2006 (I)

Janeiro Julho
Pátio 215 - Marte e Lua Raio da Morte
Pátio 216 - Halo Lunar Pátio 234 - "Trovoada Perfeita"
Fevereiro Atalaia XXV
Pátio 217 - Sol e Leituras Serra da Estrela III - Serra Láctea
Pátio 218 - Sol irrequieto Agosto
Pátio 219 - O Guerreiro e as 7 Donzelas Pátio 235 - "Red Moon Rising"
Pátio 220 - Sol irrequieto II Pátio 236 - Manchas Solares 904
Pátio 221 - Mercúrio Pulo do Lobo VI
S.Pedro de Moel XIII - Vaso Etrusco e Lua bébé Setembro
Março Pátio 237 - Eclipse Lunar Parcial
Pátio 222 - Sol de férias Atalaia XXVI
Sra. do Monte IX - Eclipse Lunar Penumbral Vale da Lama VII
Eclipse Solar Total Outubro
Abril Pátio 238 - Millennium Star Atlas
Pátio 223 - P/Schwassmann-Wachmann 3 Atalaia XXVII
Pátio 224 - P/Schwassmann-Wachmann 3 II Vale da Lama VIII
Vale da Lama V Novembro
Maio Pousados III - Magusto em Pousados
Pátio 225 - P/Schwassmann-Wachmann 3 III Calar Alto
Pátio 226 - P/Schwassmann-Wachmann 3 IV Dezembro
Pátio 227 - P/Schwassmann-Wachmann 3, Messier 57 Pátio 239 - Conjunção Natalícia de Urano e Lua
Pátio 228 - Lua Coroada e Júpiter
Pátio 229 - P/Schwassmann-Wachmann 3 VI
Vale da Lama VI
Junho
Pátio 230 - Lua baixa e Antares
Pátio 231 - Raios e Coriscos
Pátio 232 - Saturno e Marte
Pátio 233 - Peças e opiniões

Pátio 215 - Marte e Lua

2006.01.08
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

A Lua fez mais uma passagem por um dos planetas principais, desta vez Marte, distando menos de 1 grau (48'). Como sempre, acho estas conjunções próximas de objectos brilhantes mais interessantes à vista desarmada. O par era bem mais atraente que a imagem abaixo tentou registar, com a magnitude de -0.4 de Marte bem mais exuberante.

Marte e Lua
Marte e Lua

Procurando com o Ephemeris Tool, e confirmando com o Guide8 ficam os encontros deste anos entre estes dois corpos celestes. A mais interessante e talvez impossível ou por outro lado, um desafio interessante de observar, será a de 27 de Julho que segundo o Guide8, será uma ocultação mas que se dará em pleno dia. Observar Marte de dia não é impossível como esta observação feita há alguns anos, mas desta vez Marte estará bem menos brilhante a 1,8 magnitudes e a Lua em fino crescente.

05-02-2006 22:59:28 1°53' 1°53'
29-06-2006 0:53:28 1°22'
27-07-2006 19:35:28 0°15'
Marte e Lua

Pátio 216 - Halo Lunar

2006.01.12
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Os halos resultam da reflexão de luz lunar ou solar nos cristais de gelo atmosféricos, sendo o abaixo o mais comum, formando uma círculo de 22 graus em volta da origem da luz (pouco mais de um palmo aberto com o braço esticado).

Halo Lunar
Halo Lunar

Aqui pode-se ver o halo de 2 graus mas desta com o Sol.


Pátio 217 - Sol e Leituras

2006.02.11
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Nada existe de especial com o Sol hoje, para além de ter um bocado de tempo para matar as saudades de o observar com o PST da Coronado. Na altura o Sol estava muito sossegado, sem manchas solares e com as proeminências a não ultrapassar os 3000 quilómetros... As imagens do disco e do limbo "following" (o lado do disco onde "nasce") foi obtida em modo afocal com a minha velhinha Canon G1, que pelo aspecto parece prometer alguma actividade nos próximos dias.

Sol hoje às 12:38
Sol hoje às 12:38

Calendário da Astronomia 2006

sol halphaEscrevendo do Sol e de muitos mais assuntos saiu em todas as livrarias e nas casas especializadas de Astronomia, o Calendário da Astronomia 2006 de Grom D.Matthies, publicado pela Terra Mágica Editores.

Volto novamente a assinalar esta publicação na nossa Língua, visto ser pertinente para qualquer leitor interessado em astronomia e fenómenos associados, seja astrónomo amador ou não. Este livro contém artigos escritos por astrónomos da nossa praça sobre a história da astronomia, suas descobertas e descobridores e mitologia, como construir telescópios, Iniciação à observação, imagem e desenvolvimento detalhado dos eventos mais relevantes para o ano 2006, e ainda todas a efemérides tais como eclipses, ocultações, trânsitos, conjunções, fases lunares, nasceres e ocasos e muito mais informação organizadas mensalmente, tendo sido estas calculadas para o território português.

Basicamente pode ser descrito nas duas anteriores "críticas", do CdA 2004 e do CdA 2005. Das quais ainda mantenho a minha preferência por um formato mais pequeno Em relação ao CdA 2005, o CdA2006 tem mais páginas (+60) e mais artigos sendo a grande maioria das imagens de origem portuguesa, dentro os quais se encontra este vosso humilde servo, que embora esteja a escrever nesta página de uma forma quase desavergonhada não deixo de ficar impressionado com a quantidade de trabalho que o autor teve para escrever este calendário, tanto mais pela sua natureza obviamente efémera .
Ver aqui a página do CdA 2006 para saber mais e como adquirir

Galaxies and the Cosmic Frontier

William H. Waller, Paul W. Hodge

Talvez uma das melhores introduções/explanações não-matemática sobre as galáxias. Este livro vai mais além do que o capítulo que geralmente reservado em muitos livros de introdução à astronomia, começando onde estes acabam. Acho este livro lucidamente escrito e equilibrado, com boa explanação e figuração dos conceitos ao alcance de todos os leitores, mas mais especialmente daqueles que já sabem alguma e querem saber mais, mas que não querem mergulhar em livros que "obriguem" a algum conhecimento prévio de matemática, ficando este livro nesse aspecto mesmo na fronteira, mas contendo as interpretações (ou interrogações) para além dos números e fórmulas que por vezes falta nos livros mais avançados.

Fundamental Astronomy

Hannu Karttunen et al

Este é um dos livros usados em cadeiras de introdução à astronomia em diversas instituições de ensino superior no estrangeiro, nomeadamente Harvard. Como o seu nome o descreve, os conceitos são fundamentais, mas o texto apresentado requere algum conhecimento de matemática e de física, mas diga-se de sua justiça não demasiada (com algumas excepções). Como trata acerca de praticamente todas as grandes áreas da astronomia, a exposição e desenvolvimento é algo restrito mas fortemente incisivo, com muitos exemplos e problemas práticos como o abaixo.

Um asteróide com 100 metros de diâmetro aproxima-se da Terra a 30km/seg. Calcular a magnitude aparente a) a uma semana antes da colisão, b) um dia antes da colisão. Assuma albedo geométrico de 0.1 e ângulo fase de 0º. E finalmente quais seriam as hipóteses de o descobrir a tempo...

Pode-se considerar um manual de introdução à ciência da astronomia "a sério", destinado a aprender e não só a ler.


Pátio 218 - Sol irrequieto

2006.02.16
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Enquanto a sopa arrefecia, fui dar uma espreitada ao nosso irrequietamente calmo Sol.Entramos no período chamado Mínimo Solar, em que a actividade solar é muito reduzida mas que ainda proporciona alguns momentos de erupção, como esta e uma outra bem maior há alguns dias antes.

Sol hoje às 13:35
Sol hoje às 13:35

Pátio 219 - O Guerreiro e as 7 Donzelas

2006.02.21
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Aproveitando as tréguas das nuvens, peguei no tripé e fiz daqui do pátio o registo do breve encontro do planeta Marte com as Plêiades, que segundo o CdA2006 estiveram no seu ponto mais próximo ano dia 18. Mais vale tarde do que nunca, pois só daqui a praticamente 32 anos os veremos tão próximos. Nesta altura ainda estava a pouco mais de 2 graus da Atlas (27 Tauri) que é a moça da ponta fazendo com as restantes jovens estrelas branco azuladas um belo contraste com o tom alaranjado de Marte, especialmente no binóculo 7x50.

Marte e Plêiades às 22:05
Marte e Plêiades às 22:05

Pátio 220 - Sol irrequieto II

2006.02.23
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Sol hoje às 13:35
Sol hoje às 13:35
Sol hoje às 13:31
Sol hoje às 13:31

Pátio 221 - Mercúrio

2006.02.26
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Sendo Mercúrio o planeta mais próximo do Sol, apenas em determinadas alturas é que possível observá-lo facilmente com a vista desarmada. A essas alturas propícias são chamadas as grandes elongações quando o planeta se encontra aparentemente mais afastado do Sol. Embora existam elongações maiores, o parâmetro mais importante para a melhor visibilidade do planeta, o ângulo da inclinação da eclíptica (caminho aparente do Sol), que nesta altura do ano está quase a pique ao anoitecer, ficando Mercúrio (e também os outros planetas) bem mais altos após o ocaso solar.

A conjunção das órbitas da Terra e Mercúrio, nos seus diversos pontos (afélios, periélios), assim como a marcada inclinação e excentricidade da órbita de Mercúrio (só superadas por Plutão), tornam este planeta mais esquivo do que as elongações parecem fazer crer, sendo a mais importante a inclinação da eclíptica, que perto dos equinócios da Primavera e Outono é mais íngreme ao anoitecer e amanhecer respectivamente.
Esta altura também é propícia para observar a luz zodiacal.

Nesta imagem é bem aparente o seu brilho (magnitude 0), ajudado por ser a maior luminária naquela área do céu, apesar de por esta altura já se ter conseguido observar dúzias de estrelas e também Saturno e Marte. As próximas mais favoráveis serão ao cair dos dias de 20 de Junho e 17 de Outubro e ao nascer dos dias de 7 de Agosto e 25 de Novembro do corrente ano. A de 8 de Abril, apesar bem distanciado (27.8°), está muito baixo devido à eclíptica na altura estar muito "deitada".

Mercury Greatest elongation west 08-04-2006 19:39:13 27,8 °
Mercury Greatest elongation west 07-08-2006 1:32:04 19,2 °
Mercury Greatest elongation west 25-11-2006 14:23:40 19,9 °
Mercury Greatest elongation east 24-02-2006 5:46:02 18,1 °
Mercury Greatest elongation east 20-06-2006 21:10:18 24,9 °
Mercury Greatest elongation east 17-10-2006 4:49:39 24,8 °

Mercurio a 0,77% 18:57 UTC
Mercúrio hoje às 18:57 UTC

S.Pedro de Moel XIII - Vaso Etrusco e Lua bébé

2006.02.28
S.Pedro de Moel

Esta é talvez a imagem mais rápida do pátio, nada mais, nada menos que uma exposição não-filtrada de 1/8000 de segundo. Segundo o site Atmospheric Optics este fenómeno (onde o Sol parece possuir uma base semelhante à de um vaso) é causado pela refracção de uma camada ar quente e pouco denso, semelhante a este registado há 3 anos atrás no mesmo local . Embora o efeito não seja muito pronunciado, serviu pelo menos de prémio de consolação para o que realmente queria captar - uma Lua com apenas 18 horas de "idade". Infelizmente não foi possível devido a neblinas distantes que tornaram impossível a sua observação quer visual quer fotográfica, restando cerca de 40 imagens de um sem dúvida belo crepúsculo onde presumivelmente o fino crescente deveria estar. Fica para a próxima...

Sol hoje às 18:24
Sol hoje às 18:24

... mas no fim de semana seguinte passei os olhos mais uma vez pelas as imagens e não é que uma delas apanhou o finíssimo crescente!!! Pena não ter ficado melhor enquadrada, mas pelo menos valeu a tentativa, apesar das condições adversas de ter como horizonte de fundo o oceano Atlântico. O crescente encontrava-se a apenas 3 graus de altitude, e tendo apenas 0,77% de iluminação, sendo uma Lua com apenas 18 horas e quinze minutos de idade com o Sol a brilhar apenas 10 graus abaixo. O "record" anterior foi em 2004 mas desta vez de um minguante.

Lua a 0,77% 18:53 UTC
Lua a 0,77% 18:53 UTC
Takahashi Sky-90 f/4 (360mm) 4.2"Nikon D70
exp: 1/2.5 seg. ISO 200

Pátio 222 - Sol de férias

2006.03.12
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Nos dias que correm até duas cagadelas de mosca na superfície do Sol são dignas de nota. Mínimo Solar no seu melhor.

Sol hoje às 14:31
Sol hoje às 14:31 UTC

Sra. do Monte IX - Eclipse Lunar Penumbral

2006.03.14
Sra. do Monte - Cortes (39.68N 8.75W alt. 395m)

Nada de espectacular quando comparado com um eclipse total , mas não deixa de ser uma Lua estranha.

Lua no eclipse máximo às 23:47
Lua no eclipse máximo às 23:47

Leiria estava completamente afogada em nevoeiro, mas os 400 metros de altitude da Sra. do Monte ficavam suficientemente acima do nevoeiro.

Leiria estava ali
Leiria estava ali

Eclipse Solar Total - 29 Março 2006

Akkise, distrito de Ahirli, Konya - Turquia Central
9:40:23 e 12:14:56 (UT)

Local de observação (requere Google Earth)

Akkise foi o local escolhido pelo Grupo Atalaia, para observar um dos mais raros e impressionantes espectáculos da Natureza. O local encontrava-se exactamente em cima da linha de totalidade numa encosta plantada com pedras um pouco acima desta povoação que se situava a cerca de 1350 metros de altitude, proporcionando um palco com um horizonte de vários quilómetros de profundidade delimitada pelos os Montes Taurus , com o lago Sugla a adicionar mais um motivo interessante.

Após um breve reconhecimento do local, seguiu-se a montagem dos diversos equipamentos: máquinas fotográficas, câmaras de video, telescópios de luz branca, h-alpha e binóculos. Por fim, a hora e meia antes de se iniciar o eclipse, estava tudo preparado. Iniciou-se então a espera, até que finalmente a Lua deu a primeira dentada no Sol.

08:02:34
08:02:34

O eclipse tinha começado.

Alguns de nós foram anotando as mudanças que se sentiam no ambiente, como a temperatura, vento e sons dos animais, outros fazendo exposições fotográficas, tendo todos seguido o avanço da Lua em frente do Sol com o seu instrumento de escolha: telescópios, binóculos ou simples óculos filtrados.

Desde o início do eclipse que se foi notando uma baixa gradual da temperatura, e a partir de certa altura, obrigou a todos a agasalharem-se melhor. Mas apenas decorridos 2/3 de ocultação, é que se começou a sentir a luz ambiente a tornar-se cada vez mais estranha e mortiça, mas em nada semelhante à perda luz sentida por uma nuvem ou de um pôr do Sol.

Existe sempre alguma ansiedade na escolha do local, causada pela a dúvida de alguma nuvem possa encobrir o Sol durante a totalidade. A nós também calhou o nosso momento de "suspense", quando uma das nuvens que se formavam nos Montes Taurus se aproximou perigosamente do Sol 15 minutos antes da totalidade, mas felizmente, acabou por passar bem distante. A 10 minutos da totalidade já estava garantido que nenhuma nuvem iria estragar o espectáculo, tendo certamente todos ficado mais aliviados. Entretanto, já se tinham juntado a nós habitantes, alunos e professores da escola de Akkise e ainda um grupo de húngaros, aos quais íamos mostrando o crescente solar e fazendo brincadeiras com as sombras.

Faltavam então os derradeiros minutos para aquilo que era para mim então, verdadeiramente desconhecido. Com o horizonte Sudoeste a escurecer cada vez mais, Vénus fazia a sua aparição primeiro no binóculo e pouco depois, com a vista desarmada.

08:22:47
08:22:47

Eis que o primeiro alarme toca - faltavam apenas 45 segundos - olhei para o horizonte Oeste à espera da sombra com a largura de 170 km que iria percorrer a uma velocidade vertiginosa (cerca de 866 metros por segundo) todos aqueles quilómetros desde os picos nevados até a nosso pequeno planalto, tendo olhado uma última vez para o relógio, sendo necessário ligar a luz para poder ler as horas - faltavam 15 segundos...

E fez-se noite.

Um dos momentos mais impressionantes foi a chegada da sombra. Pareceu ser quase instantânea, sensação talvez explicada pelo facto de olhos necessitarem de alguns segundos para se adaptar à repentina quebra de luz ambiente, que se estima ser equivalente a duas vezes a de uma noite de Lua cheia. Foi neste momento que se ouviram exclamações, embora sinceramente, não me recordar praticamente nada do que tenha feito, dito ou ouvido por essa altura. O que se estava a passar a toda a minha volta era tão diferente e belo, que julgo por esta altura ter desligado quase todos os sentidos excepto o da visão.

Encontrei-me repentinamente rodeado da mais estranha paisagem que alguma vez tenha visto. Não tirava os olhos daquele Sol negro a irradiar imensas e fantasmagóricas pétalas brancas com uma fina textura capilar - uma visão verdadeiramente hipnotizante. Todo o horizonte apresentava uma alvorada surreal em tons de amarelo e laranja acabando algo repentinamente no azul profundo da restante esfera celeste, sendo este recortado pela silhueta das cadeias de montanhas que nos rodeavam - o estranho não eram as suas cores, mas sim a sua relativa pouca extensão, e a presença de uma zona mais escura a nível da linha de horizonte, semelhante à sombra da Terra num horizonte anti-solar, mas muito menos extensa e mais escura. A magnífica coroa solar estendia-se pelo menos entre 1 a 2 diâmetros solares.

Apenas consegui observar os planetas Mercúrio e Vénus, apesar de ter procurado mais alguns corpos celestes que infelizmente algumas nuvens teimavam em esconder. A iluminação pública das localidades em redor, enganadas pelo falso crepúsculo, ligaram.

Só o meu alarme a meio da totalidade me despertou da estupefacção para tirar mais uma rápida série de imagens.

No telescópio e no binóculo, eram perfeitamente evidentes as protuberâncias solares cor de rosa, assim como a imensa coroa solar que se espalhava até fora dos limites do campo de visão, mas sem dúvida a imagem mais marcante foi a daquele disco negro a irradiar luz - tão de sobrenatural como de inesquecível .

Já a parte final do eclipse observei através do telescópio, vendo o anel de diamante a crescer num ápice até se tornar insuportável de olhar, tendo mesmo que tirar os olhos da ocular in extremis. Terminei tranquilamente a ver o horizonte cada vez mais brilhante e as cores lentamente a retornarem à paisagem.

Depois foi a grande euforia que tomou conta de todos os que ali se encontravam. E não era para menos, tínhamos assistido a algo que ficava para além de tudo o que se podia imaginar. Observar um eclipse solar total é, e será sempre um daqueles momentos inesquecíveis, especialmente se for o nosso primeiro. Não me vou cansar de insistir se houver a remota possibilidade de ficarem debaixo daquela sombra, fazerem a vós mesmos um grande favor, e não perderem este sublime espectáculo por nada deste mundo. É dos pouco eventos que não deixa indiferente ninguém neste planeta.

Abaixo ficam algumas imagens do eclipse. Clicar nas imagens para maior resolução.

eclipse
Protuberâncias Solares
Protuberâncias Solares 10:56:58
O fim da totalidade
O fim da totalidade
O fim da totalidade
O fim da totalidade 11:00:34
Anel de Diamante
Anel de Diamante 11:00:41
eclipse solar
Coroa Solar Exterior
6 imagens empilhadas
eclipse solar
Luz da Terra
6 imagens empilhadas + Lua

Já no rescaldo, pus-me cá a pensar que apenas bastava ter trazido a minha cadeira reclinável e um binóculo. O período de totalidade é demasiado curto para apreciar visualmente e fazer imagens convenientemente. Estas apesar de imagens serem gratificantes posteriormente, são apenas uma pálida descrição do que realmente se sente ao estar na sombra da Lua.

Passados alguns minutos após a totalidade, a nebulosidade começou a aumentar (curiosamente muitas nuvens lenticulares), ficando diversas imagens da sequência de fases estragadas. Por fim às 12:14 vi a Lua a desaparecer da frente do Sol.

No final fizemos um piquenique, como se pode atestar na imagem abaixo.

12:20:47
12:20:47
12:20:47
12:20:47

Circunstâncias locais - Akkise, Turquia *

Posição Duração Máximo de Eclipse
Latitude Longitude UT g
+37 22 -32 09 3 47,4 10 58 38,5 1,025
1ºContacto 2ºContacto 3ºContacto 4ºContacto
9 40 23,8 10 56 44,7 11 0 32,1 12 14 56,3

* fonte : Institut de Mécanique Céleste et de Calcul d'Éphémérides Observatoire de Paris - Bureau Des Longitudes

Istambul
Istambul
2 dois e meio após o eclipse

Estivemos uma semana na Turquia. Nos dias que rodearam o eclipse, percorremos várias regiões deste país que é extremamente rico em locais de interesse histórico, desde as cidades subterrâneas e capelas cristãs com frescos do século XI escavadas na rocha macia dos diversos e gigantescos vulcões em Capadócia, o grande anfiteatro romano de Aspendos e a enorme cidade helénico-romana de Perges na costa mediterrânea. Já na imensa Istambul passando pela monumental catedral bizantina de Hagia Sofia, a Mesquita Azul (na imagem acima), a cisterna de água subterrânea de Yerebatan, o sumptuoso palácio Topkapi, um passeio no Bósforo, culminando numa grande jantarada na panorâmica Torre de Gálata

Clicar na imagem abaixo para ver algumas imagens da Turquia.

turquia

Equipamento utilizado:

AVISO IMPORTANTE
Nunca olhar para o Sol através de algum telescópio ou binóculo sem o filtro apropriado, pois pode causar instantaneamente danos graves e irreversíveis tais como a cegueira total ou parcial

Algumas ligações relacionadas

Luís Carreira, Abril de 2006


Pátio 223 - 73P/Schwassmann-Wachmann

2006.04.22
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Este cometa periódico, está neste momento a desintegrar-se em mais de 30 fragmentos, naquela que deverá ser a sua última volta ao Sol, estando neste momento a 0.18626446 AU (27,864,766 km), mas irá aproximar-se até 0.079 AU (11,800,00 km) em 12 de Maio.

A apenas 2 graus da Alphekka, a Alfa da Corôa Boreal, foi muito fácil de encontrar, mesmo tendo em conta a magnitude limite do Pátio com cerca de 4.5. Ao telescópio e a 86x, a magnitude estelar chegava a 12.5. O coma era bastante condensado e o pseudo-núcleo quase pontual, mas notoriamente alongado, e com a cauda muito pequena e ténue. Não consegui encontrar o fragmento B e detectar o "bocado" que se separou faz um dia, pois e julguei que este estivesse mais próximo.

A estrela que me pareceu mais semelhante em brilho pelo método de desfocagem foi a Hipparcos 76999, assinalada por +- na borda direita do esboço que apresenta uma magnitude de 9.2, que de resto é a sua magnitude estimada. No período que durou a observação, (45 minutos), foi bem notório o seu movimento em relação às estrela próximas, que por esta altura era 3 minutos de arco por hora.

Também naquela região passaram 2 meteoros (3-4 mag) provenientes actual chuva das Líridas.

73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060423 00:00 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060423 00:00 UTC
reflector 20cm f/6 rad14mm (86x)

Abaixo fica a previsão até 2 de Maio dos três fragmentos mais brilhantes usando o Guide8 com os dados orbitais de Minor Planet Center em http://cfa-www.harvard.edu/iau/mpec/K06/K06G24.html

73P/Schwassmann-Wachmann - fragmentos C B G 00:00 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - fragmentos C B G 00:00 UTC

Pátio 224 - 73P/Schwassmann-Wachmann II

2006.04.27
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Continuação no acompanhamento deste cometa moribundo, tendo aproximado mais 5 milhões e 700 mil kms desde da última vez que o observei, movendo-se quase dois graus por dia em relação às estrelas.

O fragmento C continua a ser o que apresenta maior dimensão e brilho, com magnitude aproximada da SAO 65163 9.2 mag. apresentando também uma pequena cauda. O fragmento B é bem menor em dimensão e com cerca de uma magnitude de brilho. Neste último demorei um bom bocado a tentar encontrar sinais da sua fragmentação recente sem ter tido sucesso. Ambos eram invisíveis no binóculo 7x50. A magnitude limite visual era de 4.5 .

73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060427 22:50 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060427 22:50 UTC
reflector 20cm f/6 rad14mm (86x)
73P/Schwassmann-Wachmann - B 20060427 23:00 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - B 20060427 23:00 UTC
reflector 20cm f/6 rad14mm (86x)

Vale da Lama V

2006.04.29
Vale da Lama - Alpiarça

Já fazia alguns meses que não passva uma noite inteira sob as as estrelas.

Este dia começou para grande parte do grupo, numa almoçarada de Sopa da Pedra, e uma saborosa carne espetada em pau de louro em Almeirim, acompanhados por pão e tinto da casa, depois da qual, tendo-se juntado mais alguns companheiros, seguimos todos para o Vale da Lama ainda com o Sol a um punho do seu poente. Com o pessoal da imagem no longo ritual de montagem de toda aquela parafernália, pus-me a desmontar o espelho do meu dobson, que entretanto ficou com um parafuso de colimação com a cabeça partida, ficando sem possibilidade de sequer poder usar aquele ponto de colimação. Apesar disso, e com a preciosa ajuda do Luís Evangelista, lá conseguimos os dois com alguma paciência pô-lo com a colimação relativamente decente.

Entretanto, a Lua com um fino crescente e uma sempre fascinante face nocturna iluminada pela Terra, punha-se atrás de uma azinheira de que já não sabia a idade, tendo sido esta imagem ainda mais memorável no binóculo 7x50. O pessoal entretanto ia-se entretendo a matar melgas (tendo algumas delas morrido naquilo que por alguns pode ser considerado no paraíso - afogadas em abafadinho olho-de-lebre) e a acender as brasas para as febras, entremeada (conhecida por entrecosto em Alpiarça :)) e chouriça que seriam a ementa principal para o jantar, habilmente preparada pelos mestres assadores Paulo Barros e Mário Santiago.

Para além dos acima mencionados, estiveram também: Paulo Guedes, Fernando Delgado, Rui Tripa, Pedro Mota, Hugo Silva e Canela. E ainda a Patrícia, a João, a Cármen e as pequenitas Madalena, Joana e Raquel. Também apareceu uma família da redondeza a começar a descobrir a céu com o seu recentemente adquirido dobson de 20cm.

Depois de jantar, fiz uma rápida consulta a uma dúzia de objectos que não me canso de revisitar: Messier 104 , Messier 51 e companheira, Messier 63, Messier 94, Messier 81 e Messier 82, Messier 101, Messier 65/Messier 66/NGC3628, NGC 2903, Messier 95/Messier 96/Messier 105 entre outras.

De seguida com o binóculo 7x50, fui descobrir a localização dos fragmentos B e C do cometa 73P/Schwassmann-Wachmann que se revelaram bastante óbvios, com tão pouca abertura e magnificação. O fragmento C foi de longe o maior e mais brilhante, apresentando uma cauda já bem extensa.

73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060430 00:45 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060430 00:45 UTC
reflector 20cm f/6 rad14mm (86x)

O SQM marcou cerca de 21.00 de brilho de superfície ao longo da noite, com magnitude limite nas melhores regiões a chegar a 6.5 de magnitude. A humidade relativa chegou a ter momentos de alguma intensidade e a temperatura baixou até aos 7 graus. As noites já começam a ser curtas tendo o crepúsculo astronómico chegado às 5 da manhã.

Tinha mais ou menos planeado fazer um reconhecimento sistemático de galáxias nas insuspeitas constelações do Leão Menor e do Lince, onde na carta correspondente do Sky Atlas 2000.0 (Tirion)já tinha "pintado" os objectos NGC mais interessantes do catálogo Herschel 400 e de Dyer. Desta vez experimentei uma estante de maestro para pôr as cartas, acessório que se veio a revelar bastante prático.

Praticamente todas as galáxias observadas nesta sessão podem ser descritas como ténues, pequenas e com forma a variar entre a redonda a moderadamente alongada, e na sua generalidade sem praticamente qualquer detalhe digno de nota. Algumas delas tinham estrelas brilhantes a servirem de núcleo, como a NGC 3193, ou encontravam-se aos pares, mas infelizmente outras revelaram-se invisíveis (as assinaladas com o sinal '?'), que para além dessa particularidade fizeram perder bastante tempo e alguma paciência. Começo a achar 20cm de abertura muito pouca para apreciar (ou até ver) muitos objectos da lista de Herschel 400.

Leão Menor (Leo Minor)

NGC 3344, NGC 3396, NGC 3395, NGC 3432, NGC 3294, NGC 2859, NGC 3003?, NGC 3504, NGC 3486, NGC 3414

Lince (Lynx)

NGC 2683 - Esta galáxia foi a mais interessante e maior deste conjunto, grande, moderadamente brilhante e alongada, ficando marcada para uma próxima visita.

Leão (Leo)

NGC 3193, NGC 3226, NGC 3227, NGC 2964, NGC 3626, NGC 3900?, NGC 3912?

Depois deste reconhecimento, e até antes do espelho primário embaciar por volta das 4 da manhã, saltitei aleatoriamente por alguns objectos tipicamente de Verão, como Messier 13, Messier 92, Messier 57, Messier 27, e algumas das gemas de Sagitário, Escudo e Escorpião como Messier 8, Messier 20, Messier 17, Messier 8, Messier 6, Messier 7 entre outros. Depois foi andar na galhofa o resto da noite.

Saimos do local já eram 6:20 da manhã, tendo parado num pastelaria em Alpiarça, que após um bom reforço, seguimos viagem até casa.

Como é habitual, os resultados e mais relatos podem-se encontrar no www.atalaia.org.


Pátio 225 - 73P/Schwassmann-Wachmann III

2006.05.04
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Continuação do seguimento dos fragmentos doP/Schwassmann-Wachmann 3.
Quando há nuvens no céu, aqui no pátio tem a tendência a ser mais transparente nas abertas, podendo até chegar muito perto de uma magnitude visual limite de 5 (viam-se as estrelas que desenham a Ursa Menor) nas zonas com poluição luminosa indirecta. E foi numa dessas abertas de 1 quarto de hora, que bastou para fazer mais um esboço do fragmento B e uma estimativa de brilho do fragmento C.

Ambos eram visíveis no binóculo 7x50, tendo entretanto estes cometas já percorrido um grande caminho desde a madrugada do passado Domingo, com o fragmento C a já ter atravessado a constelação de Hércules, e o fragmento C a passar perto da estrela que serve de ombro direito à figura da constelação.

Embora o fragmento C fosse de maior dimensão (estimaria o dobro da cauda), tinha um brilho de superfície mais ténue que o B, que por outro lado compensava a sua menor dimensão com uma coma muito mais condensada e brilhante, sendo este bem fácil de encontrar e observar neste céu - a sua magnitude estimada foi 8.5.

73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060504 00:55 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060504 00:55 UTC
reflector 20cm f/6 rad14mm (86x)

Pátio 226 - 73P/Schwassmann-Wachmann IV

2006.05.06
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Noite com algumas abertas e com a Lua próxima do seu quarto crescente. Já há alguns meses que não fazia umas imagens de maior exposição que algumas fracções de segundo e queria verificar se a Takahashi P2-Z , o Takahashi Sky-90 e as câmaras ainda se encontravam em condições. A Atik 1HS já provavelmente entregou a alma ao criador, restando apenas a Philips Toucam alterada para (pouco) longa exposição ainda no seu invólucro original.

Para atenuar uma das a tarefas mais demoradas da astrofotografia, a focagem, experimentei usar um paquímetro (também conhecido por craveira ou calibre) para medir e nele fixar a distância de focagem em foco primário. Quando se usa uma montagem sem GO TO, a alternância entre em localizar e centrar um objecto com uma ocular e o foco preciso para a câmara faz perder bastante tempo, coisa que não tinha de modo a aproveitar as raras abertas que surgiam.
Funcionou na perfeição, tendo apenas que focar para a câmara uma única vez, solução simples e eficaz e com uma resolução superior a 0.05mm (que é o que se pode medir com o paquímetro utilizado), que é mais que suficientemente para as focais curtas que utilizo.

O fragmento B foi o principal objectivo da noite - tentar registar o núcleo fragmentado. Este cometa era extremamente ténue no 90mm talvez devido ao já intenso luar e tive alguma dificuldade para o encontrar. Contudo, a imagem baixo mostra distintamente a dupla coma embora numa escala reduzida. É impressionante o que mais algum luar afectou na visibilidade deste cometa em apenas dois dias, visto que na observação anterior era perfeitamente visível com apenas um binóculo de 50mm.

73P/Schwassmann-Wachmann - B 20060506 01:26-01:32 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - B 20060506 01:26-01:32 UTC
Takahashi Sky-90 f/5.6 (500mm)+Toucam SC1 2.3" res
18x20 seg

O fragmento C por outro lado já atingiu a impressionante velocidade de movimento aparente de 10.511'/hora, equivalente a percorrer um terço de uma lua cheia em apenas 1 hora! mas a uma confortável distância de mais 14 milhões de quilómetros. Este fragmento era notoriamente maior e mais brilhante.

Na imagem abaixo, parece que se está a tornar visível outra cauda, talvez por naquele momento estar praticamente "de frente" ou em oposição em relação à Terra. A intensa nebulosidade impediu registar um grande período.

73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060506 02:12-02:24 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060506 02:12-02:24 UTC
Takahashi Sky-90 f/5.6 (500mm)+Toucam SC1 2.3" res
57x13segundos

Ver a animação com as 57 imagens (13x a velocidade aparente)

Pátio 227 - 73P/Schwassmann-Wachmann e Messier 57

2006.05.07
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Na madrugada de segunda-feira 8, o fragmento C passou extremamente perto da mais famosa nebulosa planetária do catálogo de Messier, a Messier 57 - Nebulosa do anel. Não é vulgar conseguir colocar no mesmo campo com uma magnificação já grande (136x) dois objectos "nebulosos" tão brilhantes.

A observação iniciou-se com o binóculo 7x50, onde o cometa era imediatamente perceptível, mesmo com o forte luar. Achei uma vista muito interessante, a sua passagem perto da estrela variável de eclipse branco azulada Beta Lyrae (Shelyak), que é uma estrela múltipla rodeada de um pequeno e curioso enxame, sendo todas elas pertencentes à nossa Associação Local (grupo Plêiades).

Esta zona é ricamente populada de estrelas, tendo demorado a pontuar as estrelas e Messier 57, desenhando em intervalos mais ou menos regulares a posição do cometa. Sim, em pouco mais de 1 hora a sua posição mudava a uma velocidade que nunca antes tinha visto. Infelizmente, fui obrigado a recolher bem antes da sua maior aproximação a Messier 57, pois o dia seguinte era de trabalho.

73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060507 00:55-02:00+ UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060507 00:55-02:00+ UTC
reflector 20cm f/6 pan24mm (51x)
73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060508 01:55 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060508 01:55 UTC
reflector 20cm f/6 rad14mm (86x)

Pátio 228 - Lua Coroada e Júpiter

2006.05.12
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Fenómeno muito vulgar causado pela difração do luar (neste caso de uma Lua cheia) nos cristais de gelo nos cirros e outras nuvens da alta atmosfera. Este era particularmente colorido, mas um mau sinal para observar todo o resto.

Corôa lunar
Corôa lunar
Canon G1 - composto de 2 exposições 1/100s e 1 seg

Pátio 229 - 73P/Schwassmann-Wachmann VI

2006.05.14
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

O fragmento B tem estado na última semana ou "outburst", ou por outras palavras, com aumento súbito de actividade, tendo chegado a uma magnitude que permitiu observá-lo a olho nu em céus escuros. Mesmo com a Lua praticamente cheia, foi bem visível com o binóculo 7x50, mostrando no reflector 20cm um pseudo-núcleo alongado mas não resolvido em dois e curta mas gorda cauda de formato triangular que terminava numa ténue cauda com visão indirecta. Fez-me lembrar um dardo. Foi bastante fácil de localizar, pois tinha como luminária de sinalização a epsilon cygni, estrela de magnitude 2.5 que marca o meio da asa Leste da constelação do Cisne. O seu deslocamento era notório, principalmente quando perto de alguma estrela.

73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060514 02:57 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - C 2006-05-14 02:57 UTC
reflector 20cm f/6 nag9mm (136x)

O cometa pode-se considerar relativamente pequeno, se atendermos à dimensão na diagonal do recorte abaixo, que cobre cerca de 15 graus de céu (um palmo aberto à distância de um braço esticado), que vai desde o coração do Cisne até à ponta da asa. A típica cor azul marinho ainda conseguiu ser subtraída ao luar e à poluição luminosa, mostrando ainda cerca de meio grau de cometa.

73P/Schwassmann-Wachmann - C 20060514 02:44 UTC
73P/Schwassmann-Wachmann - C 2006-05-14 02:44 UTC
Nikon D70 50mm f/2.8
8 exposições de 10 segundos num tripé fixo

Vale da Lama VI

2006.05.27
Vale da Lama - Alpiarça

Mais uma Lua nova neste montado à beira de arrozais plantado.

Não me recordo de ter sido tão mordido por melgas como nesta noite. As #$&*$% das melgas até o couro do cabelo picavam!!. As rãs deviam fazer menos barulho e comer mais...adiante...

Como sempre, houve uma petiscada que desta vez se prolongou com muita conversa até depois da meia noite, altura em que o céu começou a descobriu.

Ainda hesitei, mas o Takahashi Sky-90 já andava com alguns ciúmes do Dobson de 20cm decidi desta vez levá-lo "prá night", assim como o novo Pocket Sky Atlas (PSA) da Sky & Telescope para ver como se comportava no terreno.

A noite foi típica de Verão, apesar de ter estado nublado até depois da meia-noite. A humidade praticamente não apareceu e a temperatura não deve ter baixado dos 12, 14 graus. A transparência não foi das melhores, mas houve um período a meio da madrugada bastante bom, tendo a magnitude limite zenital andado por volta dos 6 (SQM 20.80), e a turbulência ter sido mediana.

De nota em visual, vi o melhor Messier 13 com o Takahashi Sky-90 até à data, e mais uma vez a "Veil" no Obsession 15". Depois dediquei-me a percorrer algumas cartas do PSA, cuja escala e organização ainda tenho de me acostumar melhor. Este pequeno atlas de 80 cartas argoladas com estrelas até 7.6 de magnitude, que apesar de ter muitos mais objectos que o Karkoschka , não deixa de ser uma colecção de cartas sem informação básica (como a magnitude que com jeitinho até cabia no índex) sobre os objectos de céu profundo lá desenhados, tendo que se usar conjuntamente com outra referência para não andar à caça de gambozinos com telescópios de pouca abertura. Continua com o curioso hábito de coloração das galáxias com a cor vermelha, que sob a luz da mesma cor, fica invisível (a laranja ficaria cinzento claro), embora diga-se de verdade, que não vemos lá muita a cores em visão nocturna. Ainda vou ter que pensar num "companheiro" para este atlas.

Continuando, pus-me a capturar imagens com a Nikon d70 atarrachada ao rabo do Takahashi Sky-90.

As paisagens abaixo, têm uma diagonal de 2 graus e meio, sendo a técnica utilizada a do menor esforço possível. Apontava o telescópio com quickfinder, fazia uma imagem de 2 minutos e depois ia para a galhofa, por vezes não ficava lá muito centrado, e lá tirava outra retornando novamente para a galhofa, focando pelo método do (meu) astigmatismo galopante, ou por outras palavras quando os riscos das estrelas me pareciam mais finos estava no ponto. Quando faço focagens a olho nunca arrisco grandes exposições pois não existe pior perda de tempo que uma imagem ou pior, várias delas, de 5 minutos ligeiramente desfocadas e não é preciso muito para tal acontecer a f/4.5. Sairam apesar da balda, razoavelmente bem focadas.

Estes grandes campos são as vizinhanças de quatro dos objectos mais visitados durante o Verão, fazendo-me lembrar em área as vistas atravé do Takahashi Sky-90 e Panoptic 24mm, que tem sensivelmente o mesmo campo, embora não chegue nem perto da magnitude estelar 14 das imagens abaixo, sendo estes apenas breves instantâneos um pequeno exercício de escala e de (muito) contexto. Não por achar muita piada uma Messier 57 com 10 pixels de diâmetro, mas o seu enquadramento entre a Beta e a Sigma (σ) da Lira, resulta numa composição que aprecio muito.

O globular Messier 13 em Hércules é um dos incondicionais, que como já tinha escrito atrás, deu a sua melhor vista com o 90mm, apetecendo mesmo fazer-lhe uma imagem apesar de não ter conseguido vislumbrar a pequena galáxia de magnitude 12, NGC 6207.

De seguida foi a planetária Messier 27 na Raposa, que também se estava a por bem alta, terminando com o enxame Messier 11 em Escudo, cuja as redondezas possuem várias áreas de poeira interstelar, como é característico naquela zona populosa da Galáxia, mas entretanto devo ter dado um pontapé no tripé porque as estrelas não me parecem lá muito pontuais.

As imagens não foram reduzidas, mas sim "binadas 2x2 em matriz de bayer" para o canal de luminosidade e depois adicionado o rgb também este "binado", tudo usando a mesma exposição, usando essa pérola de programa chamada Iris. As estrelas estão um pouco estralhaçadas, mas estas imagens são para ser vistas a pelo menos 1 metro de distância do monitor. Algumas das estrelas são "hot-pixel" e não asteróides porque também não usei "darks". E nem "flats".

A sessão terminou como começou, com o Sol no horizonte medianamente nublado e enevoado e com um novo ataque de melgas.

Messier 57
Messier 57
Takahashi Sky-90 f/4.5 (400mm)+Nikon D70 4.5" res
1x120 seg. ISO 400
Messier 13
Messier 13
Takahashi Sky-90 f/4.5 (400mm)+Nikon D70 4.5" res
1x120 seg. ISO 400
Messier 27
Messier 27
Takahashi Sky-90 f/4.5 (400mm)+Nikon D70 4.5" res
1x120 seg. ISO 400
Messier 11
Messier 11
Takahashi Sky-90 f/4.5 (400mm+Nikon D70 4.5" res
1x120 seg. ISO 400

Como é habitual pode-se encontrar aqui o relato e instantâneos do pessoal que por lá andou.


Pátio 230 - Lua baixa e Antares

2006.06.10
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

A menos 27 graus em relação ao equador celeste a Lua anda mesmo na mó de baixo. Aqui estava a passar um pouco abaixo da vermelha alfa de Escorpião, Antares.

Lua e Antares 20060610 20:06 UTC
Lua e Antares 20060610 20:06 UTC
Nikon D70 zoom 80mm f/8 - 2 exposições 1/50 e 1/15 segundos num tripé fixo

Pátio 231 - Raios e Coriscos

2006.06.13
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Grande tempestade e trovoada que passou por cima do pátio. Desta vez de relevância astronómica só tem que geralmente impede a sua prática, mas com a atenuante que é uma imagem de longa exposição e ainda que descargas eléctricas são bastantes comuns em Júpiter que à escala deste planeta são várias vezes maiores e possivelmente também nos restantes gigantes gasosos. Também existem sinais de acontecerem em Vénus .

Raios e Coriscos
Raios e Coriscos
Nikon D70 zoom 80mm f/5.6 - 30 segundos num tripé fixo, tudo debaixo de um chapéu-de-chuva

Pátio 232 - Saturno e Marte

2006.06.17
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Parecia impossível com estas nuvens, mas num buraco (ligeiramente menos nublado), foi possível observar este par que estava separado em pouco mais de meio grau. Chegou a ser visível com a vista desarmada, e faziam um belo contraste no binóculo 7x50. A delta de Cancer com quase 4 de magnitude (às sete horas de Saturno) não conseguiu furar a nebulosidade, mas cá ficou registado mais outro encontro celestial do nosso sistema solar. Teria dado uma bela imagem com o enxame Messier 44, mas fica para a próxima.

Saturno e Marte Antares 20060617 21:21 UTC
Saturno e Marte Antares 20060617 21:21 UTC
Nikon D70 zoom 80mm f/6.3 5 segundos num tripé fixo

Pátio 233 - Peças e opiniões

2006.06.22
Pátio (Leiria 39.75N 8.82W alt. 60m)

Pequena sessão para diversos testes e melhorias no equipamento, sob um céu que se poderia considerar péssimo, mas ainda suficiente para testar uma modificação que já há algum tempo queria fazer, a de arranjar um "nariz" mais curto para a diagonal de 2" da Takahashi. Quando utilizada com o CAA (camera angle adapter) ficava com 8mm fora, impossibilitando a utilização de algumas oculares que necessitavam de um curso de foco mais curto. A peça é simples, mas a sua execução com a qualidade semelhante da original não o é, mas no entanto não pareceu ter sido grande desafio para o meu torneiro particular (pai), não dando para destrinçar qual a original. Até fez o roscado interior e tudo! só falta encontrar um primário preto fosco para o último retoque.

O novo nariz
O novo nariz

Com este nariz mais curto já praticamente todas as oculares, nomeadamente as ortoscópicas, chegam a foco com folga que chegue para eventuais filtros, mas a Celestron micro-guide infelizmente não tem a mínima hipótese de chegar a foco com o CAA.

Após verificar com o planeta Júpiter que não havia reflexos na peça nova, que cujo o interior tinha sido pintado provisoriamente com caneta de acetato preta, dei ainda um toque na colimação, que cujos os anéis de difração não tinham a luz uniformemente distribuída. Com esta nova folga já foi possível fazer uma nova comparação da Nagler 9mm tipo 6 com a ortoscópica 9mm da Kasai. Os alvos foram o Messier 13, Messier 57, a dupla-dupla (epsilon lyrae) e a albireo. A conclusão desta vez com o Takahashi Sky-90 foi que Nagler ganhou em todas as categorias excepto no preço. Foi mais nítida, tinha melhor contraste e cores mais vibrantes , e por fim mais confortável de usar. É necessário salientar que estas diferenças embora existam, são quanto muito mínimas, mas esta Nagler tipo 6 é realmente excepcional para uma ocular tão complexa.