpiter 2004-01-20 01:26 UTC
Com Io e Ganimede
Júpiter e principais satélites - 01:09 UTC
Júpiter e principais satélites 2004-01-20 01:09 UTC
A família (quase) toda: Calisto, Io e Ganimede e Europa

Pátio 144 - Lua, Marte e Vénus

2004.01.28
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1

Uma conjunção bem afastada dos três planetas mais próximos de nós. Nem a poluição luminosa, e nem as nuvens conseguiram ofuscar o imenso brilho de Vénus, e o ainda brilhante Marte que neste momento tem menos de um quarto do tamanho da histórica aparição de Agosto do ano passado.

Lua, Marte e Vénus - 19:47 UTC
Lua, Marte e Vénus 2004-01-28 19:47 UTC

Pátio 145 - Lua e Júpiter a 5 dedos

2004.02.08
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1

Uma conjunção dos dois astros mais brilhantes depois do Sol e por vezes de Vénus. Estavam distanciados a pouco mais de 5 graus.

Lua e Júpiter - 22:39 UTC
Lua e Júpiter 2004-02-08 22:39 UTC

Pátio 146 - Animação de Júpiter e dois pares de duplas

2004.02.11
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x e montagem Teegull Sky Patrol II

Pequena animação de meia hora da rotação de Júpiter, com a Grande mancha vermelha a surgir.
A turbulência foi bastante acentuada, pois do filme de 300 imagens para obter a gamma leonis (mais abaixo), apenas 5 fotogramas estavam relativamente bem focados. Ainda me espanta como ainda se consegue obter imagens com algum detalhe nos planetas....

Júpiter - 23:00-23:30 UTC
Júpiter 2004-02-11 23:00-23:30 UTC
Com Io a aproximar-se
Alfa de Gémeos (Castor) e Gamma Leonis (Algieba)Alfa de Gémeos (Castor) e Gamma Leonis (Algieba)
Alfa de Gémeos (Castor) e Gamma Leonis (Algieba)
Este dois pares de estrelas são muito semelhantes em separação e magnitudes, mas radicalmente diferentes nas suas cores (temperatura).
O acaso fez este curioso par de pares de estrelas

Pátio 147 - "First Bath"

2004.02.14
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Dobson Brightstar Spacewalker 200mm f/6
Panoptic 24mm (50x 82'), Nagler 9mm (133x 37'), e Nagler Zoom 3-6mm (200x15';240x12';300x10';400x9')
Karkoschka

Já fazia algum tempo que não usava o meu reflector de 20cm, e hoje decidi dedicar-lhe alguma atenção e dar um banho ao espelho - o primeiro desde que o adquiri faz agora dois anos e meio.

Depois de ter desmontado o espelho da sua célula , passei-o por água para tirar o pó maior, de seguida preparei uma bacia com água e sabão Jonhson para bebé, na qual mergulhei o espelho e esfreguei a superfície de fora para dentro com algodão 100% hidrófilo, usando apenas o peso do algodão. De seguida passei-o bem por água corrente da torneira, tendo finalmente passado por água destilada para não deixar marcas. Deixei-o a secar naturalmente pondo-o na vertical para evitar apanhar pó.

De seguida montei-o na célula (da qual retirei a chapa de protecção para diminuir algum peso) e voltei a montá-lo no tubo. Colimei o primário primeiro usado uma Cheshire, e depois um colimaser (laser barato), para colimar o secundário. A colimação do espelho primário de um telescópio de 1200mm pode-se considerar um pouco incómoda, com um constante vai-vem entre os parafusos do espelho e o porta-oculares, mas valeu a pena porque para meu espanto o telescópio até ficou bem colimado.

O dia esteve muito nublado, não tendo conseguido sequer tirar a habitual imagem do Sol, mas depois de jantar em pequenas abertas consegui verificar a colimação, que ficou como já tido referido, ficou na "mouche".

Um dos eventos do dia mais interessante foi o duplo trânsito em Júpiter da Grande Mancha Vermelha (GMV) em conjunto com o satélite Io. Mas infelizmente as nuvens não deixaram fazer um "boneco" do evento, só conseguindo observar parte final, mas visualmente já com o dob limpinho e afinado. A sombra de Io era um perfeito ponto negro sobre a zona equatorial norte, ligeiramente avançado à GMV que estava mais abaixo, sendo ambos perfeitamente visíveis a 133x (nagler 9). De seguida virei-me para Saturno, no qual tive alguns momentos de grande nitidez, podendo ainda observar 4 ou 5 dos seus satélites que estavam algo acumulados. Depois vieram mais nuvens e fiz uma pausa.

Na segunda parte da noite, o céu abriu-se por duas horas, e fui matar saudades das sessões que habitualmente fazia no meu pátio. A magnitude limite visual era muito baixa, não chegando nem sequer a 4, assim como o nevoeiro que já começava a formar-se, mas mesmo assim aproveitei as luzes apagadas da vizinhança para passear um pouco pela as zonas de céu mais a vertical e livres de nevoeiro.
Já se adivinhava a dificuldade de saltar de estrela em estrela, tendo tão poucas delas visíveis a olho nú, mas algo teimosamente insisti em só utilizar o buscador 6x30, pois não me estava apetecer montar o quickfinder, gastando cerca de uma hora e tal para encontrar e observar uma dúzia de objectos. O quickfinder é bem mais útil em céus poucos escuros, porque consegue-se por vezes triangular uma posição mesmo utilizando estrelas afastadas em dezenas de graus, mas no entanto valeu a luta.

Depois de ter "aquecido" a pontaria no sempre impressionante enxame aberto NGC 2168 (Messier 35) em gémeos, passei uma ronda pela a sua vizinhança onde se encontravam o enxame aberto que era também visível no mesmo campo da panoptic 24 - o NGC 2158 - que se assemelha a uma mancha muito difusa, mas no entanto densa e quase sem resolução, o que é natural pois é 6 vezes mais longínquo que o Messier 35, a cerca de 13000 anos-luz. Também lá perto se encontrava o NGC 2129 que devido à pouca escuridão não passava de duas estrelas brilhantes mergulhadas numa quase imperceptível nebulosidade. Pode-se ver aqui uma imagem que capturei destes enxames há algum tempo atrás.
Também em gémeos se pode encontrar uma das incontornáveis nebulosas planetárias - a nebulosa do esquimó NGC 2392. Esta é uma das mais espectaculares planetárias, que se pode observar até com binóculos. Não usei filtro mas era perfeitamente óbvia a 50x, apresentando um grande tamanho aparente, que até me custa acreditar ter apenas a magnitude visual de 9.2 (NSOG). De qualquer modo pode-se descrever como uma estrela (central e com mag 10.5) rodeada por um quase perfeito disco de nebulosidade acinzentada. É uma das planetárias que merece estar entre as melhores observáveis em pequenos telescópios.

De seguida baixei um bocado o tubo para a área do Unicórnio (Monoceros), que entretanto já estava a mergulhar no telhado do vizinho do sudoeste.
Comecei pelo enxame NGC 2264 que num reflector newtoniano se assemelha a uma árvore de Natal, mas com a "estrela" na base ao invés de estar no topo. Nesta altura já estava deitada devido a já estar a mergulhar ao Oeste, mas a distribuição mais ou menos simétrica das estrelas mais brilhantes dá-lhe a aparência cónica semelhante a uma árvore de Natal. Estava muito bem enquadrada no grau e meio da panoptic 24, com filtro talvez fosse possível ver alguma nebulosidade, mas nem tentei com um céu tão brilhante.

Esta "árvore" aponta para um dos objectos mais invulgares que se pode observar - a Nebulosa variável de Hubble NGC 2261 -. Este é um dos poucos objectos de céu profundo que varia de brilho. Esta variação não é na nebulosa em si, mas causada pela estrela variável eruptiva R Monocerotis, que essa sim varia de brilho, provocando alterações de brilho e de aparência das nuvens de poeira próximas.
A sua fácil observação foi uma agradável surpresa, tendo em consideração as condições, a forma de triângulo quase recto e vagamente cometária desta nebulosa era bastante aparente, embora a ache demasiado "gorda" quando comparada com a forma mais esguia ou então arredondada mais típica dos cometas que tenho observado. Estive um bom quarto de hora a apreciar tão singular objecto, tentando ver a estrela responsável por tal clarão, mas não tive grande sorte, pois tendo um brilho variável entre 11 e 13.8, talvez estivesse calma e consequentemente fora do alcance do 20cm sob este céu.

Ainda tentei observar o enxame aberto NGC 2244 e nebulosa associada NGC 2237 "Rosette" mas o nevoeiro cada vez estava mais alto e passei para outras paragens mais perto do zénite.

Por esta altura a constelação do Caranguejo (Cancer) não era visível a olho nú, apenas a sua beta (3.5 de mag) era com algum custo observável. Esta constelação guarda dentro de si dois dos melhores enxames abertos do catálogo de Messier. O NGC 2632 (Messier 44) também conhecido também pelo nome de "Presépio" ou então "Enxame (de abelhas)" e o velho enxame NGC 2682 (Messier 67) que não tem "alias" mas devia ter.
O Messier 44 é geralmente demasiado grande para ser apreciado num telescópio, com mais de 1 grau e meio, não cabia já no campo da panoptic 24, perdendo o contexto e por tal um bocado da sua graça, achando mais interessante no apontador que na ocular. Está bastante próximo a pouco mais de 500 anos-luz daí o seu tamanho aparente.
O Messier 67 por outro lado é um dos mais bonitos que se pode observar com várias dezenas de estrelas, com um a distribuição agradável e enrolada das estrelas - é um dos meus favoritos. Este enxame tem um grande interesse para os astrónomos pela grande quantidade de estrelas nas mais diversas temperaturas, que permite a calibração mais rápida de imagens, isto para além da sua grande idade (estimada em 5 mil milhões de anos) que permite ser usado para estudar a evolução da nossa Galáxia.

O nevoeiro já se elevava mais de 45 graus e só praticamente restava a segunda e última observação do planeta Júpiter, do qual curiosamente sempre tive as melhores vistas em noites de nevoeiro. E esta não foi a excepção, embora ainda que com turbulência acentuada.
Estive a observá-lo com magnificações entre 200x e 400x. Existiram breves momentos de grande nitidez, em que foi possível observar os diversos cinturões e zonas equatoriais, tropicais e temperadas, assim como a diferenciação das zonas polares. Andei à procura de algum pequeno anti-ciclone mas sem grande sorte.
A 200x o brilho era demasiado intenso para discernir detalhe, tendo as magnificações de 240x e 300x sido as mais úteis, proporcionando um bom balanço entre brilho e tamanho. A 400x, Júpiter já se apresentava como uma gigantesca bola, mas a imagem já começava a ficar pouco nítida. A nagler zoom é perfeita para observação planetária. A conveniência de mudar de magnificação instantaneamente, perfeição de recorte e cor até ao limite do campo, sem praticamente nenhuma reflexão e contraste comparável a ortoscópicas, torna-a numa ocular bastante útil, especialmente em telescópio não motorizados.

Ainda é possível observar alguns objectos de céu profundo em ambientes contaminados de luz. A falta de contraste e poucas estrelas no céu, apenas terá o efeito de se apreciar ainda mais a observação astronómica em céus realmente escuros, onde ficamos perdidos, não por falta de estrelas, mas sim por se verem demasiadas, o que de longe é preferível mas infelizmente raramente possível.

Pátio 148 - Céu profundo no Pátio

2004.02.20
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Dobson Brightstar Spacewalker 200mm f/6
Panoptic 24mm (50x 82'), Nagler 9mm (133x 37'), e Nagler Zoom 3-6mm (200x15';240x12';300x10';400x9')
Karkoschka
ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x e montagem Teegull Sky Patrol II

Já fazia muito tempo que não acontecia ter um céu tão escuro aqui no pátio : uma noite de magnitude superior a 4. Todas as estrelas mais brilhantes da Ursa Menor era visíveis a olho nú, especialmente a Eta UMi que tem perto de 5 de magnitude.
Como é natural, não podia deixar escapar tal rara noite que arrisco apostar ser 1 em cada 100 aqui no pátio. A transparência esteve muito boa mesmo tendo em consideração o local, embora o mesmo não se possa dizer da turbulência que foi bastante acentuada.

Comecei a sessão a tentar fazer um pequeno filme do trânsito da sombra do Europa. Não fui muito feliz na turbulência, nem provavelmente na focagem, mas sempre serve para dar uma ideia do elevado dinamismo deste micro-sistema planetário.

Júpiter - 01:10-02:05 UTC
Júpiter 2004-02-20 01:10-02:05 UTC
1 hora de rotação do planeta com a sombra do satélite Europa a transitar notar que a sombra do Europa é mais pequena que a de Io sendo mais difícil captá-la. Io ia aproximando-se à esquerda.
A má qualidade das imagens espelham bem a turbulência que se sentia, especialmente quando comparada com a animação mais abaixo.

Mas a noite esteve mais adequada para objectos do céu profundo, e não desperdiçando a oportunidade de poder observar galáxias e planetárias deste pátio sub-urbano, peguei no Karkoschka e fui observando os objectos que este atlas sugeria observar.

Já metade da constelação do Leão tinha por esta altura transitado o meridiano local, estando portanto em boa posição para a observação dos dois grupos de galáxias brilhantes que de certa forma, como que anunciam a autêntica parada de galáxias das duas constelações que atrás desta se seguem - a Cabeleira de Berenices e a Virgem.

Comecei pelos dois pares de galáxias, formado pelo par NGC 3368 (Messier 96) e NGC 3351 (Messier 95) e pelo par NGC 3379 (Messier 105) e NGC 3384.

Este grupo está situado a meio da barriga do leão, sendo por vezes um pouco difícil de apontar. As galáxias espirais Messier 95 e Messier 96 distam entre si pouco mais de meio grau e ficam agradavelmente folgadas no grau e meio da panoptic 24. Embora semelhantes na forma e orientação, a Messier 96 aparenta ser algo mais brilhante.
Mais abaixo (na vista invertida) a Messier 105 que embora mais pequena e menos brilhante que as anteriores, não se deixa de notar como um pequena nebulosidade arredondada típica das galáxias elípticas, apesar da sua mais pequena e pálida companheira NGC 3384 já tivesse sido um desafio para ser detectada, tendo que usar visão indirecta. Este pequeno grupo estima-se que esteja situado a 31 milhões anos-luz.

O grupo seguinte é o chamado Trio do Leão, que é bastante fácil de encontrar, pois fica situado a meio do fémur da pata traseira do bicho entre a Iota e a Teta , sendo este trio constituído por 3 galáxias, duas das quais membro do catálogo de Messier.
Todas elas são confortavelmente visíveis no campo da 24mm com apenas 50x. Este é um grupo curioso, pois também todas elas são marcadamente alongadas, especialmente depois de um observação mais cuidada usando um pouco mais de magnificação. As espirais Messier 65 e Messier 66 são os vértices mais brilhantes deste triângulo rectângulo formado com a maior e bem menos brilhante NGC 3628 , que apesar de ter uma magnitude de 9.5, não será o parâmetro mais aconselhado para ter uma boa estimativa da sua visibilidade porque neste caso o brilho de superfície é de 13.8, um valor algo baixo, daí a sua fraca visibilidade. A NGC 3628 é distintamente alongada, sendo um galáxia vista "de lado". Este grupo à semelhança do anterior também se encontra a cerca de 31 milhões de anos-luz.

Para finalizar a visita a Leão, o Karkoschka aconselhava a visita à galáxia espiral NGC 2903. A sua localização aplica-se perfeitamente a frase "na boca do leão", sendo por tal extremamente fácil de encontrar, não só por isso, mas também por ter um brilho e tamanho aparente invulgarmente grande para um objecto não Messier. De qualquer forma com um 20cm é difícil falhar. Tem uma forma elongada que corresponde em grande parte ao núcleo, não tendo sido possível notar qualquer dos seus braços em espiral.

De seguida passei para a Ursa Maior que estava a passar pelo zénite, decidindo virar para lá a minha atenção e observar os messiers e NGCs brilhantes daquela que é a terceira maior constelação da esfera celeste. A grande Ursa alberga várias dezenas de galáxias, visíveis com telescópios de abertura moderada, mas como habitual, Messier tratou de catalogar as mais brilhantes, assim como umas nebulosas planetárias mais interessantes de se observar: a da Coruja.

Para começar bem e continuar na senda dos pares e trios celestes, fui fazer a vista ao sempre obrigatório par de galáxias Messier 81 e Messier 82 NGC 3031 e 3077 respectivamente.
Este par ainda se pode observar em apenas um grau e meio, embora cada uma na sua extremidade do campo. Mas fora a perda de algum contexto, este par é um dos meus favoritos, não só pela a sua graciosidade, mas pelo o contraste entre formas. A Messier 81 é uma grande nebulosidade com um centro oval e brilhante, notando-se, mas não descriminados os braços bem mais ténues que a brilhante condensação do seu núcleo com um formato oval. A Messier 82 por outro lado, tem um formato quase rectangular, sendo notórias certas falhas ao longo de todo o seu comprimento causadas pela poeira interstelar. Ambas revelam mais detalhe e forma quando observadas com mais magnificação, tendo para tal usado a nagler 9 a 130x, revelando a Messier 81 bem maior do que a mais baixa magnificação.

Esticando ainda mais o campo, é possível observar uma outra galáxia bem mais modesta no tamanho e brilho, a NGC 3077 que não passa de uma pequena nebulosidade que no entanto é facilmente observável. Mais acima da Messier 81 e a cerca de grau e meio, também se pode observar outra pequena nebulosidade sem qualquer detalhe: a galáxia espiral NGC 2976. Todas esta galáxias formam o grupo da Messier 81, encontrando-se relativamente perto a cerca de 13 milhões de anos-luz. Bem afastada deste grupo encontra-se a relativamente fácil de encontrar NGC 2841, uma espiral que se situa perto da teta UMa, a cerca de grau e meio, sendo um pequena difusa um pouco alongada.

De seguida apontei para outro curioso par, mas de distâncias absolutamente díspares. A nebulosa planetária NGC 3587 (Messier 97), também conhecida pela nebulosa da coruja, que quase desta vez fez juz ao seu cognome. A 50x e com filtro UHC, notava-se algumas falhas na intensidade luminosa do disco de formato quase circular desta nebulosa. A 133x com filtro quase que praticamente desaparecia, mas sem filtro era possível reparar em muito breves momentos na falta de uniformidade em algumas das suas zonas, a que corresponderiam talvez aos olhos da coruja. Passei um bom tempo a tentar descortinar os tão cobiçados olhos e fiquei com a ligeira impressão de os ter visto momentaneamente.
Mais em cima e ainda no campo da 24mm estava a NGC 3556 (Messier 108), notoriamente alongada e de brilho pouco uniforme. Está 18000x mais distante que a Messier 97 que ainda dista apenas 2500 anos-luz.

Fiz uma breve passagem pelo ignóbil Messier 40, que é uma estrela dupla que Messier talvez por ter a ocular embaciada julgou ser mais um "nebulosa".
Um pouco mais ao lado fui revisitar o último objecto por mim observado quando fiz a minha primeira ronda pelo catálogo de Messier, a NGC 3992 (Messier 109). Esta galáxia é sinceramente complicada de discernir, mas não de encontrar, pois está bem perto de uma das estrelas brilhantes da Ursa: a gamma UMa. Essa estrela permite localizar facilmente a área da galáxia, mas ao mesmo tempo o seu brilho incomoda a sua detecção. Pelo seu pequeno tamanho e brilho de superfície baixo que ronda os 13.5 de magnitude, torna-se por vezes complicado detectá-la. Lembro-me de a ter visto primeiro num 12" (Merak), para saber do que é que andava à procura, a partir daí deixou de ser difícil. Usando a visão lateral e fazendo sair a gamma UMa do campo da ocular já se torna para mim quase imediata a sua detecção. Não há detalhes a descrever por motivos óbvios.
Finalmente terminei este "tour" pela grande Ursa com a grande espiral NGC 5457 (Messier 101). Esta galáxia requere céus bem mais escuros para se conseguir discernir algum detalhe nos braços. Para além do seu enorme tamanho, pouco mais se pode observar, sendo extremamente difusa, inclusive o próprio núcleo. Num céu de magnitude 6 com um 60mm já vi mais que desta vez com o 20cm.

Acabei a noite numa outra constelação "mamífera" - na Cães de Caça, visitando o fotogénico par de galáxias NGC 5194 (Messier 51) e companheira irregular NGC 5195. Ambas evidenciam núcleos com brilho bastante acentuado, rodeados de nebulosidade que na Messier 51, que em breves flashs se conseguia discernir pelo menos um dos seus braços mais internos.
Finalmente passei um bom quarto de hora a apreciar o brilhante enxame globular NGC 5272 (Messier 3). Este enxame está bastante distanciado de estrelas brilhantes, mas no entanto é fácil de encontrar, bastando fazer uma recta da alfa de Cães (cor Caroli) e a alfa do Boeiro (arcturo) : o enxame está situado quase no meio dessa recta (um pouco mais para o lado da Arcturo). Este globular é magnífico, especialmente quando observado com uma boa magnificação. Usei a zoom nagler a 200x, sendo possível observar diversas "correntes" de estrelas a emanar do núcleo bastante concentrado, brilhante e algo difuso, faltando ainda muitas estrelas por resolver. É um bom substituto do Messier 13 que por enquanto ainda nasce muito tarde.

E pronto, foram duas horas bem passadas aqui no pátio, como já há muito tempo não passava. Pena ser raro e quando acontece, ser sempre num dia de semana de trabalho. Mas um dia não são dias e deve-se aproveitar pra olhar lá para cima sempre que se tiver oportunidade.

Pátio 149 - Lua e Vénus

2004.02.22
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Takahashi FC-60 60mm f/8.3 (500mm) Radian 14mm montagem Teegull Sky Patrol II. Canon G1

O dia acabou com os dois astros mais brilhantes em conjunção: Lua e o cada vez mais brilhante Vénus.

Os crescentes lunares tem a particularidade de tornar possível observar, não só parte iluminada pelo o Sol, como também a parte iluminada pela a Terra.
Na Lua, neste momento Terra está praticamente "cheia", e apresenta um tamanho aparente 4 vezes maior (2 graus). Tendo a Terra um albedo 10x maior resulta numa magnitude de quase -18, daí ser suficiente para iluminar e criar sombras na superfície lunar.

Lua e Vénus - 18:53 UTC
Lua e Vénus 2004-02-22 18:53 UTC
A luz da Terra
A luz da Terra 2004-02-22 1904 UTC
Vénus
Vénus 2004-02-22 19:22 UTC
Com magnitude de -4.2 e diâmetro de 17.11", apresentando uma fase de 67,5% e já com uma elongação de 43.0°, vai a caminho do seu maior afastamento a 29 do próximo mês.
O extremo brilho do planeta conjugado com atmosfera torna as suas imagens sempre um pouco psicadélicas

Atalaia VIII - Júpiter

2004.02.29
Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)
ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x e montagem Takahashi P2Z

Animação de Júpiter recolhida entre as nuvens. Foi pena perder o trânsito de Io e da Grande Mancha Vermelha umas horas antes. Visualmente a turbulência não esteve muito má.

Júpiter - 02:30-02:38 UTC
Júpiter 2004-02-29 02:30-02:38 UTC
Com Europa, Io e Ganimede

Pátio 150 - Halo Lunar

2004.03.03
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1

Quando fui dar uma espreitadela lá fora, deparei com um belo halo lunar que era visível em toda a sua totalidade. Estive admirá-lo durante vários minutos até me lembrar de ir buscar a câmara.
É pena não ter uma objectiva de maior campo, pois a G1 com o zoom no mínimo apenas permite registar metade deste curioso fenómeno atmosférico.

Halo lunar
Halo lunar

Pátio 151 - Júpiter em Oposição e Perigeu

2004.03.04
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
ETX90 90mm f/35 (3150mm) com powermate 2.5x e montagem Takahashi P2Z

Hoje foi o dia em que houve a oposição e perigeu do maior planeta do nosso Sistema Solar, e para assinalar estes eventos, fiz a pequena animação abaixo, apesar das nuvens não terem dado muitas oportunidades.

A oposição aconteceu às 5:05 e o perigeu às 10:00 da manhã, estando Júpiter distanciado 4,42570 unidades astronómicas que correspondem a cerca de 662 milhões de quilómetros.

Júpiter - 21:40-22:40 UTC
Júpiter 2004-03-04 21:40-22:40 UTC
Trânsito da Grande Mancha Vermelha
Júpiter - 21:40-22:40 UTC
Raios cósmicos
Raios cósmicos
Quando estava a tirar este AVI reparei num breve flash a atravessar o ecrã.
Mesmo a 10 fotogramas por segundo apenas ficou regista em duas.
Configuração utilizada
Configuração utilizada
ETX90 montado numa Takahashi P2Z

Pátio 152 - Lua cheia em conjunção com Júpiter

2004.03.06
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1 e dedo indicador esquerdo

Conjunção
Conjunção da Lua com Júpiter 2004-03-06 19:21 UTC
Aqui foi utilizada outra parte do corpo (o dedo), para atenuar a grande de diferença de brilho aparente entre os dois planetas que é uma diferença de 11000x
Já dá para notar algum detalhe na superfície da Lua

Pulo do Lobo III - Maratona de Messier

2004.03.20
Pulo do Lobo - Serpa

Este fim de semana do equinócio da Primavera serviu de palco para os mais diversos eventos e actividades astronómicas.
Para além da própria efeméride do equinócio, em que cujo dia o Sol fica precisamente 12 horas acima e abaixo do horizonte, mas tal não sucedendo devido à refracção atmosférica em que o dia aparentará ser ligeiramente mais longo. Na realidade os dias em que a noite é realmente igual ao dia são 5 ou 6 dias antes (ou após no equinócio de Outono) - este ano aconteceu no dia 15 de Março.

Num feliz acaso, o equinócio aconteceu simultaneamente com a fase da Lua Nova, que é sempre uma ocasião aguardada com alguma ansiedade por quem também gosta de observar o resto do Universo, ainda com a grande conveniência de tudo isto acontecer num fim-de-semana.
Toda esta conjunção favorável de factores fez com que um grande número de aficionados em Astronomia se dedicasse nestes dias, entre outras actividades, a tentar cumprir a Maratona de Messier, ou seja, tentar observar todos os objectos pertencentes à lista deste famoso caça cometas francês do século XVIII, ao longo de uma só noite.

Ao cair da noite, houve um interessante desfilar dos 5 planetas mais brilhantes que se encontravam todos acima do horizonte logo após o crepúsculo.
Começando com o Mercúrio a brilhar com a magnitude -1.1, mas no telescópio parecia estar a ser observado através de um prisma devido à sua baixa altitude.
Este era seguido a uma boa distância por Vénus, que apresentava uma impressionante magnitude de -4.3, e devido à sua presente grande elongação, observava-se uma fase de Quarto com uma nitidez e recorte pouco usual.
Bastante mais modesto, Marte brilhava com apenas 1.3 de magnitude, mas não deixou de ser um dos primeiros pontos de luz a surgir no crepúsculo.
Mais brilhante do que as estrelas da constelação de Gémeos que neste momento o alberga, Saturno apresentava exactamente a magnitude de 0 dando-lhe uma presença bem destacada naquela área do Céu, e apesar de já se terem decorrido alguns meses após a sua oposição, ainda se consegue ter um bom par de horas para observá-lo convenientemente com um telescópio.
E finalmente, o rei dos planetas, Júpiter, que neste momento se deve sentir algo enxovalhado pelo brilho fulgurante, mas no entanto efémero. de Vénus, apresentando uns sólidos -2.5 de magnitude durante praticamente toda a noite.

19/20 Março 2004
Maratona de Messier

Charles MessierA maratona de Messier iniciou-se ainda com o Sol a alguns graus acima do horizonte, de modo a ter tempo para montar o equipamento para não falhar a sempre crítica observação dos primeiros objectos da lista de Messier.
O Céu encontrava-se praticamente limpo, inclusive no horizonte do poente que era o mais importante para um bom início de maratona.
Durante toda a maratona a temperatura e humidade foram relativamente baixas, tendo sido até mesmo agradáveis.

Todos nós já nos encontravámos prontos, mesmo antes do crepúsculo civil que se sucederia às 19:15, tendo entretanto até alguns observado alguns enxames abertos em Cassiopeia (Messier 103 e Messier 52)e Perseu (Messier 34 e a planetária Messier 76).

Maratona

Dos primeiros dez objectos do princípio da lista, sem dúvida que a galáxia Messier 74 em Peixes foi o maior desafio, e sinceramente dei-a por observada com um ponto de interrogação, pois deu-me a vaga impressão de a ter piscado por várias vezes no sítio em que deveria se encontrar.
As três galáxias em Andrómeda Messier 31, Messier 32 e Messier 110 por outro lado não apresentaram grande desafio, assim como as galáxias Messier 33 em Triângulo e Messier 77 em Baleia.

Os objectos seguintes na lista já se encontravam todos relativamente altos e eram fáceis de encontrar e observar, podendo-se já relaxar um pouco e pausadamente ir apreciando grande parte deles, entre outros, os enxames em Cocheiro (Messier 36, Messier 37 e Messier 38), em Orion ficaram dignas de registo a nebulosa Messier 78 que se apresentava bem grande e distinta, atestando uma noite de muito boa transparência, seguida da Messier 42/Messier 43 que no Obsession de 15" se observava em tons azulados e alaranjados respectivamente. Também em Orion foram observados objectos que requerem locais bem escuros, tal como a "Flame" que era observável em qualquer instrumento e a cabeça do Cavalo num dez polegadas com um filtro HBeta na ocular.

Até se chegar ao enxame de galáxias de Coma e Virgem, foi um pouco como "cumprir calendário", passando por todas as galáxias (e estrela dupla) das constelações da Ursa Maior, Cães de Caça e Dragão, salientando o bonito par que fazia a planetária Messier 97 (via-se nitidamente os "olhos" no 15") com a galáxia Messier 108.
A área das constelações de Coma e Virgem iria potencialmente ser a mais confusa devido ao enxame de dezenas de galáxias, que neste céu escuro muitas seriam visíveis com apenas 20cm, mas graças a um plano de observação inteligentemente delineado pelo Alberto tornou-se bastante fácil identificar todas as galáxias Messier no meio de toda daquela amálgama, em que por vezes se podia mais de 7 ou 8 galáxias no campo da ocular. Seguramente que este plano ainda foi maior ajuda nas aberturas maiores. Não demorou muito mais de um quarto de hora para dar baixa a todas estas galáxias à lista.

Depois de cumprida esta secção aguardou-se até que Messier 68 e Messier 83 da Hidra subissem um bocado mais para finalizarmos a primeira parte da lista, tendo por esta altura praticamente todos nós encontrado e observado quase dois terços da lista, e a totalidade das suas galáxias. De seguida fizemos um intervalo para comer e conversar um bocado.

A segunda parte só se iria iniciar 2 ou 3 horas após, devido ao facto da maior parte dos objectos ainda se encontrarem a baixa altitude. Cada um aproveitou este intervalo para observar com mais atenção alguns objectos dentro dos quais destaco a Messier 51 e companheira das quais tive a melhor vista de sempre, a galáxia Centauro A e o grandioso globular Omega Centauri, que no binóculo era simplesmente imponente.

Outros aproveitaram para dormitar um pouco, apanhar a contagem dos restantes, em especial no caso de um "loco" que estava a fazer a maratona com 3 telescópios e um binóculo simultaneamente! ou então como no meu caso, a usar o binóculo para fazer uma mini-maratona de 1 hora pelos Messiers que estavam visíveis no momento. Foi um bom momento de relaxe.

A segunda parte iniciou-se com vários objectos velhos conhecidos, os globulares Messier 13 e Messier 92 em Hércules e Messier 71 em Seta, seguidos dos enxames abertos Messier 29 e Messier 9 em Cisne e a planetária Messier 27 em Raposa. Entretanto a cabeça do Escorpião já se começava a erguer assim como os globulares Messier 80 e Messier 4, também sendo possível observar os também globulares na parte central de Ofiúco - Messier 10, Messier 12, Messier 14 e Messier 107. O Messier e Messier 7 deram uma das melhores vistas binoculares que tenho memória - muito bem enquadrados nos 7 graus e meio de campo do binóculo 7x50.

De seguida, passou-se "ao ataque" de objectos nos braços da nossa Galáxia, começando por cima em Escudo com os enxames abertos Messier 11 (estava fabuloso) e Messier 26, saltando à Serpente para observar o solitário Messier Messier 16, e desbastando por aí abaixo toda constelação de Sagitário, até se aguardar que os globulares da base do "pote" se colocassem um bocado mais altos.

Dos últimos sete objectos da lista, os globulares Messier 2 em Aquário e Messier 15 em Pégaso foram bastante fáceis, mas depois fiquei encalhado no globular Messier 75, no qual perdi demasiados e preciosos minutos para o tentar encontrar, assim como no globular Messier 55. Este globulares são fáceis de encontrar, mas a neblina que se fazia sentir no Nascente, assim como o céu que já estava a ficar claro demais, já não me permitiram diferenciá-los das estrelas. Quando dei por ela já não valia a pena sequer procurar pelo Messier 72 e Messier 73.
Foram momentos algo desesperantes que tiveram o efeito de ter ficado subitamente com o vocabulário bastante colorido :), e por fim, ter desistido quando já só se conseguia ver estrelas de primeira magnitude.

Maratona

No que me diz respeito, ficaram por observar os globulares Messier 55 e Messier 75 em Escorpião, o globular Messier 72 e as 4 estrelas de Messier 73 em Aquário e finalmente o infame globular Messier 30 em Capricórnio, que nenhum de nós conseguiu observar devido a estar extremamente baixo.
Cinco Messiers aquém do objectivo, o que foi pena. Resta celebrar os 105 Messiers em conjunto com todos os outros objectos observados. Foi, apesar de tudo, uma longa e boa refrescadela do céu profundo na companhia de amigos.

A maratona de Messier é essencialmente uma prova de resistência, pois para quem possua algum conhecimento do céu, simplesmente terá que apenas lutar contra a rotação da Terra, estando no mínimo garantidas pelo menos 11 a 12 horas de observação, razão pela qual se pode tornar cansativo - mas julgo que ninguém prestou atenção ao cansaço.
Na realidade observa-se bastante mais objectos para além dos de Messier, e arrisco a afirmar que provavelmente se observou várias dúzias de não Messiers, dependendo da abertura utilizada.

Um destes anos é para tentar outra vez...

20/21 Março 2004
Astrofotografia

Nesta noite, ainda mais companheiros se juntaram ao grupo, tendo também algum deles efectuado a maratona, mas infelizmente a noite não esteve tão favorável, havendo mais nuvens e com neblinas ainda mais altas.
No entanto parecia que naquele monte se estava a realizar um grande encontro de Astronomia, o que de resto, não deixou ser verdade, pois tinha muito mais telescópios que a grande maioria.
Estavam nada mais nada menos que dois 18" um 15", três de 12", dois ou três 10",outros tantos de 8" e 6", e ainda Maks de 5",6" e 7", e finalmente um refractor APO de 175mm e obviamente o meu takito.

Passei a noite a fotografar constelações "às cavalitas" com a câmara fotográfica e objectiva de 50mm, e enquanto ficava em exposição, ia dando algumas espreitadelas nos telescópios em redor, especialmente no apo de 7 polegadas, que proporcionou impressionantes imagens dos gigantes gasosos.

Já para o fim da noite, fui experimentar a ATIK-1HS com o Takito montado na Takahashi P2Z resultando nas imagens abaixo, que até ficaram decentes para o tempo de exposição, 12 minutos cada (12x1 min.).

Trio de Leão - Messier 65, Messier 66 e NGC 3628
Trio de Leão - Messier 65, Messier 66 e NGC 3628
Messier 104 "Sombrero"
Messier 104 "Sombrero"
Messier 101
Messier 101

Ainda mais fotos e relatos em http://www.atalaia.org/.

Capuchos XI - Planetas em conjunção - Lua, Mercúrio, Vénus e Marte

2004.03.22
Capuchos - Leiria
Canon G1

Mercúrio, Lua, Vénus e Marte em conjunção
Mercúrio, Lua, Vénus e Marte em conjunção 2004-03-22 19:47 UTC
Lua e Mercúrio
Lua e Mercúrio 2004-03-22 20:03 UTC

Pátio 153 - Planetas em conjunção - Lua e Vénus

2004.03.24
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1

Lua e Vénus (mosaico)
Lua e Vénus (mosaico) 2004-03-24 20:48 UTC

Pátio 154 - Planetas em conjunção - Lua e Marte

2004.03.25
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1

Lua e Marte
Lua e Marte 2004-03-25 21:17 UTC


Pátio 155 - Planetas em conjunção - Lua e Júpiter

2004.04.02 Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1

Lua e Júpiter
Lua e Júpiter 2004-04-02 22:32 UTC

Aeródromo XVIII - Planetas em conjunção

2004.04.03
Aeródromo da Gândara do Olivais (39.77N 8.82W alt:52m)
Canon G1, Takahashi FC-60 60mm e Atik-1HS1H

Não é todos os dias que conjunções de planetas com objectos de céu profundo brilhantes acontecem, nesta em particular, as Plêiades (Messier 45) ganharam um brilhante companheiro, Vénus, em jeito de supernova, que vai a caminho da sua máxima elongação (afastamento do Sol) que se dá a 29 deste mês.

Vénus e Plêiades (Messier 45)
Vénus e Plêiades (Messier 45)
Canon G1 a 150mm
Vénus
Vénus 2004-04-03 21:42 UTC
Com magnitude de -4.4 e diâmetro de 24.95", apresentando uma fase de 48%, e já como uma elongação de 45.9°
Takahashi FC-60 60mm f/8.3 (500mm)
com Powermate 5.4x (f/45)

Cometa C/2004 F4 Bradfield

2004.04.24
Marrazes - Leiria
Canon G1 em tripé fixo, Fujinon FMT-SX 7x50.

Um dos cometas observáveis nesta altura ao raiar do dia.
Embora no binóculo 7x50 não se observasse grande parte da longa cauda, a imagem abaixo mostram uma longa cauda entre 3 e 4 graus.

Cometa C/2004 F4 Bradfield e ISS 04:43 UTC
Cometa C/2004 F4 Bradfield e ISS 2004-04-24 04:43 UTC
Canon G1 a 100mm

Atalaia IX - Cometa C/2004 F4 Bradfield

2004.04.25
Colares de Perdizes - Montijo
Canon G1

Nesta madrugada o cometa apresentava uma longa cauda entre 4 a 5 graus de extensão, mas infelizmente não foi possível observá-lo a olho nu.

Cometa C/2004 F4 Bradfield 04:25 UTC
Cometa C/2004 F4 Bradfield 2004-04-25 04:25 UTC
Canon G1 a 100mm

Pátio 156 - Halo solar

2004.04.30
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)
Canon G1, Nikon D70

Halo solar de 22 graus.
Fenómeno atmosférico causado por nuvens altas. São muito frequentes, mas um bocado difíceis (e perigosos) de fotografar.

Halo solar

S.Pedro de Moel XI - Cometa C/2001 Q4 NEAT

2004.05.07
S.Pedro de Moel
Nikon D70, Fujinon FMT-SX 7x50

Fim de tarde no miradouro da praia de S. Pedro de Moel para tentar registar um dos mais brilhantes cometas dos últimos tempos.
O cometa foi visível a olho a nu estando bastante perto da alfa do Unicórnio, sendo possível observá-lo no binóculo mesmo antes do crepúsculo náutico.
Não apresenta uma grande cauda, mas tem no entanto tem uma coma de grande dimensão e muito brilhante. Comparando com a alfa de Unicórnio, custa a crer que o cometa tivesse a magnitude estimada de 0.9. Mesmo desfocando a Procyon de 0.4 magnitude (os Fujinon como tem foco individual para cada olho são bastante jeitosos para estas estimativas), o cometa era notoriamente mais ténue. Não lhe daria mais de 2.5-3 de magnitude integrada. De qualquer modo, é um dos mais brilhantes depois do Ikeya-Zang em 2002.
Lá perto estavam os enxames abertos Messier 46 e Messier 47.

Farol
Farol
Nikon D70 50mm f/4 8 seg. ISO 200
Ok estava a estrear a Nikon - a imagem saiu assim da máquina
Vénus
Vénus
Nikon D70 50mm f/4 8 seg. 200 ISO
Uma "estrela" toda farfalhuda
Cometa C/2001 Q4 NEAT 21:30 UTC
Cometa C/2001 Q4 NEAT 2004-05-07 21:30 UTC
Nikon D70 50mm f/4 8x30 seg. 1600 ISO
Cometa C/2001 Q4 NEAT 20:47 UTC
Cometa C/2001 Q4 NEAT 2004-05-07 20:47 UTC
Nikon D70 zoom 80mm f/5.6 10x30 seg. 1000 ISO
As imagens foram empilhadas centradas na coma do cometa, e embora não tenham passado muito mais de cinco minutos nesta série, é bem notório o movimento do cometa em relação às estrelas

Pátio 157 - Cometa C/2001 Q4 NEAT

2004.05.08
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Embora com muitas nuvens altas, ainda foi possível fazer imagem deste cometa mesmo com as luzes da cidade de Leiria quase por baixo.

Cometa C/2001 Q4 NEAT 20:36 UTC
Cometa C/2001 Q4 NEAT 2004-05-08 20:36 UTC
Nikon D70 50mm f/4 3x30 seg. 1000 ISO

Pátio 158 - Cometa C/2001 Q4 NEAT

2004.05.11
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Cometa C/2001 Q4 NEAT 20:23 UTC
Cometa C/2001 Q4 NEAT 2004-05-11 20:23 UTC
Takahashi FC-60 f/6 (360mm)
exp: 11x30 + 4x60 seg. ISO 1600
Cometa C/2001 Q4 NEAT 20:31-36 UTC
Cometa C/2001 Q4 NEAT 2004-05-11 20:31-36 UTC
Takahashi FC-60 f/6 (360mm)
exp: 4x60 seg. 1600 ISO

Pátio 159 - Cometa C/2001 Q4 NEAT

2004.05.15
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Cometa C/2001 Q4 NEAT & Messier 44 2004-05-15 21:00 UTC
Cometa C/2001 Q4 NEAT & Messier 44 2004-05-15 21:00 UTC
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm)
exp: 1x120 seg. 400 ISO
Vénus
Vénus 2004-05-15 19:25 UTC
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + Nikon D70
Equipamento
Equipamento
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm), Takahashi Takahashi P2Z , Berlebach, Nikon D70

Pátio 160 - Messier 13 e Albireo

2004.05.25
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Noite aberta, mas já com um crescente lunar bem acentuado e pouca transparência devido a neblinas altas, estas condições permitiam apenas um céu com magnitude visual que não ultrapassava de 4.
A tradicional "maldição" de céu encoberto parece também se aplicar ao equipamento de imagem - ainda não consegui ter uma única noite sob céu escuro...
Mas para ir treinando tanto a aquisição como o processamento de imagens a cores, decidi tentar pela a primeira vez fazer a imagem do tradicional globular Messier 13 em Hércules usando a DSLR (Digital Single Reflex Lens) Nikon D70 e o Taka FC-60.

Os enxames globulares são objectos relativamente fáceis de capturar, necessitando de relativo pouco tempo de exposição para revelarem a sua natureza. A maior dificuldade é até mesmo o excesso de exposição, podendo ficar o núcleo "queimado" e também as estrelas saturarem, perdendo assim as suas cores.
Depois de alguns testes cheguei ao valor de 120 segundos por exposição a ISO 800, que era um bom equilíbrio entre o ruído, seguimento, rácio focal, condições atmosféricas e locais, e por fim a imagem obtida.

Uma das primeiras dificuldades é a focagem propriamente dita, que à semelhança dos CCDs refrigerados é necessário esperar algum tempo pela imagem (embora por razões diferentes).
Com a Nikon usando o controlo remoto com o portátil é operação para durar no mínimo 10 segundos para cada imagem em jpeg na maior compressão (cerca de 700Kb cada) sendo depois necessário analisar a focagem no ecrã com qualquer programa de gráficos. O TFT da câmara é praticamente inútil para avaliar correctamente a focagem porque o "zoom" de visualização é demasiado pequeno.
Neste aspecto as webcams deixaram-me mal habituado, pois a imagem surge praticamente em contínuo sendo de longe bem menos penosa a sua focagem.

De seguida, faz-se umas exposições para verificar se a montagem está equilibrada, e logo após é iniciada a tediosa tarefa de cronometrar as diversas exposições, para a qual estou a utilizar preguiçosamente o relógio "analógico" do Windows. Infelizmente o controlo remoto por USB apenas permite exposições até 30 segundos, tendo-se que usar o controlo remoto de infra vermelhos para abrir e fechar o obturador para exposições com maior duração.

O processamento da imagem é praticamente todo feito usando o IRIS do Christian Buil (http://www.astrosurf.com/buil) que apesar do interface de utilizador pouco ortodoxo é um programa com bastante funcionalidades para tratar imagens de 48 bits de grande formato.
É possível converter, calibrar, registar e acumular imagens RGB 48 bits com meia dúzia de comandos. A quantidade de espaço que necessita pode-se considerar enorme : para 10 imagens é necessário pelo menos 2 gigabytes! e de pelo menos uma boa meia hora até chegar à imagem final pré-processada (Pentium 933 MHz 512M mem) .

A imagem abaixo embora de pouca profundidade, pelo menos ainda ficaram alguma das cores das estrelas, não sendo comparável nestes aspectos a outra imagem de Messier 13 que fiz com a ATIK-1HS precisamente com o mesmo telescópio e praticamente nas mesmas condições. A webcam é definitivamente bem mais sensível, mas os 2 graus por 1 grau e meio de campo que CCD da D70 disponibiliza (na distância focal utilizada) são realmente imbatíveis para enquadrar e dar contexto aos objectos capturados.

M13 e NGC 6207
Messier 13 e NGC 6207
Takahashi FC-60 60mm f/10.67 (640mm) + Nikon D70 2.51"
exp: 10x120 seg. 800 ISO (mode3)
Beta Cygni - Albireo
Beta Cygni - Albireo
Takahashi FC-60 60mm f/10.67 (640mm) + Nikon D70 2.51"
exp: 60 seg. 200 ISO (mode3)

Pátio 161 - Iridium 40

2004.06.02
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Noite de Lua cheia para registar este satélite iridium com magnitude de -6 e altitude como o Heavens Above previu. Os "flares de Iridium têm picos que não ultrapassam os 4, 5 segundos de duração.
Teve de facto, um brilho aproximado do previsto (talvez menos) e estendeu-se por 7 ou 8 graus (um punho com o braço estendido) e a olho nu, cerca de 10 segundos.

Iridium 40 23:51
Iridium 40 23:51
24 seg. ISO 200>

Trânsito de Vénus

2004.06.08
Sra.do Monte, Leiria - Portugal 6:20 and 12:25 (UT)

Este tão esperado evento astronómico aconteceu num dia que se pode considerar praticamente perfeito, com céu limpo por todo o País e durante todo o evento. As condições meteorológicas eram realmente o único aspecto que poderia impedir presenciar tão raro e único evento.

Tudo começou algumas horas antes, com a carga do carro com o equipamento, estando pronto a seguir os buracos nas nuvens se fosse caso disso, mas as imagens de satélite perto das 3 das manhã eram bastante animadoras (felizmente ao contrário das previsões em vários websites), e lá arranquei para a Sra. do Monte em Cortes, de modo a chegar a tempo de ainda poder ver a estrela Polar para alinhar a montagem.

O nascer do Sol marcou o início de algo não presenciado pela Humanidade faz mais de 120 anos, não somente importante por este facto, mas sim porque este trânsito, é só por si um evento impressionante - até poderia acontecer todos os anos, porque não deixaria de ser uma bela demonstração da mecânica do nosso Sistema Solar, logo o desejo de presenciar na primeira pessoa foi forte.
Houve a inevitável excitação e azáfama natural de querer observar, apreciar e registar simultaneamente uma cena que nunca mais se irá repetir na vida. Existem momentos únicos e este foi um deles.

O Sol ás 5:23 UTC a 2 graus de altitude
O Sol ás 5:23 UTC a 2 graus de altitude
Disco solar ainda uma tanto "abatatado" pela refracção atmosférica e turbulência.
O trânsito já se tinha iniciado...

Foi possível fazer imagem o Sol antes de Vénus começar "a morder" o limbo, mas a turbulência e nuvens não deixou obter imagens muito nítidas, mas no entanto proporcionou várias imagens do Sol fortemente distorcido.

Deixei as máquinas a registar o famoso "efeito de gota" que ficou até bastante perceptível na animação do ingresso. Realmente, julgo que o efeito de gota está bastante relacionado com a turbulência, pois no caso do egresso não consegui detectar tal efeito nem nas imagens nem visualmente.

O efeito de "gota"
O efeito de "gota"
Nesta altura já o disco de Vénus estava completamente ingressado.
A turbulência pode não ser a única causa mas pode exacerbar bastante o efeito de "gota"

Mesmo após ter visto simulações e imagens sobre o evento, nada me preparou para aquele enorme disco absolutamente negro e perfeito quando havia momentos de pouca turbulência. A sensação visual e tridimensional acho que será irreproduzível.
Estando habituado a observar o Sol praticamente todos os dias, achei esta "mancha preta" realmente insólita e fora de comum. Durante o trânsito foram várias as vezes que me pus a apreciar tal espectáculo, intercalando com pequenas sonecas interrompidas pelo o alarme de 12 em 12 minutos para ir fazer mais uma imagem.

Até que chegaram os derradeiros momentos do trânsito e mais uma vez a azáfama foi grande. Um dos telescópios (Tak FC-60) ficou encarregado de fazer imagens de 10 em 10 segundos enquanto no ETX90 fui intercalando com registo de filmes e observação visual.
Foi uma longa e excitante sessão, num dia perfeito em não faltou ar puro e Sol para o primeiro bronzeado do ano.

As imagens e animações abaixo são a recordação material que fica para mais tarde apreciar e relembrar e obviamente partilhar por todos os que se fascinam com estes momentos.

Nota importante:
Em todas as imagens e observações foram utilizados com filtros solares apropriados para a observação visual do Sol através de um telescópio. Estes filtros só deixam passar 0.00001% da intensidade da luz, assim como bloqueiam completamente as radiações nocivas, tais como os UV.

Trânsito 05:45 - 11:00 UTC Animação de ingresso
Animação de ingresso
 
Animação do trânsito
Animação do trânsito



Animação de egresso
Animação de egresso
Animação de egresso
(centrada no planeta)
Trânsito 05:45 - 11:00 UTC
Animação com intervalos ~12 minutos
As animações do ingresso e egresso foram espaçadas em 10 segundos

Foi pena não estarem presentes manchas suficientemente grandes e escuras para contrastarem com a silhueta de Vénus, pois tornaria ainda mais interessante para quem observasse o Sol pela a primeira vez. Tive esperança que os grupos 0627 e 0628 se desenvolveriam mais, mas tal não ocorreu o que é normal para actual fase do ciclo solar.

A meio do trânsito
A meio do trânsito
Takahashi FC-60 + ExtQ 1.6x f/12.4 (745mm) + Nikon D70

Tendo Vénus praticamente o mesmo diâmetro da Terra, esta silhueta tem o tamanho do nosso próprio planeta se observado a cerca de 43 milhões de quilómetros. Mas ainda mais espantoso é que o Sol ainda se encontrava mais de 100 milhões de quilómetros atrás... tudo fica anão ao pé do Sol. Se hipoteticamente transportássemos a sombra até à "superfície" do Sol a silhueta não seria muito que metade da distância entre as duas maiores manchas solares presentes na imagem acima (ao centro).

Path
O Caminho
Dos melhores momentos do trânsito
Dos melhores momentos do trânsito
O efeito 3d no final do trânsito era bastante acentuado pelo escurecimento do limbo.

Tempos dos contactos

Contacto III - 11:06:04 UTC
Contacto III - 11:06:04 UTC
Contacto IV - 11:25:08 UTC
Contacto IV - 11:25:08 UTC

Cálculo da distância Terra-Sol (VT-2004 Observation Campaign)

em http://vt2004.imcce.fr/vt2004i/Index.php

Cálculo da distância Terra-Sol
Vistas do local e equipamento

Vistas do local e equipamento

Vistas do local e equipamento

Vistas do local e equipamento
A Sra. do Monte é dos locais com maior altitude (400 metros) nos arredores de Leiria, por tal, tem um bom horizonte para o Nascente e Poente. Foi pena as neblinas e nuvens no início do evento. Um grande e arisco sardão também se fartou de apanhar Sol

* para saber mais detalhes relativos a este evento ver http://www.tv2004.org/

Pátio 162 - Messier 27 - Atik vs Nikon D70

2004.06.15
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

As noites tem sido bastante límpidas aqui no pátio, e resolvi fazer um mini comparativo entre a Atik-1hs e a Nikon D70 numa das maiores nebulosas planetárias do nosso céu - a Messier 27.

A noite não chegava a 5 de magnitude limite visual, que é na prática o melhor que se consegue aqui no pátio, mas só era possível observar acima do Equador Celeste, tanto por obstrução (completamente rodeado de casas) quer por luzes dos vizinhos.

As imagens têm sensivelmente o mesmo tempo de integração, e foram feitas com comprimento focal de 500 mm, que corresponde a f/8.33 no pequeno refractor de 60mm . A diferente escala é devido ao tamanho do pixel ser 7.4 microns na D70 e 5.6 microns na Atik. Estavam cerca de 20 graus de temperatura ambiente que não ajudaram muito a evitar o ruído térmico.

É fácil verificar qual o campeão da sensibilidade. A Atik ganha por larga margem, sendo possível encontrar estrelas até 18 de magnitude. A D70 ficou-se pelos 15, mas com o bónus de ser a cores. Também o tamanho do pixel da Atik é mais adequado, resultando numa relativa boa amostragem de cerca de 2 segundos de arco, que é a resolução máxima prática de uma abertura de 60mm e também por muitas vezes a praticável com a turbulência normal independentemente da abertura. A DSLR por outro lado, necessita de muito mais luz, a eficiência é talvez uma duas magnitudes menor, sendo portanto obrigatório aberturas bastantes maiores para obter imagens "decentes".

Obviamente, ambas as câmaras beneficiariam de uma abertura maior, não só porque haveria mais ganho de luz, mas sim também por ganho de flexibilidade. Se por exemplo se utiliza-se por exemplo um refractor de 90 com a mesmo comprimento focal (500mm) resultaria numa relação focal de 5.6.
Em termos práticos, resulta que necessitaria metade do tempo de exposição para fazer exactamente as imagens abaixo.
Isto daria flexibilidade para por exemplo baixar o tempo de exposição de cada fotograma, reduzindo assim o ruído térmico tornando as imagens matéria prima muito mais limpas logo à partida. Ao contrário das câmaras refrigeradas, as webcam e dslrs são limitadas no tempo de exposição máximo - cerca de 4 a 5 minutos.

A diminuição do tempo de exposição permite também vencer a maior ou menor precisão de seguimento da montagem, que geralmente é o problema que fica caro de resolver. Tendo a melhor câmara e telescópio do mundo numa montagem não adequada, apenas resulta na obtenção das melhores imagens riscadas do mundo...

A título de curiosidade, cheguei a fazer uma exposição de 4 minutos sem ser visível qualquer arraste (com a D70) - tudo graças à excelente montagem Taka Takahashi P2Z , que embora não tenha as modernices das montagens actuais (Goto, PEC, Autoguiding, motor de declinação e até um simples comando de mão), tem no mínimo o que é o necessário para astrofotografia básica : precisão de seguimento.

Ambas imagens foram processadas no Iris, tendo a imagem da Nikon demorou consideravelmente mais tempo e trabalho a processar, assim como a sua captura não ter o conforto dos automatismos do K3CCD Tools.

M27
Messier 27
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + Nikon D70 3,2"
exp: 6x120 + 4x180 seg. ISO 800 (mode3) mag. 5 mag* ~15
M27
Messier 27
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 20 min. (20x60 seg.)

Pátio 163 - Cisne a sobrevoar o pátio

2004.06.20
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Imagem de 2 minutos feita aqui no pátio através de uma objectiva de 50mm a f/4.

Em volta da Gamma Cygnii
Em volta da Gamma Cygnii
Nikon D70 + 50mm f/4
exp: 1x120 seg. ISO 1600 (mode3)

Pátio 164 - Á volta de Vega

2004.06.23
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Abaixo está uma imagem de Vega (alfa de Lira) na resolução original. Vega está a 25.3 anos-luz, e sua 1.5 massas solares irradiam 54 vezes a luminosidade do nosso Sol, brilhando há "apenas" 385 milhões de anos (2 terços da sua vida esperada). A sua cor é um standard pela qual todas as outras estrelas são comparadas, sendo também a definição de branco e a primeira estrela a ser fotografada em 1850 com um daguerreótipo.
Vega forma o Triângulo de Verão, conjuntamente com a Altair em Àguia e Deneb em Cisne que são as suas respectivas alfas. Tendo em conta a precessão, Vega será daqui a 10000 anos a estrela polar do nosso hemisfério, apesar de não se aproxime mais que 4 graus e meio do polo Norte verdadeiro.

Vega
Vega
Takahashi FC-60 60mm f/6.4 (380mm) + Nikon D70 4,2"
exp: 120 seg. 1600 ISO (mode3) mag. 4 mag* ~14
ngc6675
NGC 6675
Takahashi FC-60 60mm f/6.4 (380mm) + Nikon D70 4,2"
exp: 120 seg. ISO 1600 (mode3) mag. 4 mag* ~14

Pátio 165 - Três Enxames

2004.06.25
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

É praticamente inútil insistir em capturar nebulosas a partir daqui do pátio. O céu não é muito escuro, pouca abertura, e também a baixa sensibilidade da câmara nessa parte do espectro, resultando em imagnes praticamente em "branco" nesses tipos de objectos. É pena, mas enfim, era o esperado...

Sendo assim, a astrofotografia com a DSRL aqui no pátio fica reduzida a enxames e uma ou outra galáxia.
A imagem abaixo, tinha como alvo apenas do enxame de Messier 39, mas na primeira imagem, reparei numa aglomeração "suspeita", que verificando no skymap se tratava no NGC 7082, fazendo também ficar no "retrato" o pequeno mas condensado NGC 7062.
Se existe uma boa característica nas DSLR é o seu gigantesco CCD que permite enquadrar uma área enorme de céu, que nesta imagem 8 graus quadrados (planos) dá bastante contexto a objectos que dele necessita, tal como é o cado do Messier 39.

Enxames Messier 39, NGC 7082 e NGC 7062
Enxames Messier 39, NGC 7082 e NGC 7062
Takahashi FC-60 60mm f/6.4 (380mm) + Nikon D70 4,2"
exp: 120 seg. ISO 1600 (mode3) mag. ~4 mag* ~14

Atalaia X - Quatro paisagens

2004.06.26
Colares de Perdizes - Montijo

A primeira noite sob céu escuro desde há dois meses.
A noite foi curta, não só por ser de Verão, mas também com a Lua já a passar o quarto crescente que apenas se pôs depois das 2 horas da manhã, tendo limitado grande parte da noite para observaçao de difusas.

A partir das 2 da manhã, fiquei entretido a fazer as imagens abaixo, com a curiosidade de ver o que que dali saía. Pelos resultados obtidos, decididamente não vale a pena estragar valioso tempo sob céu escuro com a Nikon D70 e uma abertura tão pequena, pela simples razão de que a combinação é muito pouco eficiente.

A noite foi bastante concorrida, com talvez uma dúzia de telescópios e outras tantas pessoas. Grande parte das quais a fazer imagens, como os monitores dos portáteis não deixavam de denunciar. Alguém que visse a cena de longe poderia muito bem concluir que era com certeza no mínimo um contacto imediato de 2º grau :). Ver aqui imagens que foram lá feitas.

Visualmente, passei a vista com o binóculo pela a região zona de Escudo, Sagitário e Escorpião e no final da noite na majestosa Galáxia de Andrómeda que se estendia por mais de 2 graus, assim como o duplo de Perseu e os enxames de Cassiopeia e Perseu.

Para o fim da noite passou um satélite com brilho oscilante no zénite e também a ISS que fez uma brilhante passagem com uma magnitude seguramente superior a -2, tendo mandado um flash quando já estava a começar a desaparecer. Nunca tinha reparado nesse fenómeno, mas talvez tenha acontecido por ir na direcção do Sol nascente.

Vénus após passados quase 20 dias do seu histórico trânsito, estava bem brilhante com uma magnitude de -4.4 e já distando cerca de 26 graus do Sol fazia companhia das Plêiades tendo também assinalado o início da desmontagem do equipamento.

Galáxias Messier 31 (Andrómeda), Messier 32 e Messier 110
Galáxias Messier 31 (Andrómeda), Messier 32 e Messier 110
Takahashi FC-60 60mm f/6.4 (380mm) + Nikon D70 4,2"
exp: 24 min. (8x180 seg.) ISO 1600 (mode3) mag. ~6

A galáxia de Andrómeda é simplesmente gigantesca, e esta pálida imagem dela não lhe faz grande justiça. Contudo, ainda se pode discernir as faixas de poeira e traços das regiões de formação de estrelas. A gigante azul (Nu Andromedae) em baixo à direita é a terceira estrela que geralmente indica a galáxia em céus menos escuros.

Enxames globulares Messier 4 e NGC 6144
Enxames globulares Messier 4 e NGC 6144
Takahashi FC-60 60mm f/6.4 (380mm) + Nikon D70 4,2"
exp: 12 min. (5x120 seg.) 1600 ISO (mode3) mag. ~6

A paisagem acima achei interessante por conter a fabulosa supergigante vermelha Antares (alfa de Escorpião) a contrastar com um dos mais belos globulares - o Messier 4. Acima está um outro globular bem mais distante e bem menos característico.

Nebulosas Messier "Lagoa" e Messier 0 "Trifida", enxames Messier 21 e NGC 6548, globular NGC 6544 e Bochum 14
Nebulosas Messier 8 "Lagoa" , Messier 20 "Trifida"
enxames Messier 21, NGC6 548, globular NGC 6544, Bochum14
Takahashi FC-60 60mm f/6.4 (380mm) + Nikon D70 4,2"
exp: 8 min. (4x120 seg.) 1600 ISO (mode3) mag. ~6

Uma das áreas mais bonitas do nosso hemisfério. Nesta imagem estão duas das mais coloridas nebulosas, a Messier 8 "Lagôa" e a Messier 20 "Trífida". A Messier 20 sendo de reflexão (azul) e de emissão (vermelha) apresenta um belo contraste rasgado por "rifts" de poeira interestelar. Ao lado da da "Trifida" está o enxame Messier 21 que salta bem à vista com as suas brilhantes estrelas no meio deste mar de estrelas do braço da Galáxia. Interessante também, mas pela sua cor é o globular NGC 6544, que por se encontrar na direcção do centro da Galáxia apresenta um "reddening" muito acentuado causado pela poeira estelar, sendo também um dos mais pequenos globulares conhecidos.

Vénus e Plêiades
Vénus e Plêiades

Pátio 166 - Três pequenas planetárias

2004.07.01
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Noite de Lua praticamente cheia, sendo apenas possível fazer imagem (e de encontrar) de objectos de grande brilho de superfície. As nebulosas planetárias são um dos principais candidatos, pois grande parte delas que embora de pequena dimensão possuem um brilho total bastante forte, sendo possível capturá-las mesmo com um luar que fazia sombra.
Demorou bastante mais tempo colocá-las no campo do CCD do que propriamente a registá-las. Torna-se um pouco complicado dar por elas com apenas 60mm e num céu que não tinha mais de 4 de magnitude, mas meia hora depois lá as encontrava :)

Nas imagens sairam muito pequenas apesar de ter "esticado" o refractor o máximo que era possível. Mas apesar da sua pequenez ainda é possível discernir algum detalhe, os lobos "polares" assim como as respectivas estrelas centrais.
As imagens foram integralmente processadas no IRIS, tendo apenas subtraído um "master dark". atualização 2022: Processadas com Nebulosity 4. Usado "upsampling machine learning" nas imagens aumentadas.

NGC 6543 "Olho de gato"
NGC 6543 "Olho de gato"
NGC 6543 "Olho de gato"
Takahashi FC-60 60mm f/13.8 (830mm) + ATIK-1HS 1.6"
exp: 5 min. (20x15 seg.)

Esta é uma das nebulosas planetárias imortalizada pelo Telescópio espacial Hubble (ver aqui), e agora imortalizada pelo takito também :)). Encontra-se na sinuosa constelação do Dragão e é extremamente brilhante sendo possível suspeitá-la mesmo na mais pequena abertura telescópica, assemelhando-se a uma estrela um pouco gorda e pouco definida. A proximidade de uma estrela de magnitude perto de 10 ajuda a denunciá-la assim como uma boa magnificação. Com maior magnificação e alguma abertura nota-se que é oval. Grandes aberturas podem ver visualmente uma pequena parte do seu halo exterior (previamente catalogado como uma galáxia).Tem apenas 1000 anos de idade e está a 3000 anos-luz.

NGC 6826"Nebulosa Pisca Pisca "
NGC 6826"Nebulosa Pisca Pisca "
NGC 6826"Nebulosa Pisca Pisca "
Takahashi FC-60 60mm f/13.8 (830mm) + ATIK-1HS 1.6"
exp: 5 min. (23x15 seg.) mag 4

Esta planetária reside na segunda metade da asa direita do Cisne e tem a fama de piscar. Obviamente que não pisca, sendo um interessante exercício e demonstração da visão directa e indirecta. Quando se olha directamente geralmente apenas vê-se uma estrela, mas se olhar indirectamente é possível observar a nebulosidade em volta da estrela que ficará ligeiramente atenuada. Para ajudar a observar o efeito pode-se colocar/retirar sucessivamente um filtro nebular á frente do olho. Curiosamente em grandes aberturas pode ser mais complicado, pois concentram tanta luz que observam quase sempre a nebulosidade directa ou indirectamente. Telescópicamente é uma nebulosa cinzento-azulada praticamente circular e com brilho bastante homogéneo... Situa-se a 2200 anos-luz.

Messier 57 "Nebulosa do Anel"
Messier 57 "Nebulosa do Anel"
Takahashi FC-60+ExtQ 1.6x f/12.4 (745mm) + ATIK-1HS 1.6"
exp: 22 min. (22x60 seg.) mag 4

Esta imagem não foi feita nesta sessão, mas coloquei-a aqui para termo de comparação com as duas planetárias anteriores.

Esta nebulosa foi criada por gases expelidos por uma estrela a morrer, estima-se que há 22000 anos. Talvez esta seja planetária mais conhecida e visitada, pois é visível em praticamente todos os telescópios, mas necessita de grande magnificação para se tornar evidente o anel. A estrela central tem a magnitude 15.2 e pode ser visivel em telescópios de 25 cm e acima, desde que em céus de boa qualidade. Está a 1140 anos-luz.

Pátio 167 - Três pequenas planetárias - outra vez

2004.07.03
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Nova sessão, mas desta vez com o ETX90.
Maior abertura mas com relação focal semelhante - em termos fotográficos resulta numa imagem com exposição igual mas com maior escala e possível maior resolução. A resolução efectiva depende não só da resolução do instrumento, mas principalmente da turbulência atmosférica. No caso desta configuração, a imagem tem uma sobre-amostragem (0,9") em relação à resolução teórica máxima do ETX90 que é 1,4", mas no entanto a turbulência que era nitidamente superior a 2" não deixou que se obtivesse o melhor que o ETX poderia proporcionar.

O grande comprimento focal (1300mm) torna a tolerância de seguimento bastante apertada. Por muito baixo que seja o erro periódico da Takahashi P2Z , é notório mesmo em exposições curtas (30 segundos), porque valendo um pixel quase um segundo de arco, a mínima variação é facilmente notada. O balanceamento da carga também é bastante crítico.

Devido à pouca tolerância, cerca de 1/4 das imagens obtidas tiveram que ser descartadas, tanto por ligeiro enlongamento, como pouca nitidez causada pela turbulência.

NGC 6543 "Olho de gato"
NGC 6543 "Olho de gato"
NGC 6543 "Olho de gato"
Meade ETX90 f/14.3 (1283mm) + ATIK-1HS 0.9"
exp: 8.5 min. (34x15 seg.) mag 4
NGC 6826 "Nebulosa Pisca Pisca "
NGC 6826 "Nebulosa Pisca Pisca "

NGC 6826 "Nebulosa Pisca Pisca "
Meade ETX90 f/14.3 (1283mm) + ATIK-1HS 0.9"
exp: 13.5 min. (54x15 seg.) mag 4
Messier 57 "Nebulosa do Anel"
Messier 57 "Nebulosa do Anel"
Meade ETX90 f/14.3 (1283mm) + ATIK-1HS 0.9"
exp: 24.67 min (74x20 seg.) mag 4
Configuração
Configuração
Configuração

Pátio 168 - Pequena sessão pré-luar

2004.07.05
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Nesta sessão utilizei o dob de 20cm. Não pegava nele desde a maratona de Messier em Serpa.
A magnitude limite visual não ultrapassava muito a marca dos 4, havendo pouca transparência devido a demasiado humidade na atmosfera e talvez a algumas nuvens de grande altitude.

Hércules (Hercules)

Depois de ter alinhado o quickfinder em Vega, fui visitar os incondicionais enxames globulares que a constelação de Hércules alberga. O Messier 13 é o rei dos globulares do hemisfério norte, que em certas alturas do ano, e em latitudes ligeiramente mais baixas é impiedosamente destronado pelo Omega Centauri que mesmo em binóculo rivaliza a algumas vistas telescópicas do Messier 13. Nesta sessão não esteve nada de especial, embora se pudesse resolver com facilidade grande parte das estrelas exteriores. Aumentando a magnificação não ajudou a ver as "correntes" de estrelas que parecem irradiar do seu centro quando observada em céus mais escuros. É curioso que visualmente (com uma abertura de 20cm) e no que respeita a globulares de maior dimensão não o considero um dos mais interessantes, classificando-o atrás de por exemplo Messier 5, Messier 11 ou Messier 15. A pequena galáxia vizinha NGC 6207 não esteve visível.
O Messier 92 por outro lado acho-o mais típico, embora seja de dimensão inferior, não deixa de ter uma "personalidade" mais globular, isso devido em grande parte a possuir um núcleo aparentemente mais denso e praticamente irresolúvel. É um dos meus favoritos no 60mm.

Finalmente no que respeita a céu profundo, passei à nebulosa planetária mais notória desta constelação, a NGC 6210.
Esta planetária está situada entre as beta e delta de Hércules que embora pequena, é facilmente perceptível como uma estrela ligeiramente "nebulada" usando apenas 50x de magnificação. Recordo-me de ter tido dificuldades a encontrá-la há alguns anos atrás por a achar algo desacompanhada de estrelas brilhantes. Desta vez foi "tiro e queda".
Para não variar, grande parte da cores prceptidas pessoalmente no que respeita a planetárias variam entre o cinzento e cinzento-azuladas, umas mais azuladas que outras, mas regra geral não fogem muito a esta tonalidades.
Esta me pareceu cinzento intenso com ligeiro toque de azul. Comparativamente com a Messier 57 tem a sensação de aparentemente ser mais brilhante, embora ambas tenham a mesma magnitude integrada (8.8), o brilho é mais concentrado na 6210. A estrela central (12.9) não foi claramente observada, mesmo a 200x.

Geralmente as estrelas não são consideradas objectos de céu profundo, mas a verdade é que muitas destas estrelas são tanto ou mais "profundas" que muitos dos objectos galácticos.
Embora não apreciar muito a imagem das estrelas através de telescópios reflectores devido aos "picos" causados pela a aranha do espelho secundário, fui visitar as duplas seleccionadas por Skiff nesta constelação no Brighst Star Atlas 2000.0 , que foi o guia de observação utilizado nesta sessão.
A estrela supergigante vermelha alfa de Hércules, também conhecida pelo nome árabe de Rasalgethi é onde supostamente está a cabeça deste semi-deus. É das estrelas alfa a menos alfa, a sua importância é mais por aquilo que indica (a cabeça) que propriamente o seu brilho. Sendo vermelha é quase inevitável que varie de brilho e no seu mínimo (magnitude 4) fica relegada para a quinta estrela mais brilhante da constelação.
Não está sozinha pois a apenas 4.6" está uma companheira branca com magnitude 5.4, também esta uma dupla espectroscópica, com a qual faz uma dança que dura mais de 3500 anos. O contraste em conjunto com a pequena separação torna o par uma coisa bonita de se ver.
De seguida foi a vez da rho herculis, que também tendo uma pequena separação (4.1") é constituída por duas estrelas praticamente da mesma cor (brancas) e com diferença de apenas uma magnitude. E por fim observar a excelente dupla dourada binocular kappa herculis com uns confortáveis 26" de separação.

Lira (Lyra)

A constelação da Lira já se encontra bem alta no princípio da noite, anunciando o imenso oceano de estrelas que são os braços da nossa Galáxia. A sua pequenez ajuda a que observadores habituais conheçam bem todos os cantos desta constelação, sendo até possível não se perder a orientação com apenas 1 grau e picos de campo.
De Vega salta-se para as epsilons (dupla-dupla), um bocado mais para o lado encontramos as zetas, andando um pouco mais para baixo chegamos ao enxame da Delta e finalmente ás duplas beta e gamma entre as quais se encontra umas das nebulosas mais emblemáticas do nosso céu : Messier 57, a nebulosa do Anel. Já são incontáveis as vezes que observei esta nebulosa. O filtro astronomik UHC realçou-a enormemente, dando-lhe algum volume num céu absolutamente negro tendo tudo isso sido obtido à custa de uma ou duas magnitudes estelares.
O globular Messier 56 pode-se considerar pouco impressionante tendo em conta a concorrência próxima, mas a sua fácil localização exactamente a meio da recta traçada entre a gamma Lyrae e a beta cygnii (albireo), torna-o num ponto de passagem para a constelação do Cisne.

Cisne (Cygnus)

O Cisne em céus não muitos escuros perde para além das suas nebulosas e restos de supernova, grande parte da sua espectacularidade, ficando com apenas meia dúzia de enxames dignos de observação. O enxame aberto Messier 29 é um deles, que devido à baixa magnitude limite visual destaca-se imediatamente das estrelas dos braços da Galáxia. É um objectos curioso porque em céus escuros pode ser mais complicado discerni-lo no meio de tanta estrela.
Mas o objecto que tinha o meu interesse era nebulosa planetária NGC 6826, pois queria ver quais as impressões visuais após ter sido objecto das pequenas imagens nas sessões anteriores.
Visualmente, tem uma forma praticamente circular e um brilho homogéneo, isto por muita magnificação que lhe desse. O filtro UHC destacava mais mas no entanto não adicionava mais nenhum detalhe. É curioso a tendência que tenho de observar automaticamente com visão indirecta, pois via sempre a nebulosa! Vi-me tramado para ver apenas a estrela! pois é, neste momento tenho que fazer um esforço para observar com visão directa :). No meu caso descobri que olhando ligeiramente para cima conseguia fazer o tão curioso efeito pisca-pisca.
Uma outra planetária brilhante é a NGC 7027 que se situa abaixo da Deneb fazendo triângulo com Xi e a Nu. A 130x nota-se uma forma com alongamento acentuado quase rectangular sendo um das extremidades bastante mais brilhante - dava a sensação de ser uma planetária dupla - se é que tal coisa possa existir.
Tentei magnificações entre 200x e 400x com e sem filtro UHC, fazendo evidenciar ainda mais esse "nódulo" na extremidade. Esta planetária é muito jovem, ainda não dispersou completamente as poeiras, havendo apenas uma parte menos densa que deixa passar um pouco das emissões OIII, que corresponde provavelmente ao nódulo brilhante observado. Uma "lagarta" que brevemente se metamorfose-á em mais uma das magníficas borboletas celestiais.

Dragão (Draco)

Nesta constelação fui observar a também anteriormente registada NGC 6543, a Olho de Gato. É muito brilhante, e notoriamente alongada, notando alguma diferenciação no brilho da nebulosa, mas nada que se pareça com as imagens. O filtro UHC também não ajudou muito, assim como maior magnificação.

Ofiúco (Ophiuchus)

Ofiúco à semelhança das constelações que nesta altura do ano são observáveis, alberga uma generosa colecção de enxames globulares e nebulosas planetárias.
Devido ao facto de passar "por cima" do globo de poluição luminosa da cidade de Leiria, as observações de objectos foram muito pouco gratificantes, mas de qualquer modo fiz uma breve passagem pelos globulares de Messier 107, 14, 10, 9 e 12. Todos eles muito aquém do que realmente se pode observar, tendo as impressões variado entre a completa indefinição a alguma resolução na periferia.
Como as planetárias foram alvos preferenciais dadas as condições, aceitei a sugestão do BSA e fui tentar encontrar a NGC 6572, que no entanto deu uma boa luta. A procura com a magnificação 50x revelou-se infrutífera. Passei então para 130x e lá a consegui distinguir de um mero ponto estelar. A melhor vista foi a 200x, revelando ser uma pequena e brilhante oval cinzenta sem qualquer detalhe visível.

Raposa (Vulpecula)

Esta modesta constelação contém um dos maiores tesouros do céu . A planetária Messier 27 esteve especialmente impressionante com o filtro UHC (estes filtros valem bem o que custam em alguns objectos). Embora não comparável às imagens, as características mais notórias foram facilmente observadas mesmo a 50x , tais como a forma de hélice ou maçã roída. Um objecto incondicional.

Pátio 169 - O Cabide

2004.07.06
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

A primeira tentativa de um dos objectos interessantes de observar com o binóculo na constelação da Raposa. Também conhecido por enxame de Brocchi (que desenhava cartas para o AAVSO) ou Al Sufis (astrónomo persa que primeiro o descreveu), não é um verdadeiro enxame, mas sim um curioso acaso de estrelas não relacionadas, sendo portanto um asterismo.
O cabide na imagem está de pernas para o ar, e é possível observar o pequeno enxame aberto NGC 6802 na ponta esquerda do "cabide".

Collinder 399 "Cabide"
Collinder 399 "Cabide"
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + Nikon D70 3,2"
exp: 4x60 seg. 800 ISO (mode3) mag. 5 mag* ~15
Beta Cygni - Albireo
Beta Cygni - Albireo
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + Nikon D70 3,2"
exp: 30 seg. 200 ISO (mode3) mag 5 mag* ~15

Atalaia XI - Sol, planetas e mais paisagens

2004.07.10
Lisboa (Parque Eduardo VII) e Colares de Perdizes - Montijo

Quando parti de Leiria em direcção a Lisboa, estava a chover pingo grosso, não dando muita esperança de conseguir ver como os novíssimos e relativamente mais em conta PSTs de 40mm da Coronado se portavam no Sol. Tal no entanto não impediu que ainda aparecessem uma dúzia de conhecidos curiosos, que se guerreavam para conseguir observar o Sol em H-alpha nos buracos que de vez enquanto iam aparecendo nas nuvens.
Embora o PST por si só já proporcionasse vistas bastante satisfatórias, quando usado com outro filtro h-alpha em "double-stacking" ofereceu vistas com um detalhe bastante mais refinado, embora o filtro de 60mm fosse um bom bocado mais brilhante. A construção do PST é muito boa e os 600 e tal euros já permite pelo menos sonhar em possuir um deles...

Mais tarde, eu o Zé, o Alberto, o Filipe e o Alfonso, fomos ainda de "madrugada" para Colares de Perdizes para observarmos e registarmos uma invulgar conjunção de planetas. Fomos cedo para montar e preparar o equipamento com calma, sobrando ainda algum tempo para apreciar o magnífico pôr do Sol e fazer umas brincadeiras.

Os planetas em questão eram Mercúrio e Marte que neste dia chegariam a estar a apenas 12 minutos de arco distanciados. Mercúrio com -0.2 de 6" de diâmetro de magnitude e Marte com 1.8 e 3,65" estariam apenas distanciados de 10 minutos de arco às 23:38, obviamente já bem abaixo de horizonte a esta hora.

Não é todos os dias que se consegue observar dois planetas no mesmo campo da ocular a 125x. Era perfeitamente perceptível a fase de 70% de Mercúrio e o laranja vivo de Marte, embora nenhum deles estivesse lá muito favorável para uma observação mais detalhada, quer devido ao seu corrente tamanho, quer devido à turbulência devida à baixa altitude (apenas 15 graus no início da observação). No binóculo a 10x fizeram um curioso par.
Mas no entanto, o primeiro planeta a ser observado foi Júpiter no Obsession 15", ainda com o Sol bem acima do horizonte - com um pouco de persistência, é possível ver perfeitamente observar os planetas brilhantes - o problema é mesmo encontrá-los tendo apenas os dedos da mão para o fazê-lo...

Mercúrio e Marte 20:32 UTC
Mercúrio e Marte 2004-07-10 20:32 UTC

Depois da observação desta conjunção, seguiu-se a tradicional petiscada crepuscular, onde se come, bebe e se fala de Astronomia até ao crepúsculo astronómico. Entretanto, ia chegando cada vez mais pessoas, juntando-se a nós para mais uma noitada sob as estrelas.

A noite não começou mal, sendo possível ver os braços da Via Láctea de ponta a ponta, mesmo sem ter ainda grande adaptação da visão nocturna. Como se fazia sentir algum vento, dediquei-me a fazer imagens "em cima do porquinho" com a Nikon D70 e uma objectiva de 50mm a f/2.8, configuração que mesmo com algumas rabanadas fortes, não me pareceu ter afectado muito as imagens, com excepção da correção não muito boa nos cantos.

A imagem da área de Sagitário abaixo tem presentes nada mais nada menos que 15 Messiers, a enfeitar as imensas nuvens de estrelas e poeira interestelar que tornam esta área próxima do centro da Galáxia espectacularmente caótica.

Mau tempo em Sagitário...
Mau tempo em Sagitário...
Nikon D70 + 50mm f/2.8
exp: 4x130 seg. 800 ISO (mode3)

De seguida apontei para a nebulosa "América do Norte" NGC 7000 e redondezas. Não estava com muita esperança de apanhar grande nebulosidade, devido ao facto da câmara não ser praticamente sensível na região do h-alpha, mas tentei na mesma e saiu a imagem abaixo, que para tentar salientar as (poucas) nebulosidades está um pouco sobre-processada para o meu gosto.

Em volta da Alpha e Gamma Cygnii
Em volta da Alpha e Gamma Cygnii
Nikon D70 + 50mm f/2.8
exp: 4x240 seg. 1600 ISO (mode3)

Lá perto, o Alberto mostrava a todos as "Véus" de Cisne no Obsession de 15". As Véus são absolutamente sublimes neste instrumento com filtro OIII.

Infelizmente a noite acabou cedo. Nem era 1 da manhã é já praticamente o céu estava todo encoberto. Arrumámos todos um pouco desconsolados e abalámos para as também tradicionais bombas da Ponte Vasco da Gama.
Vénus está neste momento extremamente brilhante com uma impressionante magnitude de -4.5 e serviu de companhia no regresso a Leiria.

Barragem da Póvoa - Nebulosas com alguma neblina

2004.07.16
Barragem da Póvoa - Castelo de Vide

Pela segunda vez, fui um dia antes do Astrovide para a barragem da Póvoa para fazer imagens. A noite esteve longe de ser excelente, havendo neblinas que felizmente não subiram demasiado, permitindo fazer algumas imagens que são impossíveis de fazer no pátio.

Cheguei ainda de dia, montando o iglo e montagem, apreciando pausadamente o calmo anoitecer, seguindo também, o exemplo das cegonhas que estavam a jantar.

Nebulosas com alguma neblina

Logo após a estrela polar ter ficado visível, alinhei a montagem e procedi à tediosa focagem da Nikon D70, de modo a começar imediatamente a fazer imagem logo após o crepúsculo astronómico.
Para evitar o fabuloso holofote branco a 50 metros, montei o equipamento estrategicamente atrás das árvores, embora tal impedisse também grande parte do horizonte Sul.
Cerca das onze e meia chegaram o Mário Santos, Nuno Coimbra e Rui Santos , que após montarem as tendas, montaram também os seus telescópios, Meade LX90 e LXD55 de 8".

Por volta das 4 da matina o céu fechou completamente, e fomos tentar dormir um pouco.

Messier 8 "Nebulosa da Lagoa"
Messier 8 "Nebulosa da Lagoa"
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + Nikon D70 3,2"
exp: 30 min. (6x120 + 6x180 seg.) mag 6
Messier 8 "Nebulosa da Lagoa"
Messier 8 "Nebulosa da Lagoa"
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 20 min. (20x60 seg.)

Um objecto para todas as aberturas, mas é principalmente espectacular com filtro OIII numa grande abertura e baixa magnificação. A ponte de poeira que atravessa a nebulosa é facilmente perceptível. Na imagem são facilmente observáveis vários glóbulos de Bok, onde se julga existir formação de estrelas. Situa-se a 5200 anos-luz.

Messier 0"Trífida"
Messier 20 "Trífida"
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 20 min. (20x60 seg.)

Um esplêndido objecto para imagem. A Messier 20 sendo simultaneamente de reflexão (azul) e de emissão (vermelha), apresenta um belo contraste rasgado por "rifts" de poeira interestela. Com filtro OIII e alguma abertura, é possível observar as falhas que lhe dão a alcunha. Situa-se a 6700 anos-luz.

NGC 7293 "Helix"
NGC 7293 "Helix"
Takahashi FC-60 f/4.2 (250mm)+ATIK-1HS 4.7"
exp: 60 min. (30x120 seg.)

Esta é uma das nebulosas planetárias mais próxima de nós, estando a apenas 522 anos-luz, graças ao qual também aparenta ser a maior. Requere céu escuro, sendo então possível observá-la facilmente até com binóculo, apesar de nas nossas latitudes seja um objecto bastante baixo, ficando geralmente algo afogado nas neblinas do horizonte.
A sua magnitude de 7.3 é algo enganadora, pois espalha-se por uma superfície que se pode considerar enorme (4x a área de Messier 27). Com as condições certas, é possível observá-la em qualquer instrumento, embora numa grande abertura com filtro OIII revele grande parte da sua estrutura anular.

Messier 30
Messier 30
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 9 min. (18x30 seg.)

Pequeno globular e único Messier na constelação de Capricórnio, sendo o sempre desesperante último objecto duma maratona de Messier. Três correntes de estrelas brilhantes parecem emergir do núcleo. Está a 26700 anos-luz.

Astrovide III

2004.07.17
Barragem da Póvoa - Castelo de Vide

A parte diurna do AstroVide passei-a em Castelo de Vide, onde se realizaram palestras e estiveram também exposição de equipamento das lojas Perseu e da Brightstar.
A meio da tarde estiveram disponíveis vários telescópios e binóculos para observação do Sol, tanto em luz branca como em H-alpha.

Sol em H-alpha
Sol em H-alpha
Sol através de um Coronado PST. Este filtros h-alpha dão vistas bastante interessantes a preços relativamente baixos. H-alpha para o povo...
Por ter tantas pessoas a querer observar, não foi possível obter melhor imagem do que a acima, que está ligeiramente desfocada e descentrada, não fazendo portanto muita justiça ao que o PST pode mostrar.
A caminho da barragem
A caminho da barragem
Embora tenha sido um ocaso espectacular, não era de modo nenhum bom pronúncio para a noite.

Depois do jantar na tasca local, seguiu-se para o local de observação. O céu esteve quase sempre encoberto em 80 ou 90%, fazendo desanimar principalmente que tinha equipamento moroso de montar. Até às duas da manhã, praticamente todos se tinham retirado, restando apenas uma dúzia de pessoas.
Até que se deu o "milagre". A partir das 2 das manhã, o céu começou a abrir, invertendo-se completamente a situação, ficando então cerca de 80% do céu a descoberto, revelando uma magnitude limite que rondava os 6. A sorte abençoou os pacientes.
Fiquei entretido com observação binocular, havendo também dos dobs de grande abertura em observação - um merak de a 12" do Seabra e outro de 16" do David, e ainda o 6" do João Montenegro que também se dedicou a fazer uns "piggybacks".

Vénus e Híades
Vénus e Híades
O reflexo de Vénus nas águas da barragem era deveras impressionante, mas mais invulgar foi o reflexo alaranjado da Aldebaran (alfa de Touro)

Eu o Grom fomos os últimos a abandonar o local fui por volta das 7 da manhã, já aquecidos e secos por um restaurador calor do Sol.

Serra da Estrela I - Uma noite nas Penhas Douradas

2004.07.18
Penhas Douradas - Serra da Estrela

Nada substitui um céu escuro.

Depois de ter passado o fim-de-semana em Castelo de Vide, rumei para a Serra da Estrela onde me iria encontrar com o Zé Ribeiro, Alberto Fernando e o Filipe, para juntos passarmos uma noite sob o céu de um dos locais mais altos de Portugal Continental.
Depois de um bom almoço visitámos a Serra durante toda a tarde, passando pela Torre e outros locais de rara beleza, descendo então todo o vale glaciar até Manteigas de onde subimos até às Penhas Douradas ainda a tempo de ver o pôr do Sol e fazer um reconhecimento para um bom local para observação.
Depois de excelente jantar na Pousada de Portugal, subimos novamente e deparámos com um céu que me fez lembrar La Palma.

A Via Láctea era uma imensa nuvem que traçava o céu horizonte a horizonte, rasgada por inúmeras manchas, atestando a invulgar transparência que só a alta altitude, neste caso de 1600 metros, pode proporcionar. A magnitude limite visual estimada rondou os 7, apesar de existirem alguma áreas que sofriam de alguma poluição luminosa, que embora muito baixa em relação ao horizonte , ainda se fazia notar. Não foi detectada qualquer humidade, pois equipamento que esteve ao relento durante 4 horas encontrava-se completamente seco. A turbulência foi também bastante baixa.
Apesar de existirem nuvens que por vezes encobriam algumas áreas do céu, tal não foi impedimento para passar uma excelente noite a observar e a fazer imagem dos objectos favoritos.

Os equipamentos utilizados foram o Obsession de 15" do Alberto, o meu binóculo Fujinon 7x50 e o Takahashi 22x60 do Alfonso ("raptados" em Castelo de Vide). Também a montagem Takahashi P2Z esteve de serviço a documentar este céu fabuloso com uns "piggybacks" feitos pelo Filipe e a sua incansável Canon 300d.

A lista de objectos visitados foi extensa, mas tendo algumas vistas ficado ficado para mim memoráveis. Nos 7x50 foi possível observar sem qualquer dificuldade a "America do Norte" e a "Pelicano", estando perfeitamente recortadas, apresentando uma textura fina fora de vulgar.
O segmento Este da "Véu" também foi vísivel, embora tenha precisado da ajuda do Zé Ribeiro para a reconhecer. Também a gigantesca e extremamente ténue planetária "Helix" foi facilmente observável. Tudo isto sem qualquer filtro. A cor verde de Urano foi também prontamente notada.
Esta medida de binóculo comporta-se extremamente bem em céus escuros, sendo bastante confortável de utilizar sem qualquer montagem e excepcionais se combinados com uma cadeira reclinável. Valeram o que custaram nesta noite - o que quer dizer que as próximas são de borla :))

Os Takahashi 22x60 mostraram uma galáxia de Andrómeda que transbordava os seus 2 graus de campo com as galáxias satélite perfeitamente reconheciveis, as Plêiades estavam um espanto, assim com o duplo enxame de Perseu. Era possível observar Messier 17 com a sua forma de cisne, assim como todos os messiers de Sagitário, Escudo e Escorpião como nunca observei em binóculos. Este 22x60 é um espanto.

No Obsession 15" ficaram para memória entre outros, as vistas dos discos de Urano e Neptuno magnificações na ordem das várias centenas de vezes, a incondicional "Véu", uma brilhante e detalhada "Helix", a estrela central de Messier 57, a Messier 27 com filtro OIII era de tal maneira brilhante que fez perder a visão nocturna! e outros tantos que agora não me recordo.

Perto da 4 da manhã começámos a arrumar, pois já se começava a sentir algum frio que a esta altitude é um bom bocado maior do que "lá em baixo". Valeu a pena, pois é um excelente local de observação, se não um dos melhores do País.

Pátio 170 - Lua Cheia Azul

2004.07.31
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

A "Bluemoon", apesar de ser usada em muitas canções, é um dos mitos lunares que ainda perduram. A Lua azul nada tem a ver com a sua cor, sendo apenas a segunda Lua cheia de um determinado mês. Neste caso, primeira Lua cheia de Julho foi no dia 2.
Âs imagens abaixo foram obtidas no seu nascer, estando alaranjada devido à atmosfera, poluição e provavelmente a fagulhas dos diversos fogos que lavraram.
A cor da Lua pode ser alterada por diversos factores, tais como os acima, erupções vulcânicas ou quaisquer outros contaminantes atmosféricos, podendo até ficar azul...

Lua Cheia Azul
Lua Cheia Azul

Pátio 171 - Dois enxames e uma binoculada

2004.08.04
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Pode parecer incrível, mas já faz mais de 15 dias que não havia uma noite sem nuvens e/ou sem Lua cheia, não que isso sirva de grande coisa aqui no pátio, mas pelo menos vai-se treinando a aquisição de imagens em objectos que não necessitam de céus muitos escuros como é o caso dos enxames abertos.

Enquanto o computador ia registando, entreti-me a vasculhar o céu com o binóculo Takahashi 22x60, á procura de objectos brilhantes e estrelas duplas.

A primeira dupla foi a estrela Polar, não propriamente famosa por ser dupla, mas é um bom teste para binóculos, estando apenas afastada 16,8" da sua companheira de magnitude 8 que tendo uma diferença de brilho perto das 7 magnitudes, pode tornar difícil a sua detecção, mas até foi fácil.
Mais acima estava as virtualmente estrelas gémeas Nu draconis, ambas com 4.88 e 4.87 magnitudes, separadas com uns confortáveis 62", que é um dos melhores exemplos de estrelas praticamente iguais, tanto no brilho como na cor.

O histórico par Alcor e Mizar da Ursa Maior é bem distanciado, mas a última tem uma companheira a 14.5", que esteve perfeitamente perfeitamente destacada. Outro par próximo, a Cor Carolli (alfa de cães de Caça), também não ofereceu grande resistência, apesar de já se encontrar com pouca altitude.
A Albireo de Cisne recebeu sem dúvida o prémio da mais bonita. As cores intensas das suas componentes , azul e dourado, torna-a numa verdadeira jóia, sem qualquer concorrente nos dois graus de campo do binóculo. Achei a vista impressionante.

De seguida passei para os habituais enxames globulares que neste momento estão em exibição. Foram eles os globulares Messier 13, Messier 92, Messier 3, Messier 56, Messier 71. Com apenas 22x é praticamente impossível fazer "saltar" muita resolução, mas no entanto todos eles apresentaram com facilidade alguma granulação, mais especialmente nas suas orlas, destacando-se facilmente como globulares, mesmo com uma passagem de relance.
Os enxames abertos que foram alvo da atik, estiveram muito bem, ficando as duas dúzias de estrelas que têm uma distribuição triangular do Messier 39 muito bem enquadradas.
No Messier 52 foi possível resolver meia dúzia, rodeadas deu por uma nebulosidade causada pelas as estrelas de grande magnitude que o compõem. O grupo rectangular das estrelas mais brilhantes do Messier 29 destacava-se muito bem perto do coração do Cisne e finalmente o "Cabide" (Cr399) mal cabia no campo do binóculo, perdendo um pouco o seu efeito.

Galáxias foi um caso perdido, mas fiquei algo admirado por conseguir observar facilmente o núcleo da Messier 51, apesar de já estar um pouco baixa, não deixou de assinalar a sua presença.

A Messier 57 (nebulosa do anel) embora não pareça, é um objecto pequeno. A 22x esta nebulosa denuncia-se facilmente, mas não estava à espera de conseguir ver o "buraco" do meio, que embora possa ter sido sugestão, acredito que tenha conseguido discernir.

Messier 39
Messier 39
Takahashi FC-60 f/4.2 (250mm) + ATIK-1HS 4.7"
exp: 6 min. (20x30 seg.)

O Messier 39 está situado a 800 anos-luz e tem apenas 300 milhões de anos de idade. É um enxame que fica mais bem enquadrado usando binóculos, mostrando cerca de duas dúzias de estrelas brilhantes muito esparsas. A olho nu assemelha-se uma pequena nebulosidade.

Messier 52, NGC 7635 "Nebulosa da Bolha"
Messier 52, NGC 7635 "Nebulosa da Bolha"
Takahashi FC-60 f/4.2 (250mm) + ATIK-1HS 4.7"
exp: 30 min. (20x90 seg.)

Messier 52 é um bonito enxame aberto extremamente rico em estrelas e muito comprimido. No binóculo 7x50 tem uma aparência nebulosa, mas com mais alguma magnificação consegue-se resolver dezenas de estrelas. Situa-se a 5100 anos-luz.
Um bocado mais longe, a 7100 anos-luz, mas a pouco mais de meio grau encontra-se A "Bolha" que é uma nebulosa de emissão é muito difícil de observar visualmente com pequenos e médios telescópios, sendo também muito difícil de se fazer imagem em céus pouco escuros, como a sua pálida imagem acima bem demonstra.

Atalaia XII - Mais cinco "cromos"

2004.08.07
Colares de Perdizes - Montijo

Fiz mais uma visita a Colar de Perdizes para estar sob um céu mais escuro e desobstruído.

ocaso surrealista

Cheguei ainda com o Sol acima do horizonte, e com um céu que não prometia muito, mas que no entanto proporcionou um ocaso surrealista. A imagem acima está o mais fiel possível às cores observadas visualmente. Vi um bólide a desfazer-se ainda de dia, logo após esta imagem - era coisa para -4, -5 de magnitude,

Entretanto foram chegando mais parceiros de observação, que partilhavam de igual optimismo em relação às condições atmosféricas, ficando o local até bem composto.

Felizmente, pelo menos até a Lua nascer cerca das 00:30, o céu pareceu estar aparentemente limpo, embora não duvidar muito que as nuvens que existiam ao anoitecer ainda por lá andavam. A magnitude zenital esteve próxima de 5.5.
À 1:00 ficou quase completamente encoberto.
Não havia humidade até à hora de partida (2:30), estando uns confortáveis 21 graus e soprava uma ligeira brisa.

O tempo disponível foi pouco e apenas me entreti a fazer umas curtas imagens para juntar à colecção, embora chamar-lhes "cromos" seja um contra senso pois são imagens monocromáticas... Durante os tempos de exposição, ia saltando de telescópio em telescópio, observando e conversando - Francisco com seu dob de 25cm, o Mota com o TMB que se entreteu a fazer imagens de estrelas múltiplas, o Mário e mulher e o seu Mak 7", e Jesus e Pilar que estiveram a fazer imagem do céu com uma DSLR e finalmente o Gregório. No final comemos um melão e umas batatas fritas com isótopo radioactivo de queijo, seguindo logo após todos para casa. Foi curto mas valeu a pena.
As perseidas já por aí andam. Durante a noite houve alguma actividade meteórica, observei pelo menos 4 meteoros brilhantes vindos do radiante de Perseu.

Messier 4
Messier 4
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 9.5 min. (19x30 seg.)

Messier 4 é um dos enxames globulares mais próximos, estando a apenas 6800 anos-luz. A sua proximidade da Antares torna-o bastante fácil de localizar, sendo também facilmente visível com qualquer instrumento. Os seus 36' de diâmetro não estão nesta imagem completamente representados, parecendo bem mais pequeno do por exemplo o Messier 22 abaixo. Esta discrepância é devido à poeira interestelar que nesta zona da galáxia abunda.

Messier 11 "Patos Selvagens"
Messier 11 "Patos Selvagens"
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 8.5 min. (17x30 seg.)

O Messier 11 é um dos mais espectaculares enxames abertos visualmente, embora considere que a alcunhas de "Patos Selvagens", devido ao arranjo triangular das estrelas, não me pareça muito evidente. A condensação é tanta que tem quase a nota máxima na classificação de Trumpler (I,2,r), sendo vulgar confundi-lo com um enxame globular, mas alguma magnificação, mesmo com pouca abertura faz resolver praticamente todas as estrelas brilhantes e uma quantidade de estrelas por resolver, dando-lhe um aspecto algo nebuloso. Está a 5500 anos-luz e é um enxame adolescente com apenas 500 milhões de anos.

Messier 22
Messier 22
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 11 min (22x30 seg.)

Messier 22 é maior e mais brilhante que Messier 13, estando a menos de metade da distância, a cerca de 10400 anos-luz. A sua baixa declinação retirou-lhe injustamente o cognome de "grande", mas não é por isso que não deixa de ser impressionante tanto imagem como visualmente.
Quando fiz a aquisição das imagens, olhei para o takito para ver se não tinha inchado a abertura ;) ... infelizmente não :(...

Messier 17 "Nebulosa do Cisne"
Messier 17 "Nebulosa do Cisne"
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 16 min. (16x60 seg.)

Depois de Messier 42 o "cisne" é a nebulosa mais brilhante do nosso hemisfério. O nome foi bem dado, pois mesmo usando binóculos é possível ver a forma de um cisne. Com grandes aberturas e filtro OIII é possível ver muito do detalhe da imagem acima. Está a quase 5000 anos-luz.

Messier 16, IC 4703 "Nebulosa da Àguia"
Messier 16, IC 4703 "Nebulosa da Àguia"
Takahashi FC-60 f/8.3 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 17 min. (17x60 seg.)

Visualmente é um enxame aberto com várias estrelas brilhantes, rodeadas de por uma ténue nebulosidade. Nas imagens é uma das cenas mais espectaculares da nossa Galáxia, não graças ao enxame mas sim à nebulosa que lhes deu origem, e irá ainda dar origem a outras. Os pilares da criação são das imagens a que ninguém pode ficar indiferente, estão acima de qualquer descrição verbal. Situa-se a 7000 anos-luz.

Observatório do Pinhal do Rei XXVII - Uma noite em cheio

2004.08.13
Recinto Obs. Astronómico Pinhal do Rei (39.75N 9.00W alt:93m)

Noite surpreendentemente limpa no recinto do Observatório do Pinhal do Rei. A magnitude limite foi cerca de 5.5, mas com algumas zonas completamente contaminadas pela poluição luminosa da Marinha Grande (a Este) e pelas praias em redor (Sudoeste).
A humidade, como é hábito naquela zona costeira, começou a atacar cedo mas não impediu que a sessão tenha durado quase 7 horas. Durante toda a noite ainda houve notória actividade meteórica da chuva das Perseidas.
A noite terminou no crepúsculo e aquando o nascer da Lua cerca das 5 da manhã, felizmente coincidindo com o aparecimento das nuvens e neblinas matinais. Nesta parte final da noite o crescente lunar e o intenso brilho de Vénus (-4.3) proporcionou um espectáculo invulgar.

Esta sessão foi essencialmente dedicada à astrofotografia com a Atik e o FC-60, tendo sido os principais alvos os globulares das constelações de Escorpião, Ofiúco, Sagitário e Aquário, passando pelo Escudo (Messier 26) e Pégaso (Messier 15, NGC 7331 e quinteto de Stephan), tendo no final de sessão capturado breves imagens do duplo enxame de Perseu e das Plêiades com a Nikon D70 no foco primário do Tak. O Paulo Almeida andou entretido a fazer piggybacks com a sua Nikon D70.

NGC 7331 & Quinteto de Stephan
NGC 7331 & Quinteto de Stephan
Takahashi FC-60 f/4.2 (250mm) + ATIK-1HS 4.7"
exp: 60 min. (60x60 seg.)
(manter rato sobre a imagem para legendas
Messier 15
Messier 15
Messier 14
Messier 14
Messier 2
Messier 2
Messier 10
Messier 10
Messier 9
Messier 9
Messier 72
Messier 72
Messier 12
Messier 12
Messier 107
Messier
Messier 80
Messier 80
Messier 28
Messier 28
Messier 26
Messier 26
NGC 7009
NGC 7009
Duplo enxame de Perseu (NGC 869, NGC 884)
Duplo enxame de Perseu (NGC 869, NGC 884)
Takahashi FC-60 60mm f/6.4 (380mm) + Nikon D70 3,2"
exp: 2 min. (1x120 seg.) mag 6
Messier 45 e Merope (NGC 1435/ IC439)
Messier 45 e Merope (NGC 1435/ IC439)
Takahashi FC-60 60mm f/6.4 (380mm) + Nikon D70 3,2"
exp: 8 min. (4x120 seg) mag 6

Atalaia XIII - Outra noite em cheio

2004.08.14
Colares de Perdizes - Montijo

Ainda não satisfeito com a noite anterior, pus-me a caminho de Colares de Perdizes para tentar capturar mais alguns enxames globulares de baixa declinação.
Apesar da magnitude limite à volta de 5.5, também este local tem diversas zonas afectadas pela poluição luminosa, especialmente uma das mais importantes - o horizonte Sul, mas por outro lado o Nascente é impecável.
Estiveram também presentes : Hugo S. com o Tec 10" numa G11, Paulo BG com o 100mm e a Atik, Grom a fazer exposições guiadas manualmente em filme com o refractor de 102mm, Jesus e Pilar, Joaquim e Ana com novo refractor de 100mm da Tal (impecável), Luís E. com o seu dob e o Francisco com o seu novo binóculo (muito bom), e ainda um "novato" com um ETX70 que cujo o nome não me recordo.

Não se podendo considerar uma noite excepcional, tanto devido ao facto de ser uma noite de Verão, mas também à medida que se avançava na noite as neblinas também iam aumentando lentamente.
A caminho de Leiria pensei ainda apanhar o extremamente fino crescente da Lua (apenas 1%), mas depois de passar a Serra de Aire/Candeeiros ficou completamente encoberto. Paciência.


Messier 33

Messier 33
Messier 5
Messier 5
Messier 55
Messier 55
Messier 54
Messier 54
Messier 6
Messier 76
Messier 19
Messier 19
Messier 2
Messier 62

Pátio 172 - Takahashi Sky90 - Primeiras Impressões

2004.09.14
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Depois de no fim de semana anterior ter tido um "first light" algo assombrado por descolimação, pus mãos à obra e tratei de seguir as instruções no site do importador europeu http://www.optique-unterlinden.com/howto/fcl90col.htm, onde constatei que para além de ser possível colimar por um simples mortal, também parece frequente a sua descolimação após a sua passagem pelas transportadoras. Não é um problema inerente à construção da célula, mas sim for ser um f/5.6 que tem muito pouco tolerância a qualquer descolimação.

Peguei em três chaves de allen de 1.5mm apontei para Deneb a 166x que se encontrava perto do zénite, e pus-me a rodá-los até me parecer os anéis de difração estarem centrados com o disco de airy e se manterem alinhados em ambas as desfocagens.

Na primeira vez ficou ligeiramente "pinched" (disco de airy não estava perfeitamente redondo) , ou por outras palavras, um dos parafusos estavam a exercer um bocado mais de força, mas depois soltei um bocado mais e tornei a recentrar e lá fiquei com o telescópio razoavelmente colimado. Verifiquei ainda a 250x e pareceu quase perfeita, embora desconfiar que ainda possa ficar melhor. Agora resta saber se a colimação se mantém com as habituais viagens.

De uma primeira impressão, e mesmo tendo em conta que ainda não esteve sob céu condigno, as ópticas parecem bastante boas: bom contraste e boa definição, apesar da coma que apresenta no quarto exterior do campo de vista. Ainda vai correr um bom intervalo de tempo até chegar a alguma conclusão, pois neste momento estou mais inclinado a ver defeitos que virtudes...

No que diz respeito à aberração cromática, parece-me ser a típica para um dobleto com elemento de fluorite apocromático, embora não possa tirar grandes conclusões até ver um planeta, a Lua ou uma estrela brilhante com uma atmosfera razoável. Mas de qualquer modo a estrela Vega apresentava um resíduo púrpura. Em estrelas menos brilhantes é impossível de detectar.

No que diz respeito à astrofotografia, fiz umas imagens de teste sob um céu de magnitude 4, com turbulência e usando um "dark" reciclado e sem "flat", mas mostram claras melhorias tanto na resolução, quer nos tempos de exposição em relação ao taka de 60mm.
Esta é uma das razões para o "upgrade", pois permite uma melhor eficiência no tempo de exposição e relação de sinal/ruído. Na prática permite baixar para metade o tempo de exposição e para metade o "ganho" da Atik, adicionando ainda a possibilidade de maior resolução devido à maior abertura, ou então por outro lado regista mais "data" para o mesmo tempo de exposição no FC-60.

Messier 92
Messier 92
Takahashi Sky-90 f/9 (800mm) + ATIK-1HS 1.6"
exp: 6.5 min. (13x30 seg.) mag. 4
Messier 27
Messier 27
Takahashi Sky-90 f/5.6 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp:9 min. (18x30 seg.) mag.§ 4
Sky90
Sky90

Atalaia XIV - Takahashi Sky90 - A colimação

2004.09.18
Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)

Grande parte da sessão foi passada a colimar definitivamente (espero eu) o telescópio, com a preciosa ajuda do Grom.

Pôr um telescópio colimado torna-se uma tarefa bastante mais agradável se tivermos mais um par de olhos e mãos.
Se esses pares forem experientes, então é ouro sobre azul.
O Takahashi Sky90 apesar de ser um telescópio extremamente curto, não permite rodar os parafusos de colimação e observar o seu efeito simultaneamente, tornando-se à semelhança de todos os outros telescópios um vai-vém constante.
Obter a colimação até é fácil, mas colimar de modo a que fique o mais seguro possível já se torna noutra história, porque basta um dos três parafusos não ficar convenientemente apertado e justo para causar descolimação com apenas alguma vibração. Desta vez julgo que os três parafusos ficaram o mais ajustados (apertados) possível. Quem apreciasse de fora o diálogo era capaz de ficar deveras intrigado: "coma às 11 horas", "anéis a centrar" , "anel com excesso de luz às 2 horas"... enfim, há cada hobby mais estranho...

A diagonal prismática Takahashi de 1.25" infelizmente introduz algum de astigmatismo neste telescópio , aberração que é para mim um pouco difícil de avaliar (mesmo com os óculos), tendo que provavelmente um dia destes adquirir uma diagonal de espelho.

Após esta duas horas de colimações e descolimações, já deu para apreciar alguns objectos visualmente, revelando um contraste excepcional, com estrelas extremamente comprimidas e coloridas.
A Panoptic de 24mm é uma das oculares de eleição para este telescópio, assim com a nagler 9mm apesar da coma começar a ser notório a partir do último quarto do campo, mas felizmente é precisamente a partir daqui que se é "obrigado" a olhar de lado no imenso campo de 82 graus, não interferindo portanto muito na imagem global. Oculares com campo igual ou inferior a 50 graus são praticamente corrigidas até ao bordo, incluindo a nagler zoom 3-6mm.

A noite não esteve muito transparente, nem a magnitude limite ultrapassou os 5.5, sendo ainda atravessada por diversas nuvens altas, que de uma forma ou outra iam estragando várias partes do céu a todos os presentes e também algumas "frames" aos astrofotógrafos. Mas tal não impediu que se ficasse até depois da 4 e meia da manhã.

No entanto deu para apreciar o duplo de Perseu, a Mérope das Plêiades, Messier 31, e todos os objectos dos quais fiz algumas imagens, Messier 1, Messier 33 e Messier 42.

A noite na Atalaia esteve muito animada, com muita afluência (algumas dezenas de pessoas) e muitos telescópios como o relato e imagens em http://www.atalaia.org/encontro.php?id=83 mostra. Está a tornar-se numa verdadeira astrofesta (praticamente) semanal.

Messier 1
Messier 1
Takahashi Sky-90 f/5.6 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 23.3 min. (35x40 seg.)

De seguida, sem verificar a condensação nas objectivas e redutores, pus-me a fazer imagens. A Messier 1 ainda se safa, mas as restantes são um belo exemplo de como a falta de atenção aos pequenos detalhes fazem perder tempo e pregam sustos desnecessários, como aqueles halos de aberração cromática na imagem de Messier 42. O redutor estava com condensação entre elementos, que por acaso até já tinha notado na sessão anterior, mas que me esqueci de secar.

Abstraindo-se dos horríveis halos causados pela a condensação do redutor, e apesar de uma ligeira desfocagem, é possível verificar a fineza de detalhe da nebulosa na imagem abaixo, que é um recorte de uma exposição de 2 minutos sem qualquer processamento.
Reparar que até os "hotpixel" têm halo - coisa que na minha opinião só pode querer significar que ou o redutor ou o CCD estavam com alguma condensação (o redutor garantidamente). Por outro lado a imagem estava praticamente corrigida em mais de 80% da área.

Messier 42 & Messier 43
Messier 42 & Messier 43
Takahashi Sky-90 f/4 (360mm) + Nikon D70 4.25"
exp: 1x120 seg. 400 ISO (mode3) mag ~5
Messier 42 & Messier 43
Messier 42 & Messier 43
Takahashi Sky-90 f/4 (360mm) + Nikon D70 4.25"
exp: 1x120 seg. 400 ISO (mode3) mag ~5

o início da noite seguinte observei e fiz umas imagens com Takahashi Sky90 à Lua (que já estava algo baixa) para confirmar que aquele cromatismo não era das ópticas e que felizmente se confirmou : tem a correcção de cor que julgo perfeitamente normal para esta classe - não é isento mas é preciso procurar por ela. Ufa! este telescópio só me prega sustos... enfim mais considerações e testes se seguirão...

Lua
Lua
Takahashi Sky90 f/9 (800mm)
Canon G1 afocal Radian 14mm

Sra. do Monte VIII - 4179 Toutatis

2004.09.24
Sra do Monte - Cortes (39.68N 8.75W alt:395m)

Lua 1 - Toutatis 0

Foi pena não ter conseguido captar este NEO na sua rápida passagem pela as nossa paragens. A Lua interferiu demasiado, não permitindo sequer ter alguma estrela com referência num raio de 10 graus, assim como também ter começado demasiado tarde (já passava das 11:30).
É nestes momentos que me arrependo de ainda não ter perdido algum tempo a treinar a utilização dos círculos graduados que a Takahashi P2Z tem. Embora já tenha experimentado, não possuem precisão suficiente para menos de 1 grau em cada eixo.
Neste caso nem precisava de tanto, pois o Takahashi Sky90 com redutor e a Nikon D70 tem um campo com cerca de 4.5 graus, devendo ficar facilmente lá registado, isto apesar com 1 minuto de exposição a 200 ISO as imagens ficarem praticamente brancas devido ao luar.

Ainda estou a ver as imagens que fiz da região, mas duvido que tenha por lá ficado, pois o asteróide a mover-se daquela maneira (RA: -0.1144 dec: -0.1375 (arcsegs/seg)), que resulta num arrastamento de mais de 16 segundos de arco para uma exposição de 120 segundos, portanto sendo notório.
Nesta noite ainda se encontrava a mais de 4 milhões e meio de km, a caminho da sua maior aproximação de milhão e meio de kms no dia 29.

No entanto o grupo Atalaia teve bom sucesso no registo desta aproximação, ver em h ttp://www.atalaia.org/encontro.php?id=84

Continuando ainda em testes com o Takahashi Sky90 ...

Nota: As imagens abaixo não foram calibradas, apenas recortadas e niveladas, e no caso da Messier 45 "subtrai" os halos cromáticos mais evidentes (curiosamente na imagem de Messier 31 estão completamente ausentes).

Desta sessão só ficou esta rápida imagem de Messier 45 "ao Luar". A magnitude estelar conseguida foi superior a 16, embora para se captar a nebulosidade fosse necessário pelo menos mais uma dúzia destas...

Messier 45
Messier 45
TTakahashi Sky-90 f/4 (360mm) + Nikon D70 4.25"
exp: 2x120 seg. 800 ISO (mode3)

Assim como esta imagem de 6x2 minutos feita na noite anterior aqui no pátio, que escusado será de dizer que ficou completamente saturada, mas ainda identicável. Mais umas dez imagens iguais a esta, mas em céu bem mais escuro parece prometer uma boa imagem.

Messier 31, Messier 32 e Messier 110
Messier 31, Messier 32 e Messier 110
Takahashi Sky-90 f/4 (360mm) + Nikon D70 4.25"
exp: 6x120 seg. 800 ISO (mode3)
Messier 27
Messier 27
Takahashi Sky-90 f/4 (360mm) + Nikon D70 4.25"
exp: 8x120 seg. 800 ISO (mode3)

Uma imagem de 3 minutos também feita na noite aqui no pátio: A nebulosa planetária Messier 57 com (muito) contexto.

Messier 57
Messier 57
Takahashi Sky-90 f/4 (360mm) + Nikon D70 4.25"
exp: 1x180 seg. 400 ISO (mode3)

Pátio 173 - Lua da Colheita

2004.09.28
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

É sempre um espectáculo uma lua cheia a nascer. Estas Luas têm o dom de ajudar nas colheitas, pois nasce pouco depois do Sol se pôr, permitindo prolongar o dia de trabalho pela noite adentro.

Esta particularidade, é devido à Terra se encontrar perto do seu equinoxe de Outono (que foi no passado dia 22 às 17:30), que entre outros significados, os dias têm praticamente a mesma duração que as noites, e estando a Lua na sua fase cheia exactamente no lado oposto ao Sol, daí quando se dá o ocaso do Sol, nasce logo de seguida a Lua.

Lua da Colheita
Lua da Colheita
Nikon D70 + Nikkor 300mm f/4.5 (mf)
exp: 4x1/25 seg. 200 ISO

Pátio 174 - Usar círculos graduados

2004.10.01
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Embora os círculos graduados se tenham tornado meramente decorativos, tendo até desaparecido nas montagens modernas, não deixaram de ser convenientes para apontar um telescópio para um objecto usando as suas coordenadas equatoriais, sendo também úteis para apontar um telescópio em pleno dia para planetas brilhantes ou cometas nos crepúsculos.

Os círculos graduados foram a primeira forma de GOTO - tanto em montagens altazimutais como em montagens equatoriais.

O método que uso está descrito abaixo e aplica-se à montagem Takahashi P2Z , que possui círculos que apesar de pequeno diâmetro, são gravados com precisão, devendo no entanto ser bastante semelhante a sua aplicação em qualquer outra montagem que os possua.

Os círculos graduados da P2Z
Os círculos graduados da Takahashi P2Z

O círculo de declinação (acima na imagem), tem engravado 4 vezes a escala de 0 a 90, com divisões numeradas de 10 em 10 graus e subdivisões de 2 graus. Pode-se considerar que a resolução é baixa, mas se fosse mais sub-dividida seria certamente de difícil leitura em condições de pouca luz. No entanto, permite uma boa taxa de sucesso quando usado com oculares que proporcionem campos reais superiores a 1 grau e meio. Este círculo só precisa de ser ajustado uma vez, e geralmente fica fixo permanentemente com dois ou mais parafusos.

O círculo de ascensão recta tem uma escala de 0 a 24 horas, sendo cada uma das "horas" sub-dividida em traços de 10 minutos, que parece permitir uma melhor precisão, mas devido à natureza desta coordenada (sempre em movimento), não a torna menos sujeita a erro. Este círculo, ao contrário da declinação, pode (e deve) ser rodado livremente, possuindo apenas um parafuso para o apertar levemente.

Para se usar os círculos graduados, é absolutamente indispensável que a montagem esteja alinhada o melhor possível pelo o pólo celeste, de modo a que as sucessivas apontagens não acumulem demasiado erro. A forma de obter um bom alinhamento varia de montagem para montagem, algumas requerendo que estejam niveladas, ou ainda outros procedimentos.

Usando apenas o círculo de declinação

A maneira mais simples de utilizar os círculos graduados, é apenas utilizar o círculo de declinação. A declinação das estrelas e objectos de céu profundo não varia com o tempo (durante um bom punhado de anos diga-se), estando portanto a sua leitura na montagem sempre correcta.

Os círculos graduados da P2Z
Declinação

Este é também o primeiro passo do método completo, mas que pode já ajudar bastante a apontar o telescópio.

Devido ao facto da graduação da Takahashi P2Z ser do tipo 0-90-0-90 (existem outras por exemplo 0-360 ou 0-180-0), poderá ser necessário passar primeiro pela a leitura de declinação 0 (equador celeste), e daí fazer subir ou descer o tubo conforme a declinação seja positiva ou negativa, deslocando o tubo até o ponteiro marcar o valor absoluto da declinação do objecto. Se se souber vagamente onde fica o objecto no céu, basta simplesmente apontar o tubo de grosso modo, refinando-se de seguida usando o círculo.

Com a coordenada de declinação já marcada, bastará "varrer" em ascensão recta na região do objecto a observar até à sua detecção.
Este método tem boa eficácia em objectos que se encontram bem dentro dos limites de detecção do instrumento (e do observador), bastando conhecer apenas declinação do objecto e em que área do céu se encontra.

Usando os dois círculos

Este é o método completo que consiste no passo descrito anteriormente, mas ajustando também a montagem no eixo de ascensão recta.

Os círculos graduados da P2Z
Ascenção Recta

A maneira mais fiável, mas não necessariamente obrigatória, será de primeiro apontar visualmente para uma estrela brilhante na área vizinha do objecto, podendo esta até estar distanciada várias dezenas de graus, DESDE que se encontre no mesmo lado do meridiano, ou por outras palavras, o tubo do telescópio não pode atravessar o meridiano ao deslocar-se da estrela escolhida até ao objecto que se deseja apontar.

Isto explica-se por ao atravessar o meridiano, ser necessário adicionar (ou subtrair) 12 horas aos valores que são lidos no círculo de A.R, e 180 graus ao eixo de declinação. No caso da Takahashi P2Z não existiria problema no eixo de declinação, mas no de ascensão recta, seria necessário adicionar em +- 12 horas. Estas contas iriam complicar a leitura e futuras marcações sem óbvia vantagem.

Depois de colocarmos a estrela no centro do campo, engrena-se o motor de A.R. e ajusta-se o círculo de A.R para marcar as coordenadas da estrela escolhida. O círculo de declinação não será necessário ajustar, pois deverá estar certo (salvo se ainda não foi devidamente acertado e apertado).

A partir deste momento, bastará rodar a montagem nos dois eixos de modo para as coordenadas do objecto desejado, trancar os eixos, devendo então o alvo estar no centro do campo de vista ou muito lá perto. Deve-se usar uma ocular que tenha um campo superior a um grau e meio para maior facilidade, pois devido à pouca precisão das graduações pode ser difícil de extrapolar valores não inteiros.

O círculo de A.R. roda simultaneamente com a montagem, à razão de 15 graus por hora, ou um grau por cada 4 minutos, portanto antes de se passar para o objecto seguinte, deve-se ajustar novamente o círculo para as coordenada R.A do objecto que se está a observar correntemente, procedendo-se então à rotação dos eixos de modo a marcar as coordenadas do objecto seguinte, fazendo tal como foi descrito no parágrafo anterior.

e funcionam....

Este tipo de círculos não obrigam a quaisquer cálculos, bastando apenas ter as coordenadas de estrelas brilhantes e dos objectos a observar, informação disponível em qualquer bom manual de observação, e de preferência na mesma página. Com prática, é impressionante a sua eficácia, mas no início convém ficar preparado para bastantes tentativas falhadas, portanto deve-se praticar com estrelas e objectos brilhantes e conhecidos. Este tipo de apontamento obviamente pode (ou deverá) ser combinado com "star-hoping" ou qualquer outro método que se utilize, sendo uma boa alternativa (barata e autónoma) a sistemas computadorizados tais como GoTos e círculos digitais, para encontrar asteróides, cometas, objectos perto do limite de detecção do instrumento, ou então objectos que são invisíveis com vista desarmada, quer por serem realmente ténues ou por efeito da poluição luminosa, sendo também bastante conveniente para a astrofotografia, especialmente se evitar o tirar da câmara para apontar o telescópio.

Pousados I - Uma noite ao luar

2004.10.05
Pousados - Alcanede

Sessão no local onde o Pedro Mota faz uma boa parte das suas imagens, que podem ser vistas por aqui.
Embora não se possa considerar um céu excelente, tendo entre 5-5.5 de magnitude limite zenital, é no entanto suficiente para observar e fazer imagem de todo o tipo de objectos, com excepção daqueles realmente ténues, ou os que não emitam em h-alpha.

A Lua ainda se encontrava praticamente dois terços iluminada e nasceu pouco depois de 22:30, mas tal facto não impediu que só de lá saissemos perto das 6 da manhã, já com as galinhas bem acordadas (o galo da capoeira devia estar acertado no fuso horário francês).

Estivemos eu, Mário Santiago e o nosso anfitrião Pedro Mota, respectivamente, com um Takahashi Sky90 e Takahashi P2Z, um STF Mirage7 Deluxe numa Orion SkyView, e o TMB 105mm em cima duma Losmandy GM8 Gemini.

Andamos essencialmente entretidos a fazer imagem, embora mais particularmente apenas tenha feito alguns testes com a webcam a cores e com a Nikon D70, e de ter tentado colocar a "Crescente Nebula " no CCD até ao "intervalo" para o petisco das febras e chouriço assado, preparado pelo o Pai do Pedro.

Uma dupla à volta das estrelas duplas. Um fazia a vez de motor de autofocus e de rodas de filtros, o outro analisador de FWHM em "realtime".

"Sr. Mário" e "Sr. Mota"
"Sr. Mário" e "Sr. Mota"
Este duo só ficava contente quando via estrelas de um pixel na imagem.

Depois de retornar do petisco, já a Lua estava se encontrava bem alta, o Pedro emprestou-me a sua Atik 2HS e o filtro h-alpha para fazer as imagens abaixo, enquanto ele e o Mário foram capturar estrelas duplas usando diversos "cocktails" de filtros.

O filtro h-alpha corta bastante luz, tanto a de poluição luminosa como a do Luar, mas notou-se a gradual perda de contraste à medida que a Lua ia subindo. Notar que a Lua estava apenas distanciada cerca de 30 graus dos objectos capturados. Apesar das imagens em h-alpha se medirem "às horas" e não aos minutos, as abaixo ficaram simpáticas. Ambas beneficiariam de céu mais escuro, menos turbulento, e maior tempo de sub-exposição individual.

Barnard 33, NGC 2023 & IC 434
Barnard 33, NGC 2023 & IC 434
Takahashi Sky-90 f/5.6 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: 34 min. (14x60 + 10x120 seg.) h-apha

A região da nebulosa de Orion, Messier 42, é simultaneamente extremamente brilhante e extremamente ténue, sendo um dos objectos mais complicados de registar e processar, devido à gama de intensidade com um enorme intervalo.
O filtro h-alpha evitou a saturação das estrelas, e capturou detalhe mais fino, tendo utilizado no caldeirão de "stacking", exposições com que vão de desde 3 segundos a 2 minutos. É possível discernir 3 estrelas do trapézio (fazendo zoom), apesar da baixa resolução de amostragem da imagem.

Messier 42
Messier 42
Takahashi Sky-90 f/5.6 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
exp: ~18 min. (1x120s + 10x60 + 11x20 + 11x10 + 12x5 + 4x3 seg.) h-apha mag. 4 (lua 65%)

O fim da noite foi de descontração visual no planeta Saturno, mas ainda com o Mário a fazer imagens da Lua e também de Saturno. Houve momentos que TMB esteve muito bom. No Takahashi Sky90 foi necessário o ExtenderQ (um extensor 1.6x para os Takas de relação focal curta, tal como o Takahashi Sky90 e o FSQ106) para eliminar o resto da aberração cromática, a 250x a imagem era para mim isenta de qualquer defeito notório, observando-se a divisão de Cassini, detalhe no globo e pelo menos três satélites quando a turbulência permitia, mesmo usando a desaconselhada diagonal prismática que adicionou algum astigmatismo, pó e humidade ao trem óptico.

Regressei então a casa, não deixando de notar (mais uma vez), o autêntico pântano de nevoeiro e nuvens em que se encontrava tudo o que estava a norte da Serra de Aire e Candeeiros. A autoestrada A1 corta esta serra que parece funcionar com um Grande Recife de Coral, deixando todas a nuvens a norte dele - infelizmente para mim...

Pátio 175 - À volta de Vega

2004.10.09
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Pequena sessão de testes com a minha velhinha Toucam Pro, que recentemente foi modificada para longa exposição. Esta câmara ainda está na "caixa" original, e não é de modo algum refrigerada, não se podendo exagerar muito no ganho nem no tempo de exposição. O melhor equilíbrio ficou em 20 segundos com 40% de ganho.

Philips Toucam Pro
Philips Toucam Pro
A Toucam "original" recentemente modificada

A imagem de "dark" de 20 segundos não se pode considerar muito má, tendo em conta que estava a "trabalhar" sem qualquer refrigeração.

"dark"
"dark"
Toucam SC 40%
20 seg.

Vou tentar o modo "RAW" para a próxima, a prever pelo dark abaixo, as estrelas serão muito mais pontuais se a "mistura" da matriz de bayer for feita posteriormente, neste caso a imagem foi obtida utilizando a capacidade CFA do Iris.

"dark"
"dark"
Toucam SC 40%
20 seg. RAW

As imagens abaixo da estrela Vega, serviram essencialmente para verificar a sensibilidade da câmara, que ronda as 14 magnitudes estelares em 20 segundos, sob céu de magnitude 4. com o formato não RAW, julgo ser impossível conseguir estrelas de um pixel, e também apresentam os artefactos, tais como "orelhas", cores diferentes para a mesma estrela entre outros, sendo a responsável a matriz de cores do CCD.
As estrelas também têm todas uma forma estranha devido a uma "farpa" que estava na extremidade do adaptador de 1.25" da toucam.

Vega
Vega
Takahashi Sky-90 f/2.8 (250mm) + Toucam SC 40% 4,6"
exp: 3.3 min. (10x20 seg.)
Vega
Vega
Takahashi Sky-90 f/5.6 (500mm) + Toucam SC 40% 2,3"
exp: 3.3 min. (10x20 seg.)

Pátio 176 - Conjunção Lua Minguante e Marte

2004.10.13
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Um amanhecer de rara serenidade por estas paragens, que ofereceu a oportunidade de capturar uma conjunção da Lua com apenas 0,9 % de iluminação, em conjunto com o planeta Marte, do qual distava cerca de um grau (à direita mais abaixo).
A Lua encontrava-se a menos de um dia de ser Nova (faltavam apenas 20 horas e 40 minutos), sendo possível observá-la facilmente com o binóculo desde a altitude aparente de 3 graus (06:10), até a pouco mais de 4 graus após 5 minutos, isto apesar da sempre presente neblina matinal, e do Sol que brilhava a apenas 11 graus mais abaixo.
Tentei também observá-la visualmente, mas não me foi possível detectá-la.

Lua a 0,9% e Marte 06:12 UTC
Lua e Marte 2004-10-13 06:12 UTC
Takahashi Sky-90 f/4 (360mm) + Nikon D70
exp: 1/15 seg.

Pátio 177 - Eclipse Lunar Total

2004.10.28
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

A noite até começou bem, com grandes abertas interrompidas por algumas nuvens de passagem apressada. Escusado será dizer que à medida que a hora do eclipse se ia aproximando, as condições meteorológicas iam por seu lado piorando, até que começou mesmo a chover - por vezes torrencialmente. Mas uma condição meteorológica instável sempre é melhor do uma má condição meteorológica estável, ,podendo sempre haver alguma esperança.

Sempre de olho no Meteosat, ia fazendo uma pouco fiável previsão das possíveis passagens dos poucos buracos que se iam aproximando da costa litoral por cima do pátio . Felizmente nalgumas acertei e noutras felizmente também errei! Nada fazia prever a aberta de mais de uma hora durante o período da totalidade, não sei se foi apenas local, mas no pouco horizonte disponível no pátio, o céu esteve praticamente limpo.

Felizmente nas poucas abertas que surgiram. foi possível registar moderadamente confortável as imagens abaixo. Até chegar a surpresa da GRANDE aberta.

Visualmente, este eclipse lunar foi o mais escuro que tive ocasião de apreciar, pelo menos de maneira mais informada, tendo um valor na escala de brilho de eclipse de Danjon entre 1 e 2. À vista desarmada era possível observar tonalidades que iam desde o vermelho acastanhado, passando pelo laranja cobre até ao amarelado no limbo oposto.

Não deixou de ser uma sensação estranha ver uma lua cheia rodeada de estrelas. A imagem no máximo do eclipse contém estrelas de magnitude 10!, o céu estava tão escuro quanto a poluição luminosa permitia.
O binóculo foi o meu instrumento favorito na observação deste eclipse, pois devido à baixa magnificação, as cores aparentaram ser mais vívidas, para além do grande campo salientar a natural estranheza e raridade das imagens.
Irão acontecer mais eclipses lunares parciais e penumbrais nos próximos dois anos, mas o próximo eclipse total apenas acontecerá em 3 Março de 2007.

Lua em eclipse
Lua em eclipse
Takahashi Sky-90 f/9 (800mm) + Nikon D70 2"
Lua em eclipse máximo 03:04 UTC
Lua em eclipse máximo 03:04 UTC
Takahashi Sky-90 f/9 (800mm) + Nikon D70 2"
exp: 10 seg. ISO 400
Lua em eclipse máximo 03:04 UTC
Lua em eclipse máximo 03:04 UTC
Takahashi Sky-90 f/9 (800mm) + Nikon D70 2"
exp: 10 seg. ISO 400
Lua em grande campo
Lua eclipsada em grande campo
Canon G1 100mm
exp: 8 seg. ISO 50

Pátio 178 - Conjunção Júpiter Vénus

2004.11.05
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Eu não sou nada madrugador, mas esta conjunção muito próxima dos planetas Vénus e Júpiter fez-me acordar às 05:30. Estes planetas na ausência da Lua, e claro, do Sol, são usualmente os dois corpos mais brilhantes do nosso sistema solar, prometendo assim um bom espectáculo, pois não é todos os dias que se pode presenciar dois astros tão brilhantes e tão juntos.

A maior aproximação aconteceu às 01:55 UTC, com 33 minutos de arco tendo respectivamente, -1.7 e -4.0 de magnitude, estando ambos ainda bastante abaixo do horizonte, tive que aguardar quase até ao nascer da alvorada para os poder observar do pátio.
Por cerca das 5 e meia da manhã, os dois planetas já tinham começado a emergir dos telhados dos vizinhos, tendo montado o telescópio num canto mais desobstruído possível do meu bairro.

Foi melhor espectáculo visual do que fotográfico. Com vista desarmada faziam um impressionante par de pontos de luz deveras bonito e muito pouco usual. Julgo que quem para ele olhasse não deixaria de se fazer notar.

A 54x com a Radian 14mm e o Takahashi Sky90 f/9, foi possível ver ambos os planetas confortavelmente separados, que nesta altura já se começavam a distanciar, distando pouco mais de 34 minutos de arco. A magnificação já permitia observar a adiantada fase de Vénus (81%), algumas bandas de Júpiter e os seus 4 principais satélites, com Ganymede e Europa também eles bem juntos (7"). Pena foi a turbulência que foi muito acentuada, tanto de um modo geral como devido à pouca altitude a que foram observados.

As imagens são testemunho estático e para memória futura, não da destreza fotográfica garantidamente, mas sim da incrível capacidade de adaptação do olho humano a intensidades de brilho tão díspares - por vezes a linearidade dos CCDs não é uma característica muito conveniente....

E por último, e não menos habitual, foi também observar e fazer imagem da Lua no seu preciso Quarto Minguante (06:53 UTC) após a também Lua cheia eclipsada, estando já o céu bem azul.

A título de curiosidade os picos de difração não são efeitos especiais, mas sim o efeito causado pelo o diafragma da objectiva de 50mm. Neste caso, tem 14 "picos" por formar um heptágono (7 vértices). Se fosse número par de vértices seria apenas apenas um por cada vértice pois os "picos" ficariam sobrepostos.

Vénus & Júpiter
Vénus & Júpiter 2004-11-05 05:49 UTC
Nikon D70 50mm f/4
exp: 8 seg. ISO 800
06:09 UTC
2004-11-05 06:09 UTC
Takahashi Sky-90 f/9 (800mm)+Nikon D70 2"
exp: 10 seg. ISO 400
06:31 UTC
06:31 UTC
Nikon D70 + 50mm f/9
exp: 6 seg. ISO 200
Lua em Quarto Minguante
Lua em Quarto Minguante
Canon G1 afocal

Atalaia XV - Grande noitada

2004.11.06
Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)

Mais um inesperado encontro com alguma dimensão na Atalaia, apesar de ter havido grandes dúvidas no que respeita às condições meteorológicas, já se tinha juntado um considerável número de pessoas na tradicional estação de serviço.
O local de observação da Atalaia encontra-se agora organizado por sectores de astrofotografia digital e outro para observação visual e astrofotografia em filme. Ficou curiosa a disposição em linha do sector digital, como que fosse um daqueles "arrays" de telescópios num qualquer deserto.
Esta separação é por vezes necessária devido essencialmente à utilização de computadores portáteis que são fontes de luz que fazem perder ou não deixar adquirir a visão nocturna, isto é, até pelo menos a Lua ou o Sol nascer...

Até às duas da manhã, para além de andar na conversa, deixei o equipamento entretido a registar despreocupadamente "frames" da Messier 78 e nebulosas vizinhas, nas quais está incluída a recentemente famosa (e também recente no que diz respeito à sua visibilidade) nebulosa de McNeil (manter rato sobre imagem para fazer surgir a legenda), e a ir também ao outro lado apreciar dois novíssimos refractores apocromáticos de 140mm da TEC, montados lado a lado numa G11. Pena foi a noite que esteve com bastante turbulência, que não permitiu (pelo menos a mim) atestar a grande qualidade destes instrumentos.
Também a certa altura andei a passear com o Takahashi Sky90 e uma Nagler 31mm, cuja a combinação resulta num campo de pouco mais de 5 graus a 16x com uma pupila de saída de 5,6mm dando vistas extremamente brilhantes num imenso campo. Fiquei com a impressão que esta ocular está melhor corrigida para relações focais curtas quando comparada com a "irmã" mais pequena, nagler 9mm tipo 6.

O Takahashi Sky90 tem um novo e confortável "ninho" numa caixa de plástico Pelican (modelo 1520). Com esta caixa, a "sensível" colimação aguentou bem os trambulhões,e em especial as micro vibrações da bagageira do carro. É na minha opinião perfeita, tendo ainda espaço para incluir todos os acessórios ópticos: diagonal 2", extensor, redutores, quickfinder, adaptadores diversos e até uma ocular.

De resto até ao fim da noite estive a registar alguns enxames abertos para juntar à colecção de cromos, objectos estes que não necessitando de céu absolutamente escuro, são ainda especialmente rápidos e pouco exigentes de registar. Terminei a noite observando visualmente Saturno que devido à condensação em praticamente todos os componentes ópticos tive uma vista simplesmente horrível.

Mas apesar da turbulência, a noite teve boa transparência e com relativa pouca humidade, que mesmo com a influência do luar não fez com que os últimos a abandonar o local já o tivessem feito bem após as 05:30 da madrugada.

Messier 78 & McNeil 1
Messier 78 & McNeil 1
Takahashi Sky-90 f/5.6 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
30 min. (10x60"+10x120")
(manter rato sobre a imagem para legendas

A nebulosa de McNeil é de reflexão variável cuja a visibilidade aparenta estar relacionada com a a erupção de uma nova estrela nova, ou então o seu "renascimento", sendo esta chamada IRAS 05436-0007. É como se estivesse a escutar os primeiro choros de um bebé...

Messier 34
Messier 34
Messier 36
Messier 36
Messier 37
Messier 37
Messier 38
Messier 38
Messier 46
Messier 46
Messier 47
Messier 47
Messier 93
Messier 93
 

Esta colecção de enxames abertos do catálogo de Messier foram todos registados com mesmo tempo de exposição e processados de maneira semelhante, servindo de bom comparativo das suas dimensões e brilhos relativos. Como é habitual pode-se encontrar no site da Atalaia o habitual relato e muitas imagens.

Pátio 179 - Pequena noitada

2004.11.10
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Noites escuras por aqui no pátio, que só não excelentes se a turbulência também não fosse grande.
Desta vez decidi experimentar o novo filtro h-alfa da Astronomik (13nm), para ver como se portava sob este céu suburbano que nunca ultrapassa a magnitude 5.

O filtro h-alfa consegue subtrair praticamente toda a luz que não pertença à linha de 656 nm, permitindo conseguir fazer imagens como a abaixo da nebulosa PacMan, NGC 281, sob um céu que sem a utilização deste filtro produz imagens praticamente saturadas (brancas).
Este tipo de objectos exige tempos de sub-exposição muito grandes, com pelo menos 2 minutos, facto que resulta numa grande exigência no equipamento, e bem, na paciência do fotografo.

Neste caso em particular, o registo não correu lá muito bem, com diversos problemas do tipo motor desengrenou ou desequilíbrio da montagem etc, tendo que dividir por muitos AVis as sub-exposições, das quais apenas aproveitei apenas 18 delas com 2 minutos cada - muito pouco tempo - mas bastante aceitável para uma imagem não autoguiada.
O ligeiro desfasamento entre os diversos AVIs fez com que imagem ficasse com dimensões menores que o usual, mas deu para verificar que pelo menos é possível. A cor vermelha púrpura é obviamente falsa, mas adiciona algum dramatismo à cena, mas julgo evidenciar melhor as estruturas presentes.

NGC 281 & IC 1590
NGC 281 & IC 1590
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + ATIK-1HS 2.91" h-alpha
36 min. (18x120 seg.)

A nebulosa "Pacman" é uma região HII, que se encontra obscurecida por poeira interestelar (desenhando a boca do pacman). No seu centro encontra-se o IC1590 que é um jovem enxame aberto bastante esparso . A imagem apenas mostra a parte de cima da cabeça do dito personagem lúdico. É possível observar vários glóbulos de Bok - local de formação de estrelas.

Messier 103
Messier 103
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + ATIK-1HS 2.91"
9 min. (18x30 seg.)

Pátio 180 - E as noitadas continuam..

2004.11.12
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Continuam as noites escuras aqui por o pátio - e já bem fresquinhas (4.5 graus C).
Esta foi uma sessão descontraída a baixa resolução e pouco tempo de exposição - perde-se mais tempo a encontrar e a focar o objecto do que propriamente a registá-lo.
Determinei que tipicamente que neste céu de magnitude 4 , o tempo máximo de subexposição que se pode fazer sob este céu é de 30 segundos a f/5, 20 segundos a f/4, e em h-alfa permite usar até 120 segundos , mas o ruído térmico da atik 1hs já se começa a fazer notar um bocado, assim como está a chegar aos limites práticos da montagem.
Estas condicionantes limitam o tipo e o número de objectos "fotografáveis", mas não deixa de ser educativo.

NGC457
NGC 457
Takahashi Sky90 f/4 (360mm)+ATIK-1HS 3.2"
6.6 min. (20x20 seg.) mag. 4

NGC 457 situa-se a 2.5 kpc e entre 10 e 30 milhões de anos de idade. É um do mais engraçados enxames abertos, com bastantes alcunhas - "Enxame do ET ("phone home!")", "Enxame da coruja", "Enxame da libélula" etc. É um dos meus favoritos.

Messier 35 & NGC 2158
Messier 35 & NGC 2158
Takahashi Sky90 f/4 (360mm)+ATIK-1HS 3.2"
2x6.6 min (20x20 seg.) mag. 4

A 2800 anos-luz e 13000 anos-luz respectivamente. Os dois enxames têm a mesma dimensão mas estão separados entre eles 10000 anos-luz. É facilmente detectável com vista desarmada e uma vista impressionante em binóculos ou telescópios a baixa magnificação.

NGC 2261
NGC 2261
Takahashi Sky-90 f/5.6 (500mm) + ATIK-1HS 2.3"
30 min. (60x30 seg.)

Situa-se a 2500 anos-luz. Nebulosa brilhante que varia de intensidade e forma conforme a variável R Monocerotis, que por sua vez não é propriamente uma estrela mas sim uma nebulosa "cocoon" em volta de uma nova estrela que a ilumina. É um dos objectos de céu profundo mais dinâmicos. É conhecida por Nebulosa Variável de Hubble, não por a ter sido o descobridor (esse foi o Herschel), mas sim por ter notado que a nebulosa variava. É um dos objectos mais estudados e um bom sítio para descobrir planetas em formação.

Pousados II

2004.11.13
Pousados - Alcanede

Mais uma vez desloquei-me a Pousados, perto de Alcanena, onde também esteve o Mário Santiago e o dono da casa, Pedro Mota.

Pousados
Pousados

O pomar do seu Mota até nem é nada mau local, oferecendo uma magnitude zenital limite superior a 5, sendo já possível observar facilmente a Via Láctea de ponta a ponta. Mas de 15 graus para baixo do horizonte, é para esquecer, e em alguns azimutes ainda tem que subir um bocado mais para evitar os globos de luz das populações vizinhas. Também não ajudou a turbulência, que foi bastante acentuada nesta sessão, assim como o vento que soprava com frequentes rajadas, tornando a focagem um enorme desafio, (tipicamente demorava um quarto de hora para uma focagem minimamente aceitável e para cada objecto). Houve um registo que foi para o lixo - o enxame globular Messier 9 em Lebre (Lepus).

Iniciei a noite com dois objectos algo inadequados para registar nestas condições - as galáxias Messier 77 em Baleia (Cetus) e a extremamente ténue Messier 74 em Peixes. Nenhuma delas ficou com o tempo de exposição mínimo necessário, que aliás até o tiveram, mas a turbulência, o vento, e uma cabeçada de um rafeiro :), fez perder mais 50% das subexposições, o que foi pena.

A Messier 74 fez jus à sua fama de galáxia "terrible", fazendo perder mais de meia hora apenas para a colocar no campo do CCD. Visualmente, foi absolutamente indetectável, pois este objecto requere céus mais escuros e talvez um pouco mais de abertura, tendo sido obrigado a fazer "star-hopping" usando estrelas de magnitude 10 - não foi uma tarefa nada agradável para o pescoço, porque usando o redutor/corrector do Takahashi Sky90 não é possível focar usando uma diagonal.

Depois de uma pausa gastronómica (chouriça, febras e o famoso abafadinho do Mário), durante a qual passou uma pequena frente de nuvens, coloquei a Nikon D70 no foco primário, e registei o mal jeitoso de tão grande e esparso, enxame aberto Messier 44 em Câncer e ainda o populado campo do enxame aberto Messier 35.

A minha noite astrofotográfica terminou no campo da galáxia lenticular NGC 3115 em Sextante, também conhecida por galáxia do Fuso ("Spindle"), que por seu lado correu bastante melhor, somando um grande total de 52 sub-exposições aproveitáveis. Apesar da sua relativa baixa altitude, beneficiou também da maior calmia que no fim da noite se fez sentir. Foi a única imagem que ficou vagamente decente. O seu núcleo brilhante e alongado é perfeitamente visível com apenas 90mm e 35x.

Finalmente, coloquei o ExtenderQ no Takahashi Sky90, e apontei para Júpiter que já se encontrava relativamente alto, descobrindo a sensação de observação não de dentro de um aquário, mas sim de dentro de uma furna. Foi uma noite de uma turbulência memorável - deve ser raro haver pior em céu aberto, mas por outro lado, não me lembro de ter passado uma noite com humidade tão incrivelmente baixa - às 6 da manhã não consegui encontrar condensação em nada.
Saturno por outro lado já estava a transitar e deu vistas bem menos aquosas, suportando com alguma paciência 200x-250x.

Por volta das 06:30 estava tudo arrumado e prontos para nos fazer à estrada. Foi uma longa e agradável noite.

NGC 3115
NGC 3115
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + ATIK-1HS 2.91"
exp: 52 min. (52x60 seg.)
Messier 74
Messier 74
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + ATIK-1HS 2.91"
exp: 24 min. (24x60 seg.)
Messier 79
Messier 79
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + ATIK-1HS 2.91"
exp: 24 min. (24x60 seg.)

Provavelmente o objecto do catálogo de Messier mais complicado de observar através de pequenos telescópios, requerendo céus escuros para não passar de um objecto pontual.

É uma Galáxia do tipo "Seyfert", galáxias de núcleo muito activo. Com alguma atenção, consegue-se ainda ver uma ténue halo em volta da galáxia.

Messier 77
Messier 77
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + ATIK-1HS 2.91"
exp: 14.5 min. (29x30 seg.)

Abaixo ficam mais algumas imagens de 2 minutos de exposição com a Nikon D70 no foco primário, e o "trail" por me ter esquecido de trancar o motor...

Messier 35 & NGC 2158
Messier 35 & NGC 2158
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + Nikon D70 3,95"
exp: 2 min. (1x120 seg.) 400 ISO
Messier 44
Messier 44
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + Nikon D70 3,95"
exp: 2 min. (1x120 seg.) 400 ISO
Messier 44
Messier 44 arrastado
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + Nikon D70 3,95"
exp: 1 min. (1x60 seg.) 400 ISO

Atalaia XVI - Atalaia, Saturnos e AVIs...

2004.11.20
Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)

Foi uma noite com pouca variedade de objectos para observar, mas que mais uma vez não impediu que muitos se juntassem mais uma vez sob um céu com luar, nuvens e bastante frio (chegou à temperatura de apenas 1 grau celsius).

Durante toda a noite assistiu-se à passagem do remoinho de nuvens sobre o local, mas que por vezes libertava por longos momentos algumas partes do céu, nomeadamente a Lua e o planeta Saturno. A turbulência não foi tão grande como nas últimas semanas, tendo até melhorado notoriamente ao longo da noite. Não estiveram muitos telescópios, mas estiveram dos bons. Os Maks estavam bem representados, havendo exemplares desde 5.5" até 7", dois refractores apo de 90mm e 130mm, dois newtonianos dob de 8" e 15" e provavelmente outros mais que não tive oportunidade de reparar.

Os alvos preferenciais foram Saturno, Lua (sombras dos picos na Plato e a rima nos vales alpinos), o trapézio em Orion em que todos os telescópios mostraram 6 estrelas, entre outros.
A meio da noite o Gregório e o Rola tiveram a excelente ideia de ter trazido café e chá quente, acompanhados com bolachas, que souberam bastante bem, assim com algumas horas antes o famoso "abafadinho" ribatejano.

Fazendo um trocadilho com o conhecido genérico cinematográfico, Saturno parecia mesmo mentira... Não me lembro de observar uma imagem directa tão recortada e perfeita de _qualquer_ planeta. Mas o que mais me impressionou, não foi propriamente o poder observar seja lá o que for a 1000x num Obsession de 15" sem qualquer perda (come é habitual), ou até conseguir observar sem dificuldade a divisão de Encke, mas sim a perfeição com que a divisão de Cassini se desenhava à volta dos anéis, com uma fineza quase capilar, que de resto apenas era mais um detalhes visíveis numa visão quase a raiar a de uma sonda inter-planetária. O nevoeiro que lentamente se ia formando propícia estas condições de acalmia fora de série.

Apesar de ainda se encontrar a pouco menos de dois meses da sua oposição (14/01/2005), não irá "crescer" de tamanho aparente muito mais, e deverá ser dificíl ultrapassar em qualidade esta observação. Foi um momento raro.

Ver também em Atalaia.org com mais imagens e relatos.

Saturno 20041121 02:45 UTC
Saturno 2004-11-21 2004-11-21 02:45 UTC
Takahashi Sky-90 f/41 (3720mm) + Toucam 0.31"
exp: 2 min. (1/x60 seg.)

Atalaia XVII - Borboletas e Lácteas ao Luar

2004.12.05
Atalaia (Montijo 38º44N 8º48W)

O início da noite não foi muito encorajador, tendo estado o céu praticamente todo coberto, mas como é habitual ninguém arredou pé. A fé de que iria haver pelo menos algumas abertas fez com que felizmente tal viesse a acontecer, tendo sido afortunados com períodos de grandes abertas e até com períodos de céu praticamente limpo de horizonte a horizonte.
A humidade (98%), a temperatura (~3 graus) e por vezes algum vento não tornou o final da noite muito agradável, mas ainda a níveis facilmente suportáveis pelos mais prevenidos. Apesar de tudo a noite até correu bem.

Estamos mesmo no Natal com muitos a estrear "brinquedos" novos, nomeadamente montagens Losmandy G11 e G8 - não era fácil mandar um pontapé numa pedra sem acertar numa G11 :).

A Lua nasceu pelas 0 horas e com libração favorável à observação do Mare Orientale, uma das maiores e dramáticas crateras de impacto lunares. Tem pouco mais de 300 kms de diâmetro e rodeada de múltipos anéis de cordilheiras de montanhas. A sua observação a partir da Terra resume-se a uma vista de "esguelha" do Mare propriamente dito com particular pormenor no serrilhado das cordilheiras de montanhas (Montes Cordillera and Montes Rook) que dão um aspecto invulgar e recortado do limbo lunar que geralmente aparenta ser bastante mais regular.

Depois da Lua nascer, o contraste começou lentamente a degradar-se, limitando grandemente a quantidade de objectos que se poderiam observar. Passei então um bom bocado com o Alberto e o seu Obsession de 15" numa caça à planetária que ultrapassou a dúzia, assim como de uma ou outra galáxia e um sulista enxame globular apenas para "desenjoar". Ver lista abaixo. Estes objectos constam na lista do pequeno mas prático Bright Star Atlas (Tirion, Skiff).

A noite só realmente ficou completa quando ao sair da área de restauração às 6 da manhã depois do reforço habitual, depararmo-nos com uma interessante fila formada pela a Lua, Júpiter e uma conjunção de pouco mais de 1 grau de Vénus com Marte.

Pátio 181 - Mare Orientale

2004.12.06
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

O Mare Orientale pode ser observado quando a Lua está em libração em longitude favorável, ou seja a mostrar o mais possível do seu lado Oeste ou Este.

Neste caso a libração em longitude (Este/Oeste) era de 6°12' para Este, de um máximo de 7°30' para o dia seguinte, fazendo com que o Mare Orientale que tem as coordenadas de longitude 95.0°W e latitude 20.0° S ficasse visível.

Na imagem a "corpo inteiro" da Lua é facilmente perceptível a depressão correspondente ao mare na linha do limbo. A Lua ainda se encontrava apenas a 15 graus de altitude daí a enorme turbulência visível nas imagens abaixo. Também foi de aproveitar e observar o Mare Humorum (que dá ideia do diâmetro do Mare Orientale) e a cratera Grimaldi também eles bem mais virados do que o habitual na nossa direcção.

Lua em Quarto Minguante
Lua em Quarto Minguante - Mare Orientale e Mare Humorum
Takahashi FC-60 60mm f/8.33 (500mm),Radian 14mm (36x 101'), barlow 2.4x (86x) e Canon G1

Pátio 182 - Cometa C/2004 Q2 Maccholz e Nebulosa da Chama

2004.12.09
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Facilmente visível com binóculo, mas ainda baixo no horizonte aqui para o pátio, visto passar precisamente por cima da cúpula de luz do centro da cidade de Leiria. Foi maior desafio saber onde colocar a montagem, do que propriamente fazer a imagem, mas lá arranjei um "buraco" de meia hora entre os prédios. Vamos ver se este cometa pelo menos chega ao nível do cometa C/2001 Q4 NEAT de Maio passado.

Depois do cometa desaparecer da linha de vista, coloquei o aparato na Nebulosa da Chama ("Flame Nebula") em Orion, e por lá ficou durante quase duas horas a tirar imagens de 90 segundos com filtro h-alpha. Pena o nevoeiro e fumo de algumas chaminés que introduziu bastante ruído em ambas as imagens. Estavam uns revigorantes 3 graus celsius quando arrumei.

Cometa C/2004 Q2 Maccholz 20041209 22:34-37
Cometa C/2004 Q2 Maccholz 20041209 22:34-37
Takahashi Sky90 f/4 (360mm)+ATIK-1HS 3.2"
3.3 min (20x10 seg.) mag. 3 neb
NGC 2024, "Nebulosa da Chama "
NGC 2024
Takahashi Sky90 f/4 (360mm)+ATIK-1HS 3.2"
42 min. (28x90 seg.) h-alpha mag. ~4 neb

Pátio 183 - Calendário de Astronomia 2005 (CdA 2005)

2004.12.18
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Considero a melhor edição de sempre do Calendário Astronómico (pelo menos das três que possuo). A qualidade dos materiais, de impressão e de paginação atingiu desta vez um grande nível, assim como a variedade e quantidade de informação.

Tal como os anteriores calendários, este é organizado por meses, sendo cada um dos meses introduzido por um tema mais desenvolvido que lhe seja pertinente, seguido por diversas secções sobre a visibilidade dos planetas e seus satélites, asteróides, cometas, meteoros e Sol e todas as suas efemérides tabuladas, passando pelas estrelas duplas, ocultações por fim com a descrição geral do céu e seus objectos de céu profundo mais interessantes. Existe no final
uma secção com tabelas detalhadas de efeméride dos corpos do sistema solar.

A informação é conveniente tanto para o iniciante como para o mais experiente, dando uma atempada antecipação de muitos dos eventos astronómicos que serão visíveis em Portugal em 2005.

Em relação ao CdA 2004 (clicar para ver o comentário) reparei com agrado a inclusão dos objectos de céu profundo, que a meu ver dão uma maior abrangência à obra, sendo simultaneamente boas sugestões para quem deseje iniciar, ou para aqueles mais esquecidos. Mas embora continue a achar o formato de página A4 utilizado demasiado grande para um livro que considere "portátil", tendo ainda o papel e encadernação demasiada qualidade para as condições por vezes agrestes da Astronomia de campo. Mas sempre se pode plastificar se se pretender uma utilização mais despreocupada.

Apesar de ser colega e amigo do autor e de ter até modestamente colaborado com algumas imagens, não me vai impedir de ser completamente sincero em afirmar que este CdA e seguintes serão obras de referência a Astronomia amadora e de divulgação Portuguesa.

Por falar em qualidade, também é raro encontrar nas livrarias uma edição tão luxuosa com o preço de capa pedido - 20€.

Ver aqui a página do CdA 2005 para saber mais e como adquirir .

Pátio 184 - Cometa C/2004 Q2 Maccholz

2004.12.20
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Embora este cometa já se encontre um bom bocado mais alto, é sempre ingrato tentar fazer imagem de seja o que for com magnitude 3 e com um luar já bem forte. Apesar do ruído, ainda deu o ar da sua graça, com uma pequena cauda e anti-cauda..
No Sábado na Atalaia, nas poucas oportunidades que apreceram, esteve magnífico no binóculo, e era visível, embora não evidente a olho nú.

A estimativa de hoje foi 23:20 UTC: m1=4.8, Dia.=14', DC=5 sem sinal de qualquer cauda usando o Fujinon 7x50.

Cometa C/2004 Q2 Maccholz - 20041220 22:51-23:02 1°20'x1°20'
Cometa C/2004 Q2 Maccholz - 2004-12-20 22:51-23:02 1°20'x1°20'
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + Nikon D70 3,95"
exp: 9 min. (9x60 seg.) 1600 ISO IDAS mag. 3 neb

Pátio 185 - Solstício de Inverno

2004.12.21
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Foi às 13:42 de hoje. O Solstício de Inverno é o ponto de viragem na queda aparente do nosso Sol. Hoje esteve apenas 26,8 graus acima do horizonte, situação um pouco incómoda para quem o acompanha regularmente. O solstício pode ter diversos significados, sendo um deles o ser "dia mais pequeno" ou mais no sentido de observador "a noite mais longa", mas não curiosamente que o Sol se põe mais cedo ou nasce mais tarde - as razões desta anomalia está relacionada com a Equação do Tempo que expressa a diferença entre o sol "médio" e o Sol aparente (observado). Esta equação atinge os valores máximos no início de Novembro, quando o Sol atravessa o meridiano antes do meio dia local.

Tudo isto faz com que o Ocaso do Sol mais cedo aconteça duas semanas antes e o Nascer mais tardio duas semanas depois.

Na falta de melhor fica a imagem do Sol hoje, meia hora antes do Solstício bem rasteirinho ao pasto.

2004-12-21 13:10 UTC
2004-12-21 13:10 UTC
M:3 S:3

Ver aqui o Sol durante este mês

Pátio 186 - Cometa ao luar

2004.12.21
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt:60m)

Passaram as nuvens, apareceu a Lua...
O filtro de banda larga LPS ("Light Pollution Suppression") da IDAS, pelo menos torna possível conseguir fazer imagem do céu com a Lua já com tão adiantada fase, sem ficar com a imagem completamente saturada. O desvio de cor é no máximo muito ligeiro, se sequer perceptível e faz aumentar o contraste em condições de poluição luminosa urbana.
Apesar dos esforços da Lua, ainda é visível a fina cauda de iões e a anti-cauda (um efeito de perspectiva).

Cometa C/2004 Q2 Maccholz - 20041221 21:40-21:52
Cometa C/2004 Q2 Maccholz - 2004-12-21 21:40-21:52 UTC
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + Nikon D70 3,95"
exp: 9 min. (15x60 seg.) 1000 ISO IDAS mag. 3 Lua (82%)

A imagem abaixo contém outro cometa. Qual é ?

Bem nenhum :), pelo menos com conhecimento da Humanidade.

Esta área do céu é onde se encontra o enxame Árvore de Natal - NGC 2264, Collinder 112 ou ainda Mellote 49 - que contém a jovem estrela supergigante azul S Monocerotis (a mais brilhante da imagem) que serve de "tronco" a um enxame de forma triangular que faz lembrar uma árvore de natal - embora tivesse sido preferível que a S monocerotis se situa-se no topo ao invés da base que teria sido bastante mais conveniente para a analogia - daria uma estrela de Natal muito mais convincente. De notar que imagem está invertida nos dois eixos, com as inversões de um telescópio reflector.

Este enxame está situada num enorme complexo de formação de estrelas, do qual por razões alheias à minha vontade apenas é evidente uma pequena parte da nebulosa de reflexão. Esse complexo é o que contém a conhecida Nebulosa Cone que por partilha o mesmo NGC visto que "Cone" está precisamente a apontar para o topo da árvore.

Mas a razão da pergunta não foi propriamente para saber que cometa era aquele, mas o que não deve ser confundido com um cometa.

A nebulosa variável de Hubble (NGC 2261) quando observada com pequenas e médias aberturas e baixas magnificações é particularmente semelhante a um cometa (canto superior esquerda da imagem), sendo o talvez o falso cometa que por mais vezes foi "descoberto". Daí a charada :)

NGC 2264 & NGC 2261
NGC 2264 & NGC 2261
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + Nikon D70 3,95"
exp: 15 min. (15x60 seg) 400 ISO IDAS mag 3 Lua (82%)

A Espada de Orion

A espada de Orion é onde está situada a famosa Messier 42 e Messier 43, sendo facilmente visível mesmo em céus moderadamente poluídos. Para além das atrás escritas,- existem outras nebulosas de emissão e reflexão e enxames associados que se espalham pelos quase dois graus da imagem abaixo.

Começando pelo topo começamos pelo o enxame aberto 1981 com cerca de 20 membros e quase meio grau de tamanho, seguindo pelas nebulosas de emissão e reflexão NGC 1973-5, sendo a primeira associada com a variável KX Orionis. Descendo um pouco mais temos a nebulosa e enxame associado NGC 1977.
Estas três nebulosas juntas dão forma a uma nebulosa conhecida por "homem corredor" ("running man"), que se assemelha a uma silhueta de um homem a correr (com os braços abertos) causada por poeiras na fronteira entre as nebulosas.
Passando pelas Messier 42/ Messier 43 temos a parte destacada da Messier 42 correspondente ao enxame/nebulosa de emissão NGC 1980 que contém a estrela mais brilhante da imagem, a Iota Orionis - uma gigante azul a debitar 12000 vezes a luz do Sol.

The Sword of Orion - Orion's Sword
A espada de Orion
Takahashi Sky-90 f/4.5 (407mm) + Nikon D70 3,95"
exp: 31 min. (10x120 + 7x60 + 5x30 + 5x15 seg.) 400 ISO IDAS mag. 3 Lua (82%)